Missionário da Consolata na Colômbia e no Equador...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Pe. Franco Piccoli, imc: um amigo, um pastor, um consolador... Agora um santo que intercede por nós junto a Deus...

Por Júlio Caldeira

Faleceu, no dia 26 de junho de 2010, o nosso querido Pe. Franco Piccolli, imc. “Pequeno” no nome, grande no coração e no espírito missionário, sempre confirmando sua felicidade pelo “sim” que deu a Cristo.

Pe. Francesco Piccoli nasceu no dia 30 de setembro de 1934, em Bettola (Piacenza – Itália), onde entrou no seminário em 1946 e cursou o ensino médio. Juntou-se à família dos missionários da Consolata em 1954, onde fez os estudos no seminário maior. Emitiu os primeiros votos em 1955 e foi ordenado sacerdote em 02 de abril de 1960 (completou recentemente 50 anos de ordenação sacerdotal).

Dedicou-se à formação de missionários da Consolata, em Turim (Itália). Depois, veio para o Brasil, onde se dedicou missionariamente, por 21 anos, aos trabalhos pastorais em Manaus (Amazonas) e Boa Vista (Roraima), sendo, inclusive pároco da catedral de Boa Vista (Roraima); além disso, desempenhou vários trabalhos nas periferias urbanas, defendendo a “opção preferencial pelos indígenas” feita pelos missionários da Consolata.

De 2004 a 2008 desempenhou seu apostolado na querida paróquia N.Sra.Consolata, no Rio de Janeiro, onde o conheci e demonstrava carinho com o povo. Marcava a todos seu zelo apostólico e espírito de oração e atenção às pessoas que se acercavam a ele. “Coragem”, “força”, “confie em Deus, Ele nunca nos abandona; está sempre conosco”... entre outras: estas eram palavras constantes em seu vocabulário, diante das dificuldades que lhe eram apresentadas. Desde 2008 foi chamado a estar junto ao povo de Salvador (Bahia).

Em meados de 2009, constatou-se um delicado problema de saúde, que o fez retornar à Itália, onde começou um tratamento urgente e prolongado que o levou à morte, ou melhor, ao “encontro com o Pai”. Este grande “especialista em sofrimento”, como seguidor de Jesus, mesmo nos momentos de sofrimento, ofereceu tudo o que tinha pela missão, pela Igreja e pela humanidade... Diante do “calvário” que vivia afirmava que “estou convencido de que Deus está me dizendo o que disse a Jeremias no capítulo 18: quer fazer de mim um vaso novo... também exteriormente... Seja feita sua santa vontade, que é sempre santa e santificante!”.

Disse certa vez que "apesar de ser aqui apenas um curto espaço de tempo, as pessoas começam a me conhecer e a amar-me." Querido Pe. Franco, como não poderíamos lhe conhecer e amar? Você sempre esteve atento a todos e dando-se a conhecer e amando aos demais...

Pe. Ronildo, Júlio e Pe. Franco
Agora só temos que agradecer também a Deus por haver nos dado tão zeloso e ardoroso operário que trabalhou... trabalhou... trabalhou na Sua Vinha. E agora, emocionados e com saudades, temos que reconhecer: se foi o nosso amigo, pastor, consolador... mas agora temos a certeza de ter mais um santo que intercede por nós junto a Deus...

Segue o depoimento de Aline Carvalhido (do Rio de Janeiro):
 
"Caros amigos,
é com imensa tristeza que externo meu sentimento aqui ... hoje foi para casa do Pai nosso amado PASTOR Pe. Franco Piccoli, ganhamos um intercessor no céu com certeza.
Fica no meu coração sua incansável luta para levar o Cristo Jesus a todos aqueles que não O conheciam como ele o conhecia, sua luta pela "Missão", pela verdadeira Missão. Pe. Franco dedicou sua vida até o último minuto a evangelizar, a ser aquilo que Deus o chamou a ser, UM MISSIONÁRIO POR INTEIRO!!
Por onde ele passou, ele deixou sua marca. Mudou não só os lugares por onde passou, mas mudou as pessoas. Ele sempre teimoso, sempre insistente, quando punha algo na cabeça ninguém o fazia mudar. Por muitas vezes discordamos, por muitas vezes queríamos fazer diferente dele, mas ele com seu jeitinho nos convencia, ou não, contudo ele fazia mesmo assim, e nos ensinava, pois dava certo, sempre deu certo.
Sofria sempre calado, era o silêncio de Nossa Senhora, um homem de profunda oração, tinha sempre a sua frente Jesus, sempre foi rastro de luz!!
Fica hoje no meu coração e sei que ficará sempre, seus conselhos, seus ensinamentos, sempre que falei com ele nestes últimos momentos de dor, ao invés de animá-lo pelo contrário, ele é quem me animava sempre! Tinha sempre uma frase pronta, que ele trazia do seu coração para me dizer. Para nos dizer, não é?!
Ele era o próprio Cristo que hoje foi para junto do Pai, e que está nos aguardando lá.
Foi-se meu amigo, meu PASTOR, meu conselheiro espiritual, meu Pai, foi-se desta terra, agora este SANTO homem é meu (nosso) intercessor!
Caros amigos, que Deus nos dê força para sermos verdadeiros missionários como nosso Pastor foi! Ele viveu verdadeiramente o carísma IMC. (...)
Fiquemos pois, ANIMADOS PELA ESPERANÇA e com OS OLHOS FIXOS EM JESUS!!!
Nossa Senhora Consolata, rogai por nós!"



PADRE FRANCESCO (FRANCO) PICCOLI, IMC (Breve curriculum vitae)

Padre FRANCESCO PICCOLI (mais conhecido como Padre FRANCO), fi-lho de Bonfiglio Piccoli e Rosa Piccoli, nasceu a 30 de setembro de 1934, em Béttola (Região de Piacenza), na Itália. Antes de ingressar no Instituto Missões Consolata, fez os estudos básicos no Seminário diocesano de Pia-cenza e no Colégio Alberoni de Piacenza (de 1946 a 1954).

Sentindo o chamado à vida missionária, no final de setembro de 1954 en-trou no Instituto Missões Consolata, em Turim. A 02 de outubro de 1954 iniciou o Noviciado, em Certosa di Pésio; emitiu a Profissão Religiosa temporânea a 02 de outubro de 1955. Fez os estudos teológicos no Semi-nário Maior do Instituto Missões Consolata, em Truim, sendo admitido à Profissão Religiosa perpétua a 02 de outubro de 1958. Recebeu a Ordem do Diaconato a 20 de dezembro de 1959 e a 02 de abril de 1960 foi orde-nado Sacerdote, em Turim.

CAMPOS DE APOSTOLADO APÓS A ORDENAÇÃO SACERDOTAL
Em Rovereto: de julho de 1960 a julho de 1967, como vice-reitor do seminário e orientador espiritual dos seminaristas.
Em Varallo Sésia: de julho de 1967 a julho de 1969, como orientador espi-ritual dos estudantes do Liceu.
Em Boário: de julho de 1969 a maio de 1975, como superior da comunida-de local e animador vocacional.
Em 1975 foi destinado ao Brasil, onde chegou no final do mês de maio do mesmo ano. Aqui, exerceu o cargo de pároco da paróquia “Santa Luzia”, em Manaus (AM), de junho de 1975 a maio de 1980.
Depois deste período de vida no Brasil, retornou à Itália, chamado para trabalhar como superior e animador vocacional em Rovereto. De Rovere-to passou para a comunidade de Bedizzole, durante alguns meses, sem-pre ocupado com a animação vocacional, até o final de 1987.
No primeiro semestre de 1988 retornou ao Brasil, sendo destinado a Boa Vista, em Roraima, onde assumiu o cargo de pároco da igreja catedral “Cristo Redentor”, trabalho que desempenhou até fevereiro de 1997.
Em março de 1997 voltou a trabalhar em Manaus (AM), como pároco da paróquia “ Santa Luzia”, até outubro de 2003.
No final de 2003, Padre Franco foi transferido para a Região Sul do Brasil, iniciando suas atividades pastorais e missionárias na paróquia “Nossa Senhora Consolata”, no Rio de Janeiro, como pároco e superior da comu-nidade missionária do Instituto Missões Consolata, permanecendo no cargo até 30 de junho de 2008, ocasião em que a paróquia foi devolvida à Arquidiocese do Rio.
Deixando o Rio de Janeiro, Padre Franco foi para a Paróquia de São Brás, na periferia de Salvador (Bahia), onde ficou até o final de 2009.

Atacado pela doença, deixou a Bahia e foi para São Paulo, para tratamento e internação no Hospital São Camilo (Região Sant´Ana). Assim que uma breve e temporária melhora na saúde lhe permitiu, viajou para a Itália, sua pátria, para um período de férias e continuidade do tratamento da saúde.

Faleceu no Hospital Cottolengo de Turim (Itália), a 26 de julho de 2010, com 75 anos de idade, 54 de Profissão Religiosa como Missionário da Conslata e 50 de Sacerdócio. Foi um grande e generoso missionário, que testemunhou seu amor a Jesus Cristo e à Igreja por palavras e com a vida.

Deus lhe dê um belo lugar no céu! Amém!
São Paulo, 27 de julho de 2010.        Padre Jordão Maria Pessatti, imc

7 comentários:

  1. Jeanice Maria G. Menezes - Paróquia Na. Sra. Consolata/Rio de Janeiro28 de julho de 2010 01:53

    Pe. Franco, um verdadeiro missionário. Com seu jeito "sem barulho e sem alarde", cativou a todos que o cercavam. Ao perceber o desanimo ou o sofrimento de quem o procurava sempre vinha com sua palavra certa e, com um tapinha no rosto, dizia sempre "coragem irmã (o), coragem". Ele sempre acreditava que todos nós, seres humanos, temos a oportunidade de sermos bons e praticar o bem. Quem o conhecia dizia: este homem é um santo. Com certeza quem não o entendia, com o tempo conseguia enchergar o que ele procurava ensinar e que, com seu carinho e exemplo, sabia nos passar o amor a nossa Mãe Consolata. Que sem seu amor não conseguimos fazer nada e que caminhando com Ela, chegamos a seu Filho e a misericórdia divina. Realmente temos certeza que lá, junto ao nosso Pai, ele estará intercedendo por nós.

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  2. Querido julio, verdadeiramente, o pouco que conheço de Pe. Picolli, ao nos encontrarmos num dos Encontros na Bahia, me encantou mesmo. Era alguém muito especial. Transmitia paz e serenidade!
    Que sua Páscoa nos anime a vivermos com intesidade nossa missão!

    Ir. Daniela, mc

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  3. Eu o conheci por pouco tempo,durante um ano, quando ele foi pároco da minha paróquia,São Brás em Salvador-ba;ele veio com toda força,querendo mudar e mudar pra melhor,principalmente na evangelização,aos poucos nos acostumamos com o jeito dele ser. Ele nos dizia sempre: 'Coragem! coragem!" Apesar da idade,tinha esse ardor missionário que muitos padres bem mais novos não tem. Mas infelizmente saiu daqui para se tratar na Itália, e não mais voltou,foi ao encontro do Pai. Ainda um dia nos encontraremos com ele na casa paterna. Ele nos ensinou uma coisa: que nossa missão é evangelizar, não ter medo, seguir em frente. "Coragem! Coragem!" Alexsandro, Jovem Missionário da Consolata, Salvador-Ba

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  4. . Conheci o Pe. Franco em Boa Vista Roraima,Na Igreja Cristo Redentor,onde ele foi Pároco. Lá eu vivia uma vida totalmernte em desacordo com tudo que se poderiam dizer que uma pessoa de Deus faria. Mesmo assim ele sempre tinha uma maneira especial em tratar as pessoas. Certa vez conversando meus dcesejos em querer voltar para o Rio pois nao tinha como faze-lo `vivia como um desocupadonaas ruas` Esse grande homem com seus conhecimentos me disse: "Nao sei se vou consequir uma passagem, mas com uma gotinha aqui e outra ali,bem vejamos o que faremos. Realmente eu naoacreditei, passou-se uns dias e ele veio me dizendo que talvez consequisse a passagem.Fiquei muito euforico e cheio de esperanças em revcer meu mundo, minha familia etc... Elemarcou um encontro no aeroporto e por incrivelque pareça eu nao acreditei, e nao fui ao local co
    mbinado, pensei que fosse mais uma promessa, comoja mae aviam dadoalguns politico...
    no dia sequinte acho que alguns dias nao me lembro bem,fui a Igreja pedir algo para me alimentar,e ele veio,muito desapontado e triste,pois realmente havia consequido a passagem, me mostrou e realmente estava "furioso" com o meu descaso. Mas me perdoou, foi pelo que me lembro a última vez que encontri-o em Roraima. com os passar dos anos consequi uma passagem e voltei para o Rio. Morando com o meu pai, alguns anos trabalhando qui e ali e ele veio a falecer, foi guando fui morar em Benfica la na igreja de consolata reencontrei o padre.

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  5. Pe. Franco Picolli, um grande sacerdote e bom Pastor. Que o seu carinho e dedicação aos que Deus os havia indicado ao seu pastoreio, mesmo os que não traziam o sinal de Deus e da Misericórdia, mas pela vontade de querer ver a Jesus, perto deste padre tão firme na fé e em sua caminhada, pode não ter deixado "agora" a sua mensagem verdadeira, mas creio que Deus não deixará de apontar esta marca de amor que ele quis deixar e todos se arrependerão do que falaram. Um grande abraço padre e que Deus esteja sempre contigo. Amém.

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  6. Tantas coisas pra falar deste Santo Homem...
    Tenho o maior orgulho em dizer que foi ele quem celebrou meu casamento, e que por muitas vezes pude estar ao seu lado, compartilhando minhas dores e podendo ouvir todas aquelas palvras de conforto, por diversas vezes ouvi: " Coragem Mana mia, Coragem!!! A saudade dói,e dói muito, mas tenho certeza de ele está ao lado do pai intercedendo por nós!! Um amigo inesquecível, um pai zeloso, um irmão, um missionário exemplar e de uma força... Que Deus o tenha em bom lugar!!! Te amo muito meu amigo!!! Fique em paz!"!!!

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  7. Marcos e Jucineide15 de outubro de 2010 22:06

    Tivemos a graça de conhecer Pe. Franco Piccoli em meados de 1989, quando ele foi nomeado Pároco da Igreja Catedral Cristo Redentor em Boa Vista-Roraima. Conciliador, amigo, conselheiro era um verdadeiro Pastor que cuidava das suas ovelhas e mais ainda, cohecia cada uma delas. Sempre atento as necessidades da igreja ele buscava sempre a união da nossa Paróquia da Catedral através das diversas pastorais, movimentos e setores. Com ele teve início na diocese de Roraima o movimento da Renovação Carismática Católica, o Encontro de Casais com Cristo e o Encontro de Jovens com Cristo, além da Pastoral Carcerária e incentivos a tantas outras pastorais existentes na paróquia Catedral. Homem de oração, Pe. Franco celebrava missa diariamente as vezes o encontrávamos dentro da imensa catedral rezando a missa, quando não lhe sobrava o tempo para celebrar nas comunidades da paróquia, e então nos reunimos para rezar juntos. Também foi o Pe. Franco quem celebrou nosso casamento em dezembro de 1993 e batizou nossos dois primeiros filhos. Ao saber da sua ida ao céu o sentimento que tivemos além da saudade, foi a certeza de quem ele é mais um santo no céu a interceder por nós. Amigo das famílias, dos jovens e das crianças nos dizia sempre, coragem mano, Cristo está contigo! eco! Vou lhe colocar no cálice, mas veja se não vai pular de dentro! Nas suas distrações reze por mim que nas minhas eu rezarei por ti! Santa polenta! Essas são algumas das suas frases preferidas. Amigo querido, por todo bem que ele realizalou no nosso meio, a tantas famílias de Roraima e de todos os lugares por onde passou, quando soubemos do seu falecimento a palavra que nos calou no coração foi: Vinde bendito de meu pai, vinde habitar no reino que para ti foi preparado desde a criação do mundo!

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