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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lectio Divina do texto de Lucas 21,5-19 - 33º Domingo do Tempo Comum

Por: Patrick Silva, imc

Algumas pessoas comentavam a respeito do templo, que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: “Admirais essas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”. Mas eles perguntaram: “Mestre, quando será, e qual o sinal de que isso está para acontecer?” Ele respondeu: “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu! ’, e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não andeis atrás dessa gente! Quando ouvirdes falar em guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que essas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”. E Jesus continuou: “Há de se levantar povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em vários lugares; acontecerão coisas pavorosas, e haverá grandes sinais no céu. Antes disso tudo, porém, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e jogados na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Será uma ocasião para dardes testemunho. Determinai não preparar vossa defesa, porque eu vos darei palavras tão acertadas que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. A alguns de vós matarão. Sereis odiados por todos, por causa de meu nome. Mas nem um só fio de cabelo cairá da vossa cabeça.É pela vossa perseverança que conseguireis salvar a vossa vida! (Lucas 21,5-19)

1. LECTIO – Leitura
O evangelho nos leva uma vez mais à cidade de Jerusalém. Num período especial na vida de Jesus e seus discípulos, são últimos dias do Mestre, antes da sua morte. Como acontece com os outros sinópticos, também Lucas conclui a pregação de Jesus com um discurso escatológico onde se misturam referências à queda de Jerusalém e ao “fim dos tempos”. Na versão de Lucas, Jesus é situado nos átrios do Templo com os seus discípulos, enquanto que no relato de Mateus e Marcos, Jesus é situado no monte das Oliveiras). O ponto de partida do evangelho que levará ao discurso de Jesus é a contemplação das belas pedras que enfeitavam o Templo de Jerusalém.

Neste discurso escatológico aparecem, como pano de fundo, três momentos da história da salvação: a destruição de Jerusalém, o tempo da missão da Igreja e a vinda do Filho do Homem. O texto começa com o anúncio da destruição de Jerusalém (vs 5-6). Na perspectiva profética, Jerusalém é o lugar onde deve irromper a salvação de Deus (veja Is 4,5-6; 54,12-17; 62; 65,18-25) e para onde convergirão todos os povos que desejam a salvação (veja Is 2,2-3; 56,6-8; 60,3; 66,20-23). No entanto, Jerusalém recusou a oferta de salvação que Jesus veio trazer. A destruição da cidade e do Templo significa que Jerusalém deixou de ser o lugar exclusivo e definitivo da salvação. A Boa Nova de Jesus vai, portanto, deixar Jerusalém e partir ao encontro de todos os povos. Começa, assim, uma outra fase da história da salvação: começa o “tempo da Igreja” – o tempo em que a comunidade dos discípulos, caminhando na história, testemunhará a salvação a todos os povos da terra. Vem, depois, uma reflexão sobre o “tempo da Igreja”, que culminará com a segunda vinda de Jesus (vs 7-19). Como será esse tempo? Como vivê-lo? Em primeiro lugar, Lucas sugere que, após a destruição de Jerusalém, surgirão falsos messias que anunciarão o fim. Porém, alerta: “não sigais atrás deles” (v 8); e esclarece: “não será logo o fim” (v 9). Historicamente, a destruição de Jerusalém no ano 70 pelas tropas de Tito deve ter parecido aos cristãos o prenúncio da segunda vinda de Jesus e alguns pregadores populares deviam alimentar essas ilusões… Mas Lucas (que escreve durante os anos 80) está apostado em esclarecer a situação: os cristãos em vez de viverem obcecados com o fim, os cristãos devem preocupar-se em viver uma vida cristã cada vez mais comprometida com a transformação “deste” mundo. Em segundo lugar, Lucas diz aos cristãos o que acontecerá nesse “tempo de espera”: a chegada de um mundo novo. Para dizer isto, Lucas recorre a imagens apocalípticas (“há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino” – v 10, veja também Is 19,2; 2 Cr 15,6; “haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fome e epidemias; haverá fenômenos espantosos e grandes sinais no céu” – v 11), muito usadas pelos pregadores populares da época para falar da queda do mundo velho – o mundo do pecado, do egoísmo, da exploração – e do surgimento de um mundo novo… A questão é, portanto, esta: no tempo que vai entre a queda de Jerusalém e a segunda vinda de Jesus, o “Reino de Deus” ir-se-á manifestando; o mundo velho desaparecerá e nascerá um mundo novo (é importante recordar que os discípulos não devem esperá-lo de braços cruzados, à espera que Deus faça tudo, mas devem empenhar-se na sua construção). É claro que a libertação plena e definitiva só acontecerá com a segunda vinda de Jesus.

Em terceiro lugar, Lucas alerta os cristãos para as dificuldades e perseguições que marcarão a caminhada da Igreja. No entanto, devem lembrar que não estarão sós, pois Deus estará sempre presente; será com a força de Deus que eles enfrentarão os adversários e que resistirão à tortura, à prisão e à morte; será com a ajuda de Deus que eles poderão, até, resistir à dor de ser atraiçoados pelos próprios familiares e amigos… Quando Lucas escreve este texto, tem bem presente a experiência de uma Igreja que caminha e luta na história para tornar realidade o “Reino” e que, nessa luta, conhece os sofrimentos, as dificuldades, a perseguição e o martírio; as palavras de alento e força que ele aqui deixa – sobretudo a certeza de que Deus está presente e não abandona os seus filhos – devem ter constituído uma ajuda inestimável para esses cristãos a quem o Evangelho se destinava. Esta é também a mensagem que hoje Lucas quer deixar para nós que caminhamos na história atual e que nos debatemos com as dificuldades de levar a Boa Nova à toda a humanidade, onde tantos parecem não desejar e, mesmo, se opor a esta Boa Nova. Vivemos num tempo onde a proposta de Jesus parece ser falta de bom senso, no entanto, a Boa Nova de Jesus continua sendo muito atual e desafiadora, que requer boas testemunhas.

2. MEDITATIO – meditação
A proposta cristã não é alienante, mas exige um empenhamento sincero na construção de um mundo mais justo e mais fraterno. O “Reino de Deus” é uma realidade que atingirá o ponto culminante na vida futura, porém, vai-se construindo já aqui e agora. Será que estou empenhado em construir um mundo mais justo e fraterno? Será que estou comprometido em que o “Reino de Deus” seja realidade?

Muitas pessoas que hoje freqüentam as comunidades cristãs são apenas “consumidoras”, tendo sempre um papel passivo. Qual é a minha atitude perante a comunidade cristã? Dou o meu contributo na construção da comunidade?

3. ORATIO – oração
Ainda hoje tem comunidades cristãs que vivem a perseguição, que vêm o direito de professar Jesus ameaçado. Nas suas orações recorde todos os cristãos que não podem professar sua fé livremente.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Faça da sua força a certeza de que em todos os momentos da sua vida, você pode contar com a presença de Deus. De Deus virá tudo o que precisa para vencer, para ser feliz.

5. MISSIO – missão
“Amar a Deus quando nos sentimos consolados, quando tudo nos corre bem, é fácil. Mas amá-lo na aridez do espírito, quando somos envolvidos pela escuridão, isto sim que é amor verdadeiro!” José Allamano


Disponível semanalmente em http://www.consolata.org.br/

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