Missionário da Consolata na Colômbia e no Equador...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os grandes cismas no cristianismo e as correntes cristãs ao longo dos 20 séculos

Por: Júlio Caldeira, imc

* Este escrito é apenas uma maneira de ajudar na identificação e conhecimento das tradições cristãs e de algumas expressões religiosas. Não visa trazer reflexões morais e/ou valorização de uma denominação em detrimento de outras.

A Igreja Cristã, por dez séculos, era formada por cinco sedes (também chamados Patriarcados): Antioquia, Constantinopla,  Alexandria, Jerusalém e Roma. Todos gozavam de direitos iguais e eram autônomos, sendo que para dirimir questões maiores de fé, convocava-se um Concílio Ecumênico entre elas. O básico da fé cristã está contida no chamado credo apostólico (redigido no Sínodo de Nicéia, em 325 d.C.):

Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na santa Igreja Católica (universal, cristã...); na comunhão dos Santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; e na vida eterna. Amém.


Com a união entre Igreja e Estado, cuja sede era em Roma, o Patriarcado de Roma recebeu o titulo de “Primus inter pares”, por estar situado na capital do Império, assumindo a primazia sobre os outros Patriarcados. Este fato foi gerando, aos poucos, rixas e discussões de poder e doutrina, principalmente no que se refere à primazia do Papa (bispo de Roma), que culminou, infelizmente, nos vários cismas (divisões) durante os séculos, que deram origem às diferentes denominações cristãs que conhecemos nos dias atuais.
Os grandes cismas foram entre os cristãos do Ocidente e do Oriente, em 1054, que deu origem às Igrejas Ortodoxas (Oriente) e Igreja Católica Romana (Ocidente); o outro aconteceu a partir da Igreja do Ocidente, desde o século XVI, dando origem às Igrejas Protestantes ou Históricas, que veremos mais adiante. Os últimos cismas estão acontecendo nas igrejas ocidentais, desde o século XIX, que está dando origem às igrejas pentecostais e neo-pentecostais.

1.      IGREJAS ORTODOXAS:
Também chamadas Igreja Católica Apostólica Ortodoxa ou Igreja Ortodoxa Oriental, subdividem-se em vários patriarcados, que gozam autoridade e status próprio. A maioria está localizada no leste europeu, nos países eslavos e no Oriente Médio (Ásia).
Os principais patriarcados são:

a)     Patriarcado de Constantinopla
b)     Patriarcado de Alexandria
c)     Patriarcado de Antioquia
d)     Patriarcado de Jerusalém
e)     Patriarcado de Moscou
f)       Patriarcado da Geórgia
g)     Patriarcado da Sérvia
h)     Patriarcado da Roménia
i)       Patriarcado da Bulgária

OBS: Uma parte destas igrejas ortodoxas, aos poucos, uniu-se à Igreja Católica Romana e formam as chamadas Igrejas Católicas de Rito Oriental, sob a autoridade do Papa.

2.     IGREJA CATÓLICA:
Também chamada Igreja Católica Apostólica Romana, tem sua sede no Vaticano (Roma), sob a primazia e autoridade do papa, sucessor direto do apóstolo Pedro. É a maior Igreja cristã em número de fiéis, com mais de 1,1 bilhões de fiéis. Após séculos sob o regime de cristandade, aconteceu uma grande reforma, abertura e diálogo a partir do Concílio do Vaticano II (1962-1965), principalmente para o diálogo com os demais cristãos, religiões e com o mundo moderno.

3.     IGREJAS PROTESTANTES ou HISTÓRICAS:
Durante a história geral estudamos esta parte no que chamamos “Reforma Protestante e Contra-Reforma Católica”. Surgiram do protesto contra as estruturas hierárquicas da Igreja Católica, enfatizando a autoridade e livre interpretação da Bíblia, e rejeitando a autoridade do papa como representante de Cristo na Terra. As principais correntes são:
Igreja
Data
Fundador
Onde
Luterana
1518
Martinho Lutero
Alemanha
Anglicana
1534
rei Henrique VIII
Inglaterra
Presbiteriana
1560
John Knox
Escócia
Metodista
1727
John Wesley
Inglaterra
Batista
1738
John Smyth
Holanda
Episcopal
1789
(Igreja Anglicana)
EUA

Diálogo ecumênico: na busca de um diálogo e reaproximação surgiu nestes níveis cristãos citados acima (Ortodoxos, Católicos e Protestantes) o que chamamos movimento ecumênico. Ecumenismo, provém do grego oikoumene (casa comum, mundo habitado – derivado de oikós [casa, lugar onde se vive] e oikía [ato de construir a casa]), refere-se à busca de unidade entre as igrejas cristãs (Jesus Cristo), a partir do desígnio dele: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17,21).
O diálogo ecumênico, também chamado ecumenismo, iniciou-se em torno das guerras entre cristãos na Europa do século XVI a XIX (na esperança de buscar a paz) e nos entre os movimentos missionários protestantes (que foram observando o escândalo que as disputas entre cristãos causavam nas pessoas a evangelizar). Após iniciativas e discussões, surgiu em 1910, em Edimburgo, a Conferência Missionária Mundial (entre os protestantes), que abriu caminhos para a construção de uma teologia e a unidade no trabalho missionário[1]. Em 1948, em Amsterdã, surge o Conselho Mundial das Igrejas, que contou com a participação de mais de 140 igrejas cristãs “Naquela ocasião, os que se reuniram em busca da unidade tomaram consciência de que ela não seria possível a menos que se apresentassem com clareza e honestidade as razões que separam os povos, as comunidades e as igrejas”[2].
A nível católico, o diálogo ecumênico iniciou-se, oficialmente, com o Concílio Vaticano II, que no decreto Unitatis redintegratio (sobre o ecumenismo) fala da necessidade de “promover a restauração da unidade entre todos os cristãos (que) é um dos principais propósitos do sagrado Concílio Ecumênico Vaticano II” (UR 1), e reconhece os esforços do movimento ecumênico iniciado pelos protestantes (que chama de “irmãos separados”). Fundamentado nas palavras de Jesus expressa em Jo 17,21: “Que eles sejam um como nós somos um. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste”, é importante observar que este como é tradução do grego kathos, que exprime “fonte da nossa própria identidade”.
Segundo um folheto informativo da Casa da Reconciliação, de São Paulo, o ecumenismo que queremos é: a) diálogo que reconhece e respeita a diversidade; b) valorização de tudo que já une as Igrejas; c) trabalho conjunto na construção de um mundo melhor; d) criação de laços de afeto fraterno entre Igrejas; e) oração em comum a partir da mesma fé; f) busca sincera de caminhos para curar as feridas da separação; g) valorização leal de tudo de bom que as diferentes denominações cristãs realizam.
4.      IGREJAS PENTECOSTAIS:
São chamados “pentecostais” pela idéia que tem de viver a realidade de um novo Pentecostes, pela efusão do Espírito Santo e pelas curas milagrosas pela força da fé, baseados numa experiência religiosa de êxtase e emoções fortes. Este movimento nasceu, principalmente, a partir das igrejas batista, metodista e presbiteriana dos EUA, no final do séc. XIX e início do séc. XX.
No Brasil, as igrejas pentecostais desenvolveram-se em “três ondas”:
a)      entre 1910-1950: pentecostalismo de migração (vindo, principalmente, dos EUA: congregacionais, presbiterianos, batistas...): Congregação Cristã (1910 – São Paulo: imigrantes italianos) e Assembléia de Deus (1911 – Belém/PA), que cresceram com as migrações, operários e fenômeno urbano.

b)      déc. 1950-60: pentecostalismo fragmentado (fragmentação na metrópole: êxodo rural): época de cura e milagres aos que tentam se adaptar à metrópole (carentes, sofredores, empobrecidos) – ideal do “reavivamento”: Igreja do Evangelho Quadrangular (1951), O Brasil para Cristo (1955), Deus é Amor (1962).

c)      final dos anos 70 até hoje: o neo-pentecostalismo (aproveitando a onde do marketing e dos meios de comunicação): prática da cura, exorcismo, teologia da prosperidade, soluções imediatas às massas ameaçadas – Igreja Universal do Reino de Deus (1977), Internacional da Graça (1980), Renascer em Cristo (1986), Internacional do Poder de Deus... e tantas outras que surgem a cada dia... (segundo dados, atualmente existem mais de 10 mil denominações cristãs)

5.      OUTRAS IGREJAS “CRISTÃS”:
Algumas igrejas surgiram dentro do cristianismo, mas, no entanto, não se consideram cristãos. Estes movimentos surgiram diante da confusão e do descontrole religioso dos EUA.
a)      Mórmons (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos dias – 1830): fundada por Joseph Smith, a partir de algumas visões, do qual escreveu o Livro dos Mórmons.
b)      Adventistas do sétimo dia (1830): fundada por Willians Miller, a partir da profecia da volta iminente de Jesus Cristo para purificar o mundo.
c)      Testemunhas de Jeová (1878): fundada por Charles Russell. Adoram somente a Jeová e seguem os ensinamentos de Jesus.

6.      GRUPOS RELIGIOSOS (que tem influência cristã, mas não são cristãs):
a)      A) Espiritismo (1850): fundado por Allan Kardec, reuniu as idéias em sete livros, ditados, segundo ele, pelos espíritos. Sua idéia principal é que os espíritos do outro mundo se comunicam com os vivos. Para eles Jesus não é o Deus Salvador, mas um grande “médium”. Toda ação, boa ou má, receberá a relativa retribuição, por isso as obras de caridade são incentivadas e praticadas assiduamente. Há etapas específicas para o progresso espiritual.
b)      Religiões Afro-americanas: a partir das raízes das religiões africanas trazidas pelos escravos, e do sincretismo destas com elementos católicos, das religiões indígenas e, mais tarde, com o espiritismo, surgiram (entre as principais correntes):
- Candomblé: originária das tradições africanas do tempo da escravidão, expandiu após o fim da escravatura, em 1888, com a valorização dos orixás, rituais e festas próprias. Não deve ser confundido com a umbanda.
- Umbanda: formada dentro da cultura religiosa brasileira, a partir do sincretismo entre catolicismo, espiritismo e religiões afro.
c)      Legião da Boa Vontade: fundada em 1950 por Alziro Zarur, no Rio de Janeiro, a partir de uma inspiração espírita. Dedica-se à assistência social junto às classes mais carentes e a congregação entre pessoas de boa vontade.

7.      OUTRAS EXPRESSÕES RELIGIOSAS (não são cristãs):
a)      Budismo
b)      Islamismo (muçulmanos)
c)      Hinduísmo
d)      Judaísmo
e)      Confucionismo
f)       Religiões tradicionais Africanas, Americanas (indígenas) e da Oceania (aborígenes)


[1] Desta Conferência, surgiu a iniciativa da “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”, celebrada anualmente. Aqui no Brasil celebra-se na semana entre a Ascensão e Pentecostes.
[2] SANTA ANA, Julio H.. Ecumenismo e Libertação. Petrópolis: Vozes, 1987, p.239.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O frio de dentro...

Seis homens ficaram presos numa caverna gelada por causa de uma avalanche de neve. O socorro só viria ao amanhecer.
Cada um deles trazia um pouco de lenha, mas, quando a equipe de resgate chegou a fogueira estava apagada e eles, mortos, congelados, cada qual abraçado ao seu feixe de lenha.

Os soldados não entenderam o que se passou naquela caverna, mas, se eles pudessem voltar no tempo e ler o pensamento daquelas pessoas, talvez ficassem mais uma vez surpresos com a raça humana:

O preconceituoso pensava: Jamais darei minha lenha para aquecer essa gente esquisita!

O rico avarento pensava: Vou ser o último a queimar minha lenha. Quem sabe, até posso vendê-la para esses otários. Vai valer uma boa grana. É a lei da oferta e procura.

O forte pensava: Não vou dar a minha lenha para aquecer esses fracotes. Eles que façam ginástica até o amanhecer, se quiserem se manter aquecidos.

O fraco pensava: É bem provável que eu precise desta lenha para me defender. O sabe-tudo pensava: Esta nevasca vai durar vários dias. Vou guardar minha lenha por enquanto.

O alienado: ... (não pensava nada, especificamente).

Por fim, um dos soldados desabafou: - Acho que não foi o frio de fora que os matou; acho que foi o frio de dentro. O frio do coração. O frio da alma.

"Não deixe que o frio deste mundo mate você. Abra o seu coração e seja o primeiro a ceder a seu feixe de lenha, para manter a fogueira acesa".

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Lectio Divina do texto de Lucas 19,1-10 - 31º Domingo do Tempo Comum

Por: Patrick Silva, imc

Jesus tinha entrado em Jericó e estava passando pela cidade. Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos publicanos e muito rico. Ele procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era baixinho. Então ele correu à frente e subiu numa árvore para ver Jesus, que devia passar por ali. Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”. Ele desceu depressa, e o recebeu com alegria. Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: “Foi hospedar-se na casa de um pecador!” Zaqueu pôs-se de pé, e disse ao Senhor: “Senhor, a metade dos meus bens darei aos pobres, e se prejudiquei alguém, vou devolver quatro vezes mais”. Jesus lhe disse: “Hoje aconteceu a salvação para esta casa, porque também este é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”. (Lucas 19,1-10)

1. LECTIO – Leitura
A viagem de Jesus com os seus continua o seu curso normal, desta feita chega na cidade de Jericó, uma cidade às margens do mar Morto, não muito distante de Jerusalém. Jericó era a última etapa dos peregrinos que se dirigiam a Jerusalém para as grandes celebrações religiosas. Comercialmente era uma cidade promissora, cidade de grandes e bons negócios. Novamente, teremos um publicano como personagem principal. Trata-se de Zaqueu, o chefe dos publicanos. Considerado pela religião oficial, um pecador público, um explorador dos pobres, alguém que colaborar com o inimigo, entenda-se os Romanos.

Zaqueu, publicano, cobrador de impostos, pecador… Era uma pessoa sem hipóteses de perdão, excluído do convívio com os justos. Considerado amaldiçoado por Deus e desprezado pelos justos. O texto afirma ser de baixa estatura, que provavelmente terá um duplo significado, aliado ao seu ser baixo de estatura, pode ser também referência à sua insignificância, do ponto de vista moral. É exatamente este homem procurava “ver” Jesus. Seria apenas curiosidade? Ou algo mais? Não sabemos, porém o esforço mostrado por Zaqueu para ver Jesus que passava, deixa entender, que era muito mais que curiosidade. Certamente nunca lhe passou pela cabeça que Jesus pudesse demonstrar algum interesse numa pessoa como ele. Perante esta situação, fica no ar a pergunta: como é que Jesus vai responder a esta iniciativa? Na verdade, é Jesus que toma a iniciativa para o encontro. Zaqueu tomou a iniciativa de subir na árvore para o poder ver, mas é Jesus quem olha, para e chama. Jesus se convida para ir na casa de Zaqueu. O murmúrio da multidão que acompanhava Jesus deve ter subido de tom, como é possível que Jesus tenha escolhido se hospedar na casa de tal pessoa. Como é que a multidão que rodeia Jesus reage a isto? Manifestando, naturalmente, a sua desaprovação às atitudes incompreensíveis de Jesus (“ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: “Foi hospedar-se na casa de um pecador!”). É a atitude de quem se considera “justo” e despreza os outros, de quem está instalado nas suas certezas, de quem está convencido de que a lógica de Deus é uma lógica de castigo, de marginalização, de exclusão. No entanto, Jesus demonstra-lhes que a lógica de Deus é diferente desta lógica e que a oferta de salvação que Deus faz não exclui nem marginaliza ninguém.

Tudo acontece com uma nota importante: a pressa! ““Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”, mas Zaque não faz por menos e responde do mesmo jeito: “Ele desceu depressa”.

Como é que tudo termina? Termina com um banquete (onde está Zaqueu, o chefe dos publicanos) que simboliza o “banquete do Reino”. Ao aceitar sentar-Se à mesa com Zaqueu, Jesus mostra que os pecadores têm lugar no “banquete do Reino”; diz-lhes, também, que Deus os ama, que aceita sentar-Se à mesa com eles. Deus não exclui nem marginaliza nenhum dos seus – mesmo os pecadores – mas a todos oferece a salvação.

E como é que Zaqueu reage a essa oferta de salvação que Deus lhe faz? Acolhendo o dom de Deus, convertendo-se ao amor, tudo isso com o tom da alegria. Mas o encontro leva à mudança, aquilo que chamaríamos de conversão: a repartição dos bens pelos pobres e a restituição de tudo o que foi roubado em quádruplo, vai muito além daquilo que a lei judaica exigia (veja Ex 22,3.6; Lev 5,21-24; Nm 5,6-7) e é sinal da transformação do coração de Zaqueu…

2. MEDITATIO – meditação
O episódio de Zaqueu revela um Deus que ama todos sem exceção e que não exclui do seu amor mesmo os pecadores, ao contrário, é por esses que Deus manifesta uma especial carinho. Além disso, o amor de Deus não é condicional: Ele ama, apesar do pecado; e é precisamente esse amor nunca desmentido que, uma vez experimentado, provoca a conversão e o regresso do filho pecador. É esta Boa Nova de um Deus “com coração” que somos convidados a anunciar, com palavras e gestos.

Em nossas comunidade muitas vezes as atitudes que temos em relação aos pecadores não está em consonância com a lógica de Deus… Muitas vezes, em nome de Deus, se marginaliza e exclui, se assumem atitudes de censura, de crítica, de acusação que, longe de provocar a conversão do pecador, o afastam mais e o levam a radicalizar as suas atitudes de provocação. No entanto, só o amor gera amor. Como é que acolhemos aqueles que estão “longe” de Deus? Será que os levamos até Deus ou os afastamos mais ainda?

Testemunhar o Deus que ama e que acolhe todos não significa, contudo, aceitar o pecado e o que está errado. O pecado gera ódio, egoísmo, injustiça, opressão, mentira, sofrimento; é mau e deve ser combatido e vencido. No entanto, é importante distinguir entre pecador e pecado: Deus convida-nos a amar todos, mesmo os pecadores, no entanto, devemos combater o pecado que que impede de celebrar o amor de Deus.

3. ORATIO – oração
Procure subir a um local alto e aí faça a sua oração, deixe que Jesus a/o possa ver e chamar para o encontro que quer mudar radicalmente a sua vida. Não fuja desse encontro.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Experimente a alegria de um Deus que acolhe todos, mesmo que nossas opções nos coloquem em caminhos distantes de Deus, porém Deus sempre oferece a possibilidade de reconciliação.

5. MISSIO – missão
“O amor ao próximo deve estimular-nos a trabalhar pela salvação de todos. Por isso, não sejamos apáticos e indiferentes, mas sedentos de almas, como Jesus. Deus quer que todos se salvem e pede a nossa colaboração.” José Allamano

Disponível semanalmente em http://www.consolata.org.br/
 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

DA MISSÃO AD GENTES À EVANGELIZAÇÃO INTER GENTES

Por: Júlio Caldeira, imc*

1. ÁREA: Missiologia

2. TEMA: DA MISSÃO AD GENTES À EVANGELIZAÇÃO INTER GENTES: Nova época e metodologia missionária a partir do Concílio Vaticano II

3. OBJETIVO: Investigar os caminhos teológicos e pastorais abertos pelo Concílio Vaticano II quanto à missão ad gentes e os novos paradigmas da evangelização inter gentes.

4. RESUMO EM ESQUEMAS:
a) JESUS E AS PRIMEIRAS COMUNIDADES 
·         Jesus = enviado do Pai que envia seus discípulos: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho...” (Mc 16,15)
·         Primeiras comunidades: testemunho, comunhão e missão; principalmente nos centros urbanos (gentios) = ad gentes.
·         Missionário/a: os que seguiam Jesus eram discípulos/as e “enviados”.

 b) IDADE MÉDIA 
·         Séc. VI-VII: Evangelização dos bárbaros nos pagos (gentios do interior tidos como ignorantes); conversão em massa; instrução na fé cristã..
·          Missionário: Responsabilidade da Igreja Institucionalizada: monges-missionários, bispos, padres.
·          Posteriormente (séc. XI-XIV): cruzadas, Ásia (para conter o islamismo)

 c) MODERNIDADE 
·         Séc. XV: origem da missão ad gentes como missão ad extra: levar o Evangelho e as estruturas da Igreja (“sociedade perfeita”):
- da Europa Cristã para outros continentes;
- junto ao projeto colonizador dos padroados
(a cruz e a espada caminham juntos)
  •  Séc. XIX: Restauração e renascimento missionário: separação da Igreja e do Estado:
 - surgimento dos institutos missionários “ad gentes” (especialistas na missão) e de associações missionárias.
  • Objetivos: converter, trazer para dentro, batizar para salvar as almas, plantatio ecclesiae”; chegar primeiro que os protestantes.
  • Missionário/a: sacerdotes e religiosos/as.
 d) CONCÍLIO VATICANO II (1962-1965)
·         Aggiornamento, diálogo e abertura; 
·         “A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária” (AG 2).  
·         A Igreja é Povo de Deus = vocações e ministérios.

e) MISSÃO HOJE
·         “crise” e “afrouxamento” quanto à missão ad gentes (como era);
·         Evangelização Inter Gentes
- Entre povos e continentes, igrejas locais e Igreja Universal;
- Testemunho, respeito das diferenças e inculturação (convivência intercultural)
  - Evangelização: ato profundamente eclesial, não é um ato individual e isolado de pessoas e grupos;
 - Missio Dei
·         Novos desafios: diálogo interreligioso, ecumenismo, centros urbanos, minorias étnicas, pobres, mundo digital, ecologia etc.
·         Missionário/a: todos os batizados!

5. BIBLIOGRAFIA BÁSICA
·         BOSCH, David. Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia da missão. 2ª ed. São Leopoldo: Sinodal, 2007.
·         LABONTÉ, G. e ANDRADE, J. (orgs). Caminhos para a Missão: fazendo missiologia contextual. Brasília: abcBSB, 2008.
·         SUESS, Paulo. Introdução à teologia da missão: convocar e enviar: servos e testemunhas do Reino. Petrópolis: Vozes, 2007.
·         VÁSQUEZ. Marina Aguilar. La misión inter gentes. Quito: CAM3/COMLA8, 2008.


Este trabalho visa analisar as mudanças ocorridas a partir do Vaticano II e os novos paradigmas na atualidade quanto à missão ad gentes como evangelização inter gentes.

Isto será desenvolvido a partir de três núcleos de pesquisa:

1) No primeiro capítulo faremos uma pequena definição do termo ad gentes e um breve percurso histórico que favoreça a uma maior compreensão das práticas missionárias católica durante estes vinte séculos (antes do Concílio Vaticano II), destacando alguns aspectos significativos das quatro fases: nos primeiros séculos (séc. I-IV), entre os bárbaros (séc.V-XV), no Novo Mundo (séc.XVI-XVIII) e na Restauração (séc.XIX-XX), bem como os processos que foram desencadeando no Concílio Vaticano II (1962-1965).

2) No segundo capítulo, intitulado “caminhos abertos pelo Vaticano II”, ressalta os documentos que levaram a uma renovação do conceito de missão, com destaque os do Concílio Vaticano II (no qual fazemos uma leitura intertextual, com destaque para a Lumen Gentium, Gaudium et Spes e Ad Gentes), a Evangelii Nuntiandi (de Paulo VI, 1975), a Redemptoris Missio (de João Paulo II, 1990), os Documentos das Conferência do Episcopado Latino Americano e do Caribe – CELAM (com uma leitura intertextual), o atual conceito missio inter gentes (nascido da Federação das Conferências Episcopais da Ásia – FABC) e os alguns pressupostos levantados pelo missiólogo Paulo Suess.

3) Por fim, no terceiro e último capítulo, elencamos alguns pontos para pensar o ministério atual da missão ad gentes, com base em novos paradigmas que surgem, no qual destacamos o princípio de que todos os batizados são missionários e os novos areópagos da missão: mundo digital, centros urbanos e os “sem religião”, e o diálogo ecumênico e inter-religioso (dentro da perspectiva do pluralismo religioso). Concluiremos fazendo uma pequena consideração sobre a necessidade de “refundarmos” a figura do missionário em seus aspectos humano, cristão e missionário, a partir dos novos desafios que fomos discutindo.
 
* OBS: Este trabalho acadêmico é resultado de minha pesquisa para o TCC e foi apresentado no Fórum Teológico promovido pela CESTEP (18/05/2010) e no XIII Congresso Metodista de Iniciação e Produção Científica da UNIVERSIDADE METODISTA (26/10/2010).

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

9º Dia da Novena Missionária (esquema e vídeo)

Missão e Partilha de Pessoas:
Clero, Religiosos/as e Missionários/as Leigos

Preparação do ambiente, acolhida e abertura, (clique aqui).
Se possível, colocar em destaque a Bíblia, livro de orações, rosário ou sandálias.

Coordenador: Além da cooperação espiritual e da cooperação material, uma das formas privilegiadas de cooperação missionária é a cooperação pessoal, isto é, o envio de pessoas para a Missão. A Igreja precisa de homens e mulheres, sacerdotes, religiosos/as e leigos/as que se disponham a deixar o conforto de suas casas e culturas, para irem ao encontro daqueles que ainda pouco ou nada conhecem a respeito de Jesus Cristo. São os missionários e missionárias propriamente ditos.

Leitor 1: Durante 500 anos o Brasil se acostumou a receber missionários e missionárias vindos de fora. Pessoas generosas, que foram capazes de deixar tudo, para se tornar sinal da presença de Deus entre nós, trabalhando nas mais diversas situações de evangelização. Porém, já “chegou a hora de darmos de nossa pobreza” (Puebla 368).

Leitor 2: Hoje existem menos de dois mil brasileiros em Missão noutros países do mundo, 81% dos quais são Irmãs. Às vezes ocorre que um rapaz ou moça queira se consagrar a Deus como missionário/a, e encontram oposição até da família e da comunidade de origem. Deveria ser o contrário.

Leitor 3: Os pais deveriam sentir-se privilegiados por terem um(a) filho/a escolhido por Deus para ser seu “cartão de visita” entre aqueles que ainda não O conhecem. A vocação à consagração, em especial para a consagração à Missão, é um dom riquíssimo de Deus, que não pode ser desprezado nem boicotado.

Leitor 4: Outro problema que precisa ser enfrentado é o da melhor distribuição (partilha) do clero. A maioria de nossos padres no Brasil está nas regiões mais ricas (Sul e Sudeste), sobretudo no litoral. Muitas paróquias têm apenas sua matriz, com várias missas, enquanto que no Norte e Nordeste do país, sobretudo na Região Amazônica, os padres têm de se desdobrar para atender dezenas de comunidades, com uma única missa anual.

Leitor 1: É urgente sensibilizar o coração de bispos, padres e fiéis de nossas comunidades para que “emprestem”, ainda que por tempo limitado, como dom de fé (“fidei donum”) sacerdotes para as regiões carentes. O mesmo se diga das nações mais ricas, que ainda têm grande concentração de clero, em prejuízo de países inteiros (sobretudo na África e Ásia) onde há grande escassez.

Leitor 2: Igualmente, é necessário trabalharmos e rezarmos, para que surjam muitas vocações missionárias leigas: médicos/as, enfermeiros/as, professores/as, etc., que se disponham a entrar nos países nos quais é proibido o ingresso de padres e irmãs.

Leitor 4: Também devemos aprender a partilhar nossos melhores leigos com as pessoas de tais lugares, que, por falta deles, ainda não sabem que temos em Cristo Jesus um nome salvador. Para a Missão, temos de enviar nossos melhores agentes. Não temos o direito de retê-los egoisticamente só para nós.

Fato da vida
Pode-se, neste momento, assistir ao vídeo 9 do DVD.

Um Apelo para a Amazônia e para o Mundo
Na região amazônica brasileira, muitos bispos, padres, religiosos e leigos vivem como verdadeiros heróis, acompanhando dezenas, às vezes centenas, de comunidades ribeirinhas, comendo e dormindo em barco, enfrentando os desafios diários de rios e doenças. Pessoas abnegadas, que tiveram a coragem de aceitar o chamado de Deus, e servem a comunidades muito pobres, renunciando muitas vezes ao conforto de seus lugares de origem, a plano de saúde... Os próprios bispos da região muitas vezes pedem esmolas, para conseguir um curso de atualização para seus padres e agentes de pastoral. O Papa Paulo VI já pedia aos bispos que despertassem as consciências dos fiéis, a fim de garantir o mínimo necessário, para que padres e agentes de pastoral pudessem sobreviver nos imensos campos da Missão.
D. Antonio Possamai, Bispo emérito de Ji-Paraná, RO, é otimista, quando fala de comunidades que têm três ou quatro missas por ano, pois há outras que nunca tiveram missa nenhuma. Diz ele: “Carências de recursos humanos e econômicos: estes são os dois maiores desafios a serem vencidos pela evangelização na Amazônia. Há lugares em que a maioria dos seringueiros não sabe o que é missa. Eles têm e sabem o que é o batismo, mas não a missa. (...) Em Ji-Paraná, onde fui bispo, havia paróquias com 150 a 170 Comunidades Eclesiais de Base que tinham três a quatro missas por ano.”
D. Possamai falou aos padres reunidos em Itaici (Indaiatuba, SP), no 13º Encontro Nacional de Presbíteros, em fevereiro de 2010.

Canto ou refrão de aclamação
Palavra de Deus: At 13,1-3.
Partilha:
- Se vocês viram o vídeo, o que mais lhe chamou a atenção. Por quê?
- De qual ponto do testemunho visto você mais gostou? Por quê?
- Por que, quando um sacerdote ou irmã estão realizando um bom serviço em nossa comunidade e precisa ser transferido para “ir também a outras cidades e aldeias”, muita gente reage tão negativamente? É certo querermos o melhor só para nós? Por quê?

Canto: Eis-Me aqui, Senhor (ou outro).
Preces:
Coordenador: Elevemos a Deus nossos pedidos, por nós mesmos e pelas necessidades missionárias do mundo todo. No final de cada prece, diremos:
Senhor, enviai mais missionários para tua Igreja!
1. Para que nossas dioceses se solidarizem com a difícil situação das Igrejas na Amazônia e se disponham a partilhar até mesmo de sua pobreza em solidariedade com essa região de nosso país, rezemos ao Senhor.
2. Para que aprendamos a partilhar o melhor de nossos recursos com a causa da evangelização do Brasil e do mundo, rezemos ao Senhor.
3. Para que em nosso país surjam muitas vocações sacerdotais, religiosas e leigas para a Missão universal, rezemos ao Senhor.
Preces espontâneas.

Coordenador: Rezemos uma dezena do rosário pela Europa e Oceania, para que sejam continentes mais missionários, e a Europa retorne seu coração para Cristo.
Pai-Nosso, dez Ave-Marias, Glória-ao-Pai.

Voltar ao Esquema para Todos os Dias, a partir da Oração Missionária 2010, até o final.

DIA MUNDIAL DAS MISSÔES
A Coleta do Dia Mundial das Missões (23 e 24 de outubro), feita em todas as comunidades e instituições católicas, deve ser integralmente enviada para a Missão universal.
A ninguém é lícito dar destinação particular a este fundo, por mais importante que julgue o fim.

O CARTAZ DA CAMPANHA MISSIONÁRIA 2010
A Campanha Missionária, promovida e coordenada pelas Pontifícias Obras Missionárias, propõe para este ano de 2010 o tema Missão e Partilha, e, como lema, Ouvi o Clamor do Meu Povo (cf. Ex 3,7b).
O tema Missão e Partilha remete à Campanha da Fraternidade deste ano, a qual todo ano buscamos resgatar, com enfoque e dimensão missionária. O lema Ouvi o Clamor do Meu Povo remete ao Êxodo do povo de Israel, e aos muitos “êxodos” dos povos atuais. Também nos remete ao tema da migração, mobilidade humana, do ser peregrinos, lembrando-nos permanentemente que o horizonte da Missão é o mundo, a humanidade no seu todo.
O cartaz traz um fundo verde, sinal de esperança. A Missão alimenta, fortalece nossa fé, esperança e caridade, mantêm-nos no caminho da fidelidade a Deus e à humanidade, Povo de Deus (LG 2).
A água remete ao valor e à dignidade da vida como elemento vital para o planeta, onde vive a humanidade. Aqui, especificamente, remete-nos à realidade amazônica, com sua rica biodiversidade. Lembramos que a última semana do outubro, dedicada à Amazônia, vem inserida no contexto do Mês das Missões.
O barco remete à figura bíblica da Igreja peregrina, que “navega” pelos mares da história da humanidade. Nela se destaca a figura de Jesus Cristo. É Ele quem dá segurança: “Não tenham medo... Avancem para águas mais profundas!” (cf. Lc 5,4). Ao mesmo tempo, aponta para o horizonte amplo e universal da Missão, que é o mundo, a humanidade. A Missão não tem fronteiras!
Destaca-se ainda a figura dos índios, etnias vivas e presentes na realidade amazônica, do
Brasil e de outros países. Povos que nos acolheram, abrindo-se à Boa-Nova do
Evangelho, e que precisam ser respeitados e valorizados como portadores de valores evangélicos já presentes, quais “sementes do Verbo Encarnado” que estabeleceu morada definitiva entre os seres humanos, mas que desde sempre havia marcado Sua presença em toda parte, e que, portanto, chegara lá muito antes que o missionário.
Contudo, este poderá, sim, ajudar no processo de explicitação da Verdade e Pessoa de Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador, já atuante, portanto, e presente na história salvífica da humanidade. (http://www.pom.org.br/)

OBS: todo o material da campanha missionária (estes e outros) estão disponíveis no site das POM: