Missionário da Consolata na Colômbia e no Equador...

quinta-feira, 18 de março de 2010

''Teologia pós-Google'': a religião na era Web

De: Mitchell Landsberg, Los Angeles Times

Como muitos norte-americanos, Doug Pagitt cresceu fora do mundo da religião organizada. Nem seus pais ou seus avós eram praticantes, e não havia expectativa de que ele seria diferente. Hoje, com seu cavanhaque, seu piercing de orelha e suas roupas na moda, ele poderia se passar facilmente por uma espécie de alternativo da Geração X que vive uma vida inteiramente secular.

Mas, aos 17 anos, Pagitt viu uma encenação da Paixão que o tocou como um raio e ele acabou se tornando um pastor cristão. Sua igreja em Minneapolis, Solomon's Porch, está marcando terreno em um novo movimento que poderia ser chamado de Igreja 2.0.

A reportagem é de Mitchell Landsberg, publicada no jornal Los Angeles Times, 15-03-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Esse foi, de fato, um dos termos usados na semana passada durante uma conferência de três dias sobre o futuro do cristianismo norte-americano na Claremont School of Theology. Pagitt estava entre os 150 ministros, leigos e acadêmicos que se reuniram para discutir a "Teologia depois do Google".

O consenso: há um mundo totalmente novo lá fora. Ignorá-lo é um risco para as Igrejas.

"Eu acho que coisas como a denominação e a ordenação fazem parte do velho sistema de controle e dominação que deve acabar", disse Pagitt, hoje com 42 anos, descansando depois do primeiro dia de conferência no Bar Teológico montado para os participantes. Ao seu redor, a cerveja fluía, e a conversa saltava do Twitter ao evangelismo, para a formação das Igrejas, até o "corn toss", um jogo com saquinhos de areia popular no Meio Oeste norte-americano e em Appalachia, que está conquistando adeptos entre os teólogos de Claremont.

A premissa da conferência foi apresentada mais cedo, durante a tarde, por Philip Clayton, professor de Claremont, que falou sobre o papel da imprensa de Gutenberg no século XV. Ao tornar a Bíblia disponível de forma mais ampla, afirmou, a religião foi democratizada, e isso levou diretamente à Reforma Protestante.

"Senhoras e senhores", disse Clayton, "hoje estamos falando sobre uma transição tão grande quanto aquela".

A escola de Claremont foi fundada pela Igreja Metodista Unida e funciona como seminário para os metodistas e para três outras denominações protestantes. Teológica e culturalmente, os participantes da conferência se inclinavam para ponta liberal do espectro. Um tema que surgiu foi se a direita cristã tem sido inteligente no uso das novas mídias e se as Igrejas progressistas precisam alcançá-la.

Mas, mais do que falar sobre como usar novas mídias e ferramentas de redes sociais, a conferência foi sobre como esses dispositivos refletem uma nova forma cultural de pensar que está mudando a maneira que as pessoas rezam. Clayton citou um recente relatório do Pew Forum on Religion and Public Life que descobriu que as pessoas na casa dos 20 anos hoje tem menos probabilidade de se afiliar a uma Igreja do que qualquer geração anterior.

Jon Irvine, um web designer de 30 anos que trabalha com o movimento da "Igreja emergente", disse que a Igreja do futuro deverá ser menos hierárquica e mais espontânea e ecumênica. Usando a fórmula familiar para acompanhar as mudanças de software, ele disse: "A Igreja 1.0 sempre teve a ver com um grande conselho de grande cérebros que se reuniam e lhe diziam: 'Fomos para uma sala e decretamos que você tem que acreditar'. A Igreja 2.0 é mais de baixo para cima. Cada homem é capaz de aprender e oferecer feedback. A Igreja 1.0 tem a ver só com credos e doutrinas, enquanto a Igreja 2.0 é uma espécie de wiki-teologia".

Nesse novo mundo, disse ele, "você pode ser um agente livre. Você pode começar a sua própria Igreja, ir a uma pequena comunidade de fé do outro lado da rua, ir a uma mega-Igreja. Você pode ser metodista hoje, anglicano amanhã - a escolha é sua".

Isso pode parecer heresia para alguns, para quem a doutrina é imutável. Mas se encaixa perfeitamente no espírito da conferência, onde nada, a não ser o troféu do campeonato de "corn toss", foi feito com alguma coisa sólida.

Clayton, o organizador, disse que o que estava acontecendo na conferência e em movimentos cristãos emergentes lembrava-lhe o Free Speech Movement da década de 60. "É algo cru, de improviso, mas não é apologético, sabe o seu propósito e ele é poderoso", afirmou.

A conferência começou com um anúncio incomum do co-moderador Tony Jones, um teólogo residente da Igreja de Pagitt, em Minneapolis, e autor de "The New Christians: Dispatches From the Emergent Frontier" [Os novos cristãos: mensagens da fronteira emergente].

"Não queremos que vocês coloquem os seus celulares no silencioso", disse ele ao público. "Queremos que vocês estejam conectados a tudo o que está acontecendo no mundo".

Pelo menos metade do público trabalhou multiplamente em laptops, iPhones e BlackBerrys enquanto ouvia os oradores. E muitos postavam comentários no Twitter, que eram constantemente atualizados em um telão atrás do palco. Além dos participantes em Claremont, os organizadores disseram que cerca de 1.300 pessoas assistiram a transmissão ao vivo da conferência pela Internet em todo o mundo.

Há, claro, inconvenientes para toda revolução. Quando Jones pediu que o público gritasse ou tuitasse quaisquer objeções que tivessem com relação ao uso de redes sociais como o Facebook, alguém gritou: "Eu não me importo com aquilo que você comeu no café-da-manhã". E Roger Burns-Watson, que está começando uma igreja nos arredores de Columbus, Ohio, se perguntava se haveria espaço para Deus em um mundo de interação online 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Conseguirá uma pequena e calma voz romper o ruído digital? "Deus pode não lhe enviar uma mensagem de texto hoje", disse Burns-Watson aos participantes. "E você será paciente com um Deus que não se movimenta em uma velocidade digital?".

Fonte: IHU-OnLine

em: http://www.revistamissoes.org.br/artigos/ler/id/835

Inauguração da sala “José Allamano” na EDT (Escola Dominicana de Teologia)

No passado dia 26 de fevereiro, a direção da EDT (Escola Dominicana de Teologia), localizada em São Paulo, quis homenagear os missionários da Consolata (IMC) e os Missionários Oblatos de Maria Imaculada (OMI), com a inauguração da sala “José Allamano” e da sala “Eugênio de Mazenod”, fundadores das respectivas congregações, pela grande colaboração que seus filhos estão dando na reestruturação e desenvolvimento da faculdade de teologia.

“A Escola Dominicana de Teologia (EDT) foi fundada em São Paulo, em 1943, no bairro das Perdizes. Funcionou até 1970, quando foi fechada por várias circunstâncias, especialmente por causa da repressão militar que prendeu vários dominicanos. A EDT reiniciou suas atividades em 1993, tanto para a formação dos frades dominicanos, mas também a leigos e leigas, religiosos e religiosas de diversas ordens e congregações. O reconhecimento pela Santa Sé se deu em 3 de fevereiro de 2000, por meio do decreto n.º 1602/99 da Congregação para a Educação Católica, tornando a EDT afiliada à Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino (Angelicum) de Roma. Em Fevereiro de 2008 a EDT obteve credenciamento do Ministério da Educação - MEC (DOU, 13/ 02/ 2008) e, Em 29/ 02/ 2008, foi publicada a Portaria 144, de 28/ 02/ 08, autorizando o funcionamento do Curso de Bacharelado em Teologia” (www.edt.edu.br).

O Pe. Luiz Emer, representando o IMC, disse ser um belo sinal termos uma sala de estudo da faculdade “batizada” com o nome do Bv. José Allamano neste ano em que além de celebrarmos o Centenário das Missionárias da Consolata, temos o fundador como protetor especial do Instituto neste ano. Além disso, recordou a grande importância que o Bv José Allamano dava à aquisição da ciência e do saber, afirmando que um missionário ou missionária sem ciência e estudo é como uma lâmpada apagada.

Queremos pedir que o Bv. José Allamano continue iluminando os seus filhos e filhas para que possam se preparar para “anunciar a glória de Deus às nações”.

Escrito por Júlio Caldeira, imc

Lectio Divina: Lição de Misericórdia - 5º Domingo da Quaresma - Jo 8,1-11

Por: Patrick Silva, imc - in: http://www.imconsolata.org.br/

Jesus foi para o Monte das Oliveiras. De madrugada, voltou ao templo, e todo o povo se reuniu ao redor dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. Os escribas e os fariseus trouxeram uma mulher apanhada em adultério. Colocando-a no meio, disseram a Jesus:
“Mestre, esta mulher foi flagrada cometendo adultério. Moisés, na Lei, nos mandou apedrejar tais mulheres. E tu, que dizes?” Eles perguntavam isso para experimentá-lo e ter motivo para acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever no chão, com o dedo.
Como insistissem em perguntar, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, atire a primeira pedra!” Inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. Ouvindo isso, foram saindo um por um, a começar pelos mais velhos. Jesus ficou sozinho com a mulher que estava no meio, em pé. Ele levantou-se e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” Ela respondeu: “Ninguém, Senhor!” Jesus, então, lhe disse: “Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais”. (João 8,1-11)

1. LECTIO – leitura
Esta semana voltamos a ler mais um exemplo do perdão e da misericórdia de Jesus. Uma mulher é apanhada em adultério é apresentada a Jesus. Somente a mulher é apresentada, estaria só! Os fariseus, conhecendo o sentimento de compaixão que Jesus nutria pelos pecadores, aproveitam a oportunidade para tentar prendê-lo. É fácil de imaginar a cena: Jesus está ensinando no templo, o lugar mais sagrado para os judeus que Jesus descreveu como "casa de meu Pai". Uma multidão de pessoas reunidas ao seu redor para escutá-lo. Um grupo de fariseus e doutores da Lei chega com uma mulher e a colocam perante Jesus. Eles afirmam que ela foi apanhada em adultério e que a punição exigida pela Lei de Moisés é a morte por apedrejamento (veja Levítico 20,10 e Deuteronômio 22, 22-24). Então vem a pergunta nada inocente: "E tu, que dizes?" Eles pretendem acusar a mulher, mas, seu principal objetivo é encontrar uma oportunidade para acusar Jesus. O homem com quem ela estava cometendo adultério não é mencionado! A atmosfera deve ter sido eletrizante. Era literalmente uma questão de vida ou morte. Olhos de todos passam da mulher, que está em “perigo de vida”, para se fixarem em Jesus. Qual será a sua resposta? Então Jesus se abaixa e começa a escrever no chão. O que é que ele terá escrito? Por quê reagiu daquele modo? Talvez Jesus desejasse desviar a atenção da pobre mulher, a qual deveria estar apavorada. Talvez ele estivesse pensando que resposta iria dar. O evangelista João não oferece nenhuma explicação.
Finalmente chega a resposta de Jesus. É uma resposta magistral. Ele está bem ciente da armadilha. Ele silencia os acusadores sem contrariar a lei e sem branquear o pecado ou desculpabilizar o comportamento da mulher. Convidando os acusadores a tomarem consciência de que o pecado é uma conseqüência dos nossos limites e fragilidades e que Deus entende isso. A mulher fica só diante de Jesus. Quando os escribas e fariseus se retiram, Jesus nem sequer pergunta à mulher se ela está ou não arrependida: convida-a, apenas, a seguir um caminho novo, de liberdade e de paz (“vai e não tornes a pecar”). A lógica de Deus não é uma lógica de morte, mas uma lógica de vida; a proposta que Deus faz através de Jesus não passa pela eliminação dos que erram, mas por um convite à vida nova, à conversão, à transformação, à libertação de tudo o que oprime e escraviza; e destruir ou matar em nome de Deus ou em nome de uma qualquer moral é uma ofensa inqualificável a esse Deus da vida e do amor, que apenas quer a realização plena da pessoa.
O episódio sublinha a intransigência e a hipocrisia da humanidade, sempre disposta a julgar e a condenar... os outros. Jesus denuncia a lógica daqueles que se sentem perfeitos e auto-suficientes, sem reconhecerem que estamos todos a caminho e que, enquanto caminhamos, somos imperfeitos e limitados. É necessário reconhecer, com humildade e simplicidade, que necessitamos todos da ajuda do amor e da misericórdia de Deus para chegar à vida plena. A única atitude que faz sentido, neste esquema, é assumir para com os todos a tolerância e a misericórdia que Deus tem para com todos nós.

2. MEDITATIO – meditação
+ Compare a forma como os fariseus trataram esta mulher e a maneira de Jesus tratar. Quais as diferenças?
+ Imagine-se em primeiro lugar como um dos fariseus, em seguida, como esta mulher assustada. Que impacto você acha que esse encontro teria sobre você?
+ O que podemos aprender com esta passagem sobre as nossas atitudes para o nosso próprio comportamento e nossas atitudes para com os outros?

3. ORATIO – oração
Agradeça a Deus por sua graça e misericórdia. Ele conhece nossas fraquezas e limites, porém, está sempre disposto a perdoar.
Ore com o Salmo 126 e dê graças pelas maravilhas que o Senhor tem feito por nós!
Peça ao Espírito Santo para revelar as atitudes em você que devem ser mudadas.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Considere as imagens da água presentes em Isaías 43 e Salmo 126. Deixe Deus revelar-se como fonte purificadora da vida. Contemple as maravilhas que Deus tem realizado por si, mesmo que às vezes se sinta não merecedor.

5. MISSIO - missão
Num mundo sempre pronto a apontar o dedo acusador contra os mais fragilizados, a/o missionária/o é convidado a demonstrar toda a sua compaixão em favor dos “rejeitados”, na certeza da misericórdia de Deus. “Nós devemos ser humildes por necessidade de nossa frágil natureza”. José Allamano


sexta-feira, 12 de março de 2010

Lectio Divina: Perdidos e Achados - 4º Domingo da Quaresma - Lucas 15,1-3;11-32

Por: Patrick Silva, imc

Todos os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus e os escribas, porém, murmuravam contra ele. “Este homem acolhe os pecadores e come com eles”. Então ele contou-lhes esta parábola... E Jesus continuou. “Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. Quando tinha esbanjado tudo o que possuía, chegou uma grande fome àquela região, e ele começou a passar necessidade. Então, foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu sítio cuidar dos porcos. Ele queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. Então caiu em si e disse: “Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. Vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e foi tomado de compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e o cobriu de beijos. O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. Colocai-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei um novilho gordo e matai-o, para comermos e festejarmos. Pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. Ele respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque recuperou seu filho são e salvo’. Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistiu com ele. Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. Mas quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com as prostitutas, matas para ele o novilho gordo’. Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado”. (Lucas 15,1-3;11-32)

1. LECTIO – leitura
Esta parábola é um dos melhores exemplos conhecidos de amor e misericórdia de Deus, mostrando que o amor de Jesus pelos pecadores está enraizado no amor do Deus Pai. O ponto de partida é a murmuração dos fariseus e dos escribas que, diante da avalanche de publicanos e pecadores que escutam Jesus, comentam o fato de Jesus conviver com os publicanos e pecadores. A parábola narra rapidamente a história de vida do filho mais novo pelo desperdício da herança, a humilhação, o arrependimento e decisão de risco de voltar para casa. O pai congratula-se com a volta de seu filho e o recebe de braços abertos, para comemorar faz também uma grande festa. O clima de festa não é partilhado pelo irmão mais velho, que se ressente do perdão generoso de seu pai.
A parábola apresenta-nos três personagens de referência: o pai, o filho mais novo e o filho mais velho. A personagem central é o pai. Trata-se de uma figura excepcional, que conjuga o respeito pelas decisões e pela liberdade dos filhos, com um amor gratuito e sem limites. Esse amor manifesta-se na emoção com que abraça o filho que volta, mesmo sem saber se esse filho mudou a sua atitude de orgulho e de auto-suficiência. A conseqüência do amor do pai simboliza-se no “anel” que é símbolo da autoridade (veja Gn 41,42; Est 3,10; 8,2) e nas sandálias, que é o calçado da pessoa livre.
O filho mais novo é um filho ingrato e obstinado, que exige do pai mais do que aquilo a que tem direito (a lei judaica previa que o filho mais novo recebesse apenas um terço da fortuna do pai – veja Dt 21,15-17; mas, ainda que a divisão das propriedades pudesse fazer-se em vida do pai, os filhos não acediam à sua posse senão depois da morte deste – veja Sir 33,20-24). É uma imagem de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de total irresponsabilidade. Acaba, no entanto, por entender o vazio, o sem sentido, o desespero dessa vida de egoísmo e de auto-suficiência e por ter a coragem de voltar ao encontro do amor do pai.
Finalmente, o filho mais velho. É o filho “certinho”, que sempre fez o que o pai mandou, que cumpriu todas as regras. No entanto, a sua lógica é a lógica da “justiça” e não a lógica da “misericórdia”. É a imagem desses fariseus e escribas que interpelaram Jesus: porque cumpriam à risca as exigências da Lei, desprezavam os pecadores e achavam que essa devia ser também a lógica de Deus.
Podemos concluir que o Evangelho apresenta-nos o Deus/Pai que ama de forma gratuita, com um amor fiel e eterno, apesar das escolhas erradas e da irresponsabilidade do filho rebelde. Esse amor paciente, esta sempre à espera, sem condições, para acolher e abraçar a/o filha/o que decide voltar. É um amor entendido na linha da misericórdia e não na linha da justiça da humanidade.

2. MEDITATIO – meditação
+ Faça uma lista dos diferentes desafios para os dois filhos.
+ Com qual filho você mais se identifica? O que esta passagem tem a dizer para você?
+ O que podemos aprender com as ações do pai?

3. ORATIO – oração
Em oração, leia 2 Coríntios 5:17-21. Peça ao Espírito Santo que o ensine o que deve pedir em sua oração.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Contemple o grande amor misericordioso e paciente deste Deus/Pai. Experimente essa misericórdia de Deus na sua vida.

5. MISSIO - missão
A/o missionária/o é chamada/o a levar esta imensa misericórdia a toda a humanidade, ninguém está excluído deste projeto de amor do Deus/Pai. “Vamos, coragem! Um pouco de amor arruma tudo. Não desanimemos jamais, recomecemos sempre: Nunc coepi! (agora começo). José Allamano

OBS: disponível todas as quartas-feiras no site: www.imconsolata.org.br

quarta-feira, 3 de março de 2010

Lectio Divina: Arrepender-se para Acreditar - 3º Domingo da Quaresma - Lc 13,1-9

por Pe. Patrick Silva, imc, em www.imconsolata.org.br

Nesse momento, chegaram algumas pessoas trazendo a Jesus notícias a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando o sangue deles com o dos sacrifícios que ofereciam. Ele lhes respondeu: “Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo”. E Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi lá procurar figos e não encontrou. Então disse ao agricultor: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Para que está ocupando inutilmente a terra?’ Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa-a ainda este ano. Vou cavar em volta e pôr adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então a cortarás”. Lucas 13,1-9

1. LECTIO – leitura
Neste evangelho, Jesus usa dois eventos da sua atualidade para ensinar lições importantes. Os dois eventos são bastante diferentes um do outro; um da esfera política, o outro, um desastre. Ambos os casos, muitas pessoas morreram. No primeiro evento, Pilatos tinha assassinado alguns galileus enquanto estes estavam oferecendo os seus sacrifícios a Deus. Suas vidas foram subitamente dizimadas ao mesmo tempo em que realizavam seus atos religiosos, ainda por cima, num lugar sagrado como era o templo. Nós não sabemos o motivo que levou Pilatos a tal atitude. No entanto, as pessoas pensaram que esses galileus deveriam ter realizado algo de muito ruim para serem mortos daquela forma. Muitos especulavam que Deus não tinha “gostado” dos seus sacrifícios e assim permitiu que este sacrilégio acontecesse. Então Jesus considera um segundo evento, desta vez um desastre, quando uma torre desabou matando dezoito pessoas.
Jesus deixa claro que em ambos os casos as pessoas que morreram não eram piores do que os seus ouvintes ou qualquer outra pessoa. Ele insiste na necessidade do arrependimento dos pecados, da mudança de vida, caso contrário, serão julgados e punidos por Deus.
Jesus desenvolve seu ensino, contando uma parábola sobre uma figueira que não dá frutos. A árvore não produziu qualquer figo por três anos e está em perigo de ser derrubada. O jardineiro pede mais um ano para que ele possa dar uma atenção especial aquela figueira, para a ajudar a produzir frutos. Mas se a árvore continuar estéril após todo o cuidado, então será removida. O Antigo Testamento tinha utilizado a imagem da figueira como símbolo de Israel (veja Oseias 9,10), até mesmo como símbolo da falta de resposta à aliança (veja Jeremias 8,13). Deus espera que Israel (a figueira) dê frutos, isto é, aceite converter-se à proposta de salvação que lhe é feita em Jesus; dá-lhe, até, algum tempo (oportunidade), para que essa transformação aconteça. Deus revela, assim, a sua bondade e a sua paciência; no entanto, não está disposto a esperar indefinidamente. Apesar do tom ameaçador, é de notar uma nota de esperança: Jesus confia em que a resposta final de Israel à sua missão seja positiva.
Jesus adverte os seus ouvintes a não serem como a figueira, estéreis. Quem acolhe Jesus e o seu ensinamento deve produzir frutos dessa mudança de vida. A conclusão é a necessidade do arrependimento e do voltar para Deus. Convite lançado desde o primeiro dia da Quaresma, quando o profeta Joel afirmava: “Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração” (Joel 12,2).
O Evangelho contém um convite a uma transformação radical da existência, a uma mudança de mentalidade, a um “re-centrar” a vida de forma que Deus e os seus valores passem a ser a nossa prioridade fundamental. Se isso não acontecer, diz Jesus, a nossa vida será cada vez mais controlada pelo egoísmo que leva à morte.

2. MEDITATIO – meditação
+ O que esta passagem tem a dizer sobre a nossa “mania” de pensar que somos melhores do que outros?
+ Você vê alguma relação entre Jesus e o jardineiro que implorou para que a possibilidade de cuidar da figueira e salvá-la de ser cortada?
+ O que você acha que os figos podem representar nesta parábola?
+ Considere o que a parábola afirma sobre o caráter de Deus - a sua paciência, misericórdia e santidade. Já experimentou isso em sua vida?

3. ORATIO – oração
Use o Salmo 103 para um momento de comunhão e oração com Deus. Lembre-se de seu amor, misericórdia e bondade. Agradeça a Deus pela oferta constante do perdão dos nossos pecados. Pergunte a Deus como sua vida poderia ser mais proveitosa.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
A morte de Jesus na cruz abriu uma porta na presença de Deus (Hebreus 4:14-16). Agora podemos chegar diante do trono de Deus a qualquer momento. Sente-se ou ajoelhe-se na presença de Deus e contemple a santidade deste Deus misericordioso.

5. MISSIO - missão
Enviados por Jesus pelo mundo, a/os missionária/os são instrumentos nas mãos de Deus para dar a conhecer à humanidade este amor misericordioso e paciente deste Deus, que convida a todos a esta mudança de vida, no entanto, a primeira mudança deve acontecer na/o missionária/o. “No tempo da quaresma, que é o tempo oportuno, devemos corresponder, devemos animar-nos, e não engrossar a fila dos que vão para a frente assim, assim...


Retiro de Quaresma para Jovens - 2010

A cada ano somos convidados a entrar na caminhada quaresmal, que nos recorda os 40 dias de Jesus no deserto suportando a prova que o diabo lhe preparou. Durante esse tempo Jesus mostrou as suas opções, as suas escolhas fundamentais.
No final da prova o diabo o deixou, mas apenas até ao momento oportuno. Para bem enfrentar as tentações e fazer as boas opções ao estilo de Jesus nada melhor que reforçar as forças espirituais para o "embate". O retiro quaresmal foi essa oportunidade para os participantes deste momento de oração e partilha. Éramos 20 jovens que se encontraram no Castelinho (Centro Missionário José Allamano - SP) para durante um fim de semana experimentar este tempo de deserto e montanha. Um convite a deixar o que está a mais em nossa vida e ir até ao deserto. Assim partilhamos o que entendemos por quaresma, o que nos é pedido na quaresma. Experimentamos a presença de Deus nos vários momentos de oração, na exposição do Santíssimo, na Via Sacra, na Celebração Penitencial. O clima foi de oração, partilha e família. Foi bom ver um bom grupo de jovens comprometido com a sua fé. A conclusão do retiro foi com a celebração Eucarística, onde mostramos toda a nossa criatividade e vontade de viver e celebrar bem a nossa fé. Foi um bom retiro, com gente boa e cheia de vontade de depois de ter subido à montanha, agora foi para a planície anunciar quem tem um Deus que vale a pena acreditar. Até breve...
Veja as FOTOS deste evento:
Veja também o VIDEO

publicado em: http://www.imconsolata.org.br/

terça-feira, 2 de março de 2010

O combustível da solidariedade




de Domingos Zamagna (*)


O ano de 2010 marca o centenário da formação em medicina do Dr. Albert Schweitzer (1875-1965), Prêmio Nobel da Paz em 1952.

A figura luminosa desse grande homem, sobretudo quando estamos sob o efeito dos relatos e das imagens impactantes de Angra dos Reis, Baixada fluminense, São Luiz do Paraitinga, enchentes em São Paulo e noutras cidades e, mais que tudo, da catástrofe do Haiti, nos faz pensar na importância de uma cultura da solidariedade. Alguns estudiosos escolheram o vocábulo “solidariedade” como o mais adequado para se traduzir o que o Novo Testamento chama de “agápe”.

Gostaria de começar citando dois exemplos que acompanhei de perto.

Tive uma aluna que faz parte da Ong Médicos sem Fronteiras. Há vários anos ela foi designada para dar assistência a terremotados do Irã. Ela sugeriu que um dos poucos prédios que não foram destruídos na região em que atuava – a mesquita – fosse transformada em enfermaria de emergência. Por ser uma mulher estrangeira (francesa) sugerindo um absurdo desses, execrada pelos clérigos, foi obrigada a se afastar da área, processada, e só não foi condenada porque o governo da França lhe deu proteção eficaz, abrigando-a num navio de guerra no Golfo pérsico, possibilitando seu retorno a São Paulo. Por duas vezes ela precisou interromper o curso no Brasil e comparecer diante de juízes em Teerã para responder por seu “crime”. Certamente também no Irã há muitas pessoas tolerantes, mas sabemos que elas vivem quase escondidas sob o regime dos aiatolás. A intolerância de parte da clericatura islâmica predomina sobre toda a nação.

Em 2004, por ocasião do tsunami na Ásia, a Ong mandou a mesma médica para o leste do Sri Lanka, trabalhando numa região bem pobre que, além de atingida pelas gigantescas ondas do maremoto, era também conflituosa do ponto de vista político. Tardando o apoio logístico do governo cingalês, os guerrilheiros separatistas Tigres Tâmeis lhe obtiveram instrumentos para realizar cirurgias e acesso à internet. Enviou relatos pungentes que alguns jornais publicaram durante semanas. Os monges budistas foram espontaneamente os primeiros a oferecer seus pagodes para serem transformados em enfermarias. Suas túnicas, devidamente esterilizadas na fervura a lenha, serviram de campos cirúrgicos, possibilitando a salvação de muita gente. Sem maniqueísmos, outra cultura claramente produz outras práticas.

Na semana passada, chego em casa de noite e encontro um envelope vindo de Gana. Correspondência de outra ex-aluna, religiosa, missionária na costa atlântica da África. Onde ela foi trabalhar? Numa cidadezinha em que o Dr. Schweitzer construiu um hospital. Durante a graduação, falei várias vezes para os alunos da notável figura deste humanista que sempre me impressionou. Médico, cientista famoso; músico, exímio organeiro e organista, um dos maiores intérpretes de Bach; escritor, refinado filósofo; pastor luterano, competente teólogo e exegeta; educador, foi o inventor de uma linguagem adequada para se dirigir aos africanos das colônias francesas que se debatiam na dura vida das selvas. Este eminente alsaciano (a Alsácia de então pertencia ao Império alemão) deixou o conforto da Universidade de Strasbourg para trabalhar com os hansenianos na África.

Nem sempre a bondade é recompensada. Com o início da I Grande Guerra a família Schweitzer foi levada para a França como prisioneiros, passando anos confinados em campos de concentração. Nessa época Schweitzer escreve sobre a decadência das civilizações. De fato, até hoje não se descobriu uma vacina contra a decadência. Mas talvez o solidarismo seja o antídoto mais eficiente contra essa moléstia que afeta todas as latitudes e longitudes do planeta. Com o fim da guerra, ante um mundo que se desmoronava, não perdeu a esperança: “Começaremos novamente. Devemos dirigir o nosso olhar para a humanidade”.

A fama não lhe subiu à cabeça, não o afastou de seus valores. O trabalho do Dr. Schweitzer com os mais excluídos dentre os doentes, num modesto hospital na cidadezinha de Lambarené lhe valeu, com justeza, o Prêmio Nobel da Paz.

Todos nós sabemos que a destruição de Porto Príncipe é mesmo dolorosa. Mas ao mesmo tempo as nações, contagiando-se umas às outras pelo solidarismo, redescobrem que sob nosso olhar existe um povo empobrecido pelo colonialismo, pela violência política de uma dinastia familiar, pelo esquecimento histórico.

Esperemos que os fatos, por mais tristes que sejam, nos ensinem a sabedoria de nos afastar tanto do individualismo quanto do coletivismo, para que o Haiti e outras populações vítimas das catástrofes naturais e sociais possam se construir sobre a rocha sólida do trabalho disciplinado, da prevenção eficaz, da preparação de um futuro de prosperidade, da conscientização pela educação, mas também pelo mais robusto liame que pode unir os seres humanos, a solidariedade.
(*) Jornalista e professor de Filosofia e Teologia.

escrito em: http://www.dcomercio.com.br/Materia.aspx?id=38391&canal=14

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Escolhido por Deus - 2º Quaresma - Lucas 9,28-36

Por Patrick Silva, imc - em http://www.imconsolata.org.br/

Uns oito dias depois destas palavras, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para orar. Enquanto orava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou branca e brilhante. Dois homens conversavam com ele: eram Moisés e Elias. Apareceram revestidos de glória e conversavam sobre a saída deste mundo que Jesus iria consumar em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam com muito sono. Quando acordaram, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele. E enquanto esses homens iam se afastando, Pedro disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Nem sabia o que estava dizendo. Estava ainda falando, quando desceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Ao entrarem na nuvem, os discípulos ficaram cheios de temor. E da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho, o Eleito. Escutai-o!” Enquanto a voz ressoava, Jesus ficou sozinho. Os discípulos ficaram calados e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto. (Lucas 9,28-36)

1. LECTIO – leitura
Jesus escolhe apenas três dos seus discípulos - Pedro, João e Tiago - para escalar a montanha com ele para um tempo de oração. A “montanha” situa-nos num contexto de revelação (é “na montanha” que Deus Se revela e que faz aliança com o seu Povo); a “mudança” do rosto e as vestes de brancura resplandecente recordam o resplendor de Moisés, ao descer do Sinai (cf. Ex 34,29); a nuvem indica a presença de Deus conduzindo o seu Povo através do deserto (cf. Ex 40,35; Nm 9,18.22;10,34), notamos assim quantas referências ao Antigo Testamento o episódio nos oferece.
Não sabemos quanto tempo Jesus orou, mas sabemos que os discípulos adormeceram! O “sono” é simbólico: os discípulos “dormem” porque não querem entender que a “glória” do Messias tenha de passar pela experiência da cruz e da entrega da vida. No entanto, os discípulos acordam a tempo de testemunhar o final de um encontro memorável. De tal maneira ficaram espantados que sentiram o desejo de construir três tendas. A construção das “tendas” (alusão à “festa das tendas”, em que se celebrava o tempo do êxodo, quando o Povo de Deus habitou em “tendas”) parece significar que os discípulos queriam deter-se nesse momento de revelação gloriosa, de festa, ignorando o destino de sofrimento de Jesus.
O aparecimento de Moisés e Elias é significativo. Moisés conduziu o êxodo do povo de Deus da escravidão no Egito e muitos judeus esperavam que o profeta Elias retornasse antes da vinda do Messias. Eles falam com Jesus sobre como ele irá em breve cumprir o propósito de Deus através da sua morte (ou “êxodo”) em Jerusalém. O plano de Deus para a salvação da humanidade, que traz a libertação verdadeira e duradoura, está sendo realizado em Jesus.
Esta experiência terá dado forças a Jesus para os dias difíceis que tinha à sua frente, que culminariam com sua morte na cruz. Interessante notar, que o evangelista Lucas não faz nenhum comentário sobre este assunto. O que está claro é que Deus está presente, como indicado pela nuvem que “esconde” sua glória. Como no batismo de Jesus, Deus fala. Ele afirma Jesus como seu Filho, a quem ele escolheu. E desta vez, Deus acrescenta a instrução para os discípulos a "escutai-o".
Este evento, juntamente com os outros milagres e ensinamentos que o cercam, deu a oportunidade aos discípulos de vislumbrarem quem, de verdade, era Jesus. Mas eles continuam precisando de continuar na “escola” de Jesus. Na verdade, eles precisavam se encontrar com Jesus depois da ressurreição para realmente compreender plenamente quem ele era e qual a sua missão na Terra.
O projeto libertador de Deus realizado em Jesus não acontece através de esquemas de poder e prepotência, mas através da entrega da vida e do amor que se oferece até à morte. É esse o caminho que nos conduz, a nós discípulos e discípulas, à transfiguração em nova humanidade.

2. MEDITATIO – meditação
+ Imagine que você foi um dos discípulos que testemunharam o evento. Como você teria vivido aquele momento? O que você aprendeu?
+ Para quê Jesus foi escolhido? De que modo a sua morte em Jerusalém realiza o propósito de Deus?
+ De que maneira podemos "escutá-lo", como Deus disse aos discípulos para fazer?
+ Qual é a sua experiência de oração?

3. ORATIO – oração
Reze com as palavras do salmo: "O Senhor é a minha luz e a minha salvação". Agradeça a Deus pelo modo como orienta a sua vida e lhe oferece a salvação. Peça ao Espírito Santo para iluminar, para transformar a sua vida. Peça a Deus para ajudá-lo a testemunhar mais Jesus aos outros.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Contemple a glória do corpo transfigurado de Jesus. Paulo recorda-nos uma grande promessa: "Ele vai mudar nossos corpos mortais fracos e torná-los como seu próprio corpo glorioso ..." (Filipenses 3,21).

5. MISSIO - missão
Os discípulos, testemunhas da transfiguração, parecem também não ter muita vontade de “descer à planície” para enfrentar o mundo e os problemas da humanidade. Depois da experimentar a “montanha”, o missionário precisar ter a coragem de ir para a “planície” onde terá a ocasião para testemunhar e anunciar Jesus.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ultrapassando a tentação - 1º Quaresma - Lucas 4,1-13

Por Patrick Silva, imc - em http://www.imconsolata.org.br/

"Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do rio Jordão e, no Espírito, era conduzido pelo deserto. Ali foi posto à prova pelo diabo, durante quarenta dias. Naqueles dias, ele não comeu nada e, no final, teve fome.
O diabo, então, disse-lhe: “Se és o Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão”. Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não se vive somente de pão’”. O diabo o levou para o alto; mostrou-lhe, num relance, todos os reinos da terra, e lhe disse: “Eu te darei todo este poder e a riqueza destes reinos, pois a mim é que foram dados, e eu os posso dar a quem eu quiser. Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu”. Jesus respondeu-lhe: “Está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto’”. Depois, o diabo levou Jesus a Jerusalém e, colocando-o no ponto mais alto do templo, disse-lhe: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito para que te guardem’, e ainda: ‘Eles te carregarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. Jesus, porém, respondeu: “Também foi dito: ‘Não porás à prova o Senhor, teu Deus’”. Terminadas todas as tentações, o diabo afastou-se dele até o tempo oportuno". (Lucas 4,1-13)

1. LECTIO – leitura
Jesus no início de sua missão divina é conduzido pelo Espírito Santo para o deserto. Aí fica durante quarenta dias jejuando o tempo todo. Quarenta é um número importante como um tempo de preparação no Antigo Testamento. Recorda o jejum de quarenta dias de Moisés no Monte Sinai (Êxodo 34,28) e os quarenta anos que os israelitas passaram no deserto antes de entrar na Terra Prometida (Deuteronômio 8,2-3, 29,5-6).
Nós só ouvimos sobre três tentações, mas é claro que essa não foi a única vez que Jesus foi tentado: o diabo deixou-o "até ao tempo oportuno" (versículo 13).
O Diabo tenta Jesus a usar seu poder sobrenatural para atender suas próprias necessidades físicas. Jesus rejeita esta má utilização do seu poder. Ele se identifica com a humanidade. Precisamos de algo mais para além do alimento físico. A implicação é clara, precisamos também do "alimento espiritual" de Deus.
O Diabo então se oferece para entregar o poder sobre as nações se Jesus o adorar. Jesus veio realmente para salvar a humanidade do controle do diabo, mas não desta forma. Por fim, o diabo tenta Jesus para provar a sua natureza divina, atirando-se do alto do templo, pois Deus enviará seus anjos para resgatá-lo.
Essas três tentações ilustram o núcleo de todas as tentações: o desejo de colocar Deus de lado, de considerá-lo secundário, de contar apenas com as próprias forças e de construir o mundo sem Deus.
Jesus não se deixa enganar pela astúcia do diabo, mesmo quando ele utiliza a própria Escritura para tentá-lo. Jesus rejeita toda a tentação com a Escritura, citando sucessivamente de Deuteronômio 8,3, 6,13 e 6,16. A interpretação autêntica de uma parte da Escritura deve ser coerente com o todo da Escritura.
A essência de toda tentação é a de apresentar uma alternativa atraente e fácil contraposta ao caminho exigente de Deus.
Lucas neste evangelho apresenta-nos uma catequese sobre as opções de Jesus. Mostra que Jesus recusou radicalmente um caminho de materialismo, de poder, de êxito fácil, já que o plano de Deus não passava pelo egoísmo, mas pela partilha; não passava pelo autoritarismo, mas pelo serviço; não passava por manifestações espectaculares que impressionam as massas, mas por uma proposta de vida plena, apresentada com simplicidade e amor.
No início da Quaresma, a Palavra de Deus apela a repensar as nossas opções de vida e a tomar consciência dessas “tentações” que nos impedem de renascer para a vida nova de Deus.

2, MEDITATIO – meditação
+ O que ajudou Jesus rejeitar as tentações? Que lições podemos aprender para nos ajudar a superar as tentações que enfrentamos? Que "alimento espiritual" nos ajudará a ficar perto de Deus?
+ Jesus foi decidido em fazer as coisas à maneira de Deus. Ele evitou ser enganado em realizar uma proposta mais fácil e atraente. Como podemos tentar seguir o seu exemplo?
+ Dentro de cada pessoa, existe o impulso de dominar, de ter autoridade, de prevalecer sobre os outros. Por isso – às vezes na Igreja – os pobres, os débeis, os humildes têm de suportar atitudes de prepotência, de autoritarismo, de intolerância, de abuso. A catequese de hoje sugere que este “caminho” é diabólico e não tem nada a ver com o serviço simples e humilde que Jesus propôs nas suas palavras e nos seus gestos. Que atitudes de prepotência, autoritarismo e intolerância existem na sua comunidade?
+ Leia Hebreus 4,15: “De fato, não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, sem todavia pecar.” Que incentivo nos oferece?

3. ORATIO – oração
A oração do Senhor (Mateus 6,9-13) lembra-nos a orar sobre a tentação. Ao longo da semana peça a Deus para o livrar da tentação. Use as palavras do Salmo 91 para sua inspiração.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Contemple na sua mente este episódio de Jesus no deserto sendo tentando, aprenda do mestre para vencer a tentação.

5. MISSIO - missão
São muitas as tentações que se oferecem hoje aos missionários. A tentação do conformismo, do comodismo, do “não adianta".

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

16 de Fevereiro - Festa do Bv. José Allamano

Hoje a Igreja celebra a festa do beato (Bem-Aventurado) José Allamano, presbítero, fundador do Instituto Missionário da Consolata, falecido em 1926

“Por ocasião da minha morte não quero que se altere em nada a vida da comunidade; peço apenas que se façam turnos de adoração ao Santíssimo Sacramento, para que quando o meu corpo for para a terra, a minha alma vá para o céu”, deixou escrito o beato (bem-aventurado) José Allamano. Esta terça-feira da sexta semana do tempo comum é muito especial para a família Missionária da Consolata pois celebra a festa do beato (bem-aventurado) José Allamano.

O fundador do Instituto Missionário da Consolata nasceu a 21 de Janeiro de 1851, e foi ordenado sacerdote em 1873. Sete anos mais tarde, José Allamano foi nomeado reitor do santuário de Nossa Senhora da Consolata, em Turim, Itália, lugar que ocupou até ao dia da sua morte, a 16 de Fevereiro de 1926. É daí que lhe vem o nome de Missionários da Consolata: um Instituto de raiz profundamente mariana. Foi beatificado no dia 7 de Outubro de 1990 , em Roma, pelo Papa João Paulo II.

Lucília Oliveira
Fonte: Fátima Missionária

Veja também o vídeo: 10 Mandamentos de José Allamano

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Retiro de Quaresma

Levantar, correr, trabalhar, estudar, deitar, levantar, correr… o dia-a-dia passou a ser uma enorme corrida. A vida de hoje é um correr sem parar, não admira que nos sentimos tão cansados. Dificilmente encontramos tempo para PARAR. Assim, queremos oferecer a oportunidade de PARAR, de pensar, de rezar e aproximar-se deste DEUS, que nos chama à felicidade. Então, convidamos você a participar do RETIRO DE QUARESMA.

Um retiro de jovens para jovens que vivem e partilham a mesma fé em Jesus Cristo.

QUANDO: O RETIRO DE QUARESMA será nos dias 26 (chegada após as 18h00) e a conclusão no dia 28 (após o almoço).

ONDE: CASTELINHO. Endereço: Rua Itá, 381 – Pedra Branca - São Paulo/SP

O QUE É NECESSÁRIO: Algumas coisas básicas.

+ Bíblia e Terço

+ Colaboração de R$ 20

+ Materiais de Higiene Pessoal

+ Vontade de rezar e partilhar a fé

INSCRIÇÕES:

+ telefone: 2232 2383

+ email: info@imconsolata.org.br



Lectio Divina do texto de Lucas 6,17.20-26 - Lógica de Jesus

Por Patrick Silva - palavra.imconsolata.org.br

"Jesus desceu com eles da montanha e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e uma grande multidão de gente de toda a Judéia e de Jerusalém, e do litoral de Tiro e Sidônia. Jesus levantou o olhar para os seus discípulos e disse-lhes: “Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus! Felizes vós que agora passais fome, porque sereis saciados! Felizes vós que agora estais chorando, porque haveis de rir!

Felizes sereis quando os homens vos odiarem, expulsarem, insultarem e amaldiçoarem o vosso nome por causa do Filho do Homem. Alegrai-vos, nesse dia, e exultai, porque será grande a vossa recompensa no céu, pois era assim que os seus antepassados tratavam os profetas. Mas, ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação! Ai de vós que agora estais fartos, porque passareis fome! Ai de vós que agora estais rindo, porque ficareis de luto e chorareis! Ai de vós quando todos falarem bem de vós, pois era assim que seus antepassados tratavam os falsos profetas". (Lucas 6,17.20-26)

1. LECTIO – leitura

Os evangelhos de Mateus e Lucas fazem registro desta “lição” de Jesus. Existem, no entanto, algumas diferenças entre os dois. Enquanto Mateus apresenta o ensinamento de Jesus sobre a "felicidade verdadeira" em nove declarações “Bem-aventuranças” (veja Mateus 5:3-12), Lucas usa a técnica do contraste para colocar em evidência as afirmações de Jesus e reduz o seu número das nove a quatro.

Vejamos agora o coração do ensinamento de Jesus. O Mestre ensina que as quatro situações de pobreza, fome, choro e rejeição por causa dele se tornam fontes de bênção. Jesus dá uma perspectiva completamente nova sobre a vida e oferece esperança e conforto a todos os que vivem nessas circunstâncias. Nossa natureza humana é para tentar evitar essas coisas, mas Jesus adverte que é seu oposto - a riqueza, a gula, a vanglória e uma "boa reputação" - que podem ser nossa ruína.

As bem-aventuranças manifestam o que Jesus já havia dito no início da sua atividade na sinagoga de Nazaré: Ele é enviado pelo Pai ao mundo, com a missão de libertar os oprimidos. Aos pequenos, aos privados de direitos e de dignidade, aos simples e humildes, Jesus diz que Deus os ama de uma forma especial e que quer oferecer-lhes a vida e a liberdade plenas. Por isso eles são “bem-aventurados”.
As “maldições” aos ricos que preenchem a segunda parte deste texto do Evangelho são o reverso da medalha. Denunciam a lógica dos opressores, dos instalados, dos poderosos, dos que pisam os outros, dos que têm o coração cheio de orgulho e de auto-suficiência e não estão disponíveis para acolher a novidade revolucionária do “Reino”. As advertências aos ricos não significam que Deus não tenha para eles a mesma proposta de salvação que apresenta aos pobres e débeis; mas significam que, se eles persistirem numa lógica de egoísmo, de prepotência, de injustiça, de auto-suficiência, não têm lugar nesse “Reino” que Jesus veio propor.

Talvez a verdade está escrita de forma tão clara e evidente que não conseguimos ou não queremos ver. Estes quatro momentos de dificuldade podem trazer-nos em total dependência de Deus, onde nosso foco estará totalmente nele. Enquanto que em tempos de abundância é muito fácil de se ficar contemplando a nós mesmos e a nossas posses como a fonte de nossa felicidade, em vez de agradar a Deus. Jesus propõe uma outra forma e quer que nós entendemos que Deus é a nossa única garantia de felicidade e segurança.

2. MEDITATIO – meditação

+ O que você pensa sobre o ensinamento de Jesus nesta passagem? O que é que o impressiona mais?

+ Recorde o texto de Mateus 6,33 "em primeiro lugar buscai o Reino de Deus e a sua justiça...” Como podemos garantir que, qualquer que seja a nossa situação, nossa prioridade é seja servir a Deus e fazer sua vontade?

+ Jesus mostra uma nova compreensão da existência, bem distinta da que predomina no nosso mundo. A lógica do mundo proclama “felizes” os que têm dinheiro, os que têm poder, os que têm influência; mas a lógica de Deus exalta os pobres, os desfavorecidos, os débeis. Qual a sua lógica?

3. ORATIO – oração

Reze com as palavras do salmo 40 "Felizes são aqueles que confiam no Senhor ..." (Salmos 40,4). Peça ao Espírito Santo para revelar suavemente as áreas de sua vida em que você precisa confiar mais em Deus ou alterar suas prioridades.

Reze pelos dos pobres, os sem esperança para que tenham a certeza da predileção que Deus tem por eles.

4. CONTEMPLATIO – contemplação

Considere o exemplo que temos em Jesus. Ele ouviu seu pai e seguiu seu plano. Pense em algumas das maneiras que Deus demonstrou a sua fidelidade para com as pessoas na Bíblia. Agora pense nos momentos em que Deus tem sido fiel a você pessoalmente.

5. MISSIO - missão

Vivemos neste mundo, mas não somos deste mundo. Um dos perigos que corremos é deixar-se “dominar” pela lógica deste mundo. O missionário é uma apaixonado por aqueles que não contam na lógica deste mundo, mas que são declarados de benditos por Jesus. “ Se há consagrados que devem viver desapegados de tudo e estar imbuídos do espírito de pobreza são exatamente os missionários e missionárias.” Jose Allamano, Discípulos em Missão, p.157.

O primeiro milagre do heliocentrismo

Hélio Schwartsman - Folha de São Paulo, 03/12/2009
Eu, Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidimos abrir uma igreja. Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizemo-lo. Precisamos apenas de R $ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos). É tudo muito simples. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para  criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis.

Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamos aplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros "Is" de bens colocados em nome da igreja.

Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial.


VEJAM MAIS EM
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u660688.shtml



> Alguns curiosos nomes de “igrejas” no Brasil…

> - Igreja da Água Abençoada

> - Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina

> - Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder

> - Congregação Anti-Blasfêmias

> - Igreja Chave do Éden

> - Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta (????)

> - Igreja Batista Incêndio de Bênçãos

> - Igreja Batista Ô Glória!

> - Congregação Passo para o Futuro

> - Igreja Explosão da Fé

> - Igreja Pedra Viva

> - Comunidade do Coração Reciclado

> - Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal

> - Cruzada de Emoções

> - Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)

> - Congregação Plena Paz Amando a Todos

> - Igreja A Fé de Gideão

> - Igreja Aceita a Jesus

> - Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém (do Pará?????)

> - Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo

> - Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)

> - Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo (quem perder vai ficar!!!)

> - Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação

> - Comunidade Arqueiros de Cristo

> - Igreja Automotiva do Fogo Sagrado

> - Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo

> - Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo

> - Igreja Palma da Mão de Cristo

> - Igreja Menina dos Olhos de Deus

> - Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos

> - Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água ( Corinthiano???????)

> - Igreja Batista Ponte para o Céu

> - Igreja Pentecostal do Fogo Azul

> - Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!

> - Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas

> - Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade

> - Igreja Filho do Varão (Opa!!! Se puxar o pai vai se dar bem!!!!)

> - Igreja da Oração Eficiente

> - Igreja da Pomba Branca

> - Igreja Socorista Evangélica

> - Igreja ‘A’ de Amor

> - Cruzada do Poder Pleno e Misterioso

> - Igreja do Amor Maior que Outra Força

> - Igreja Dekanthalabassi

> - Igreja dos Bons Artifícios

> - Igreja Cristo é Show

> - Igreja dos Habitantes de Dabir

> - Igreja ‘Eu Sou a Porta’

> - Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo

> - Igreja da Bênção Mundial

> - Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse

> - Igreja Barco da Salvação

> - Igreja Pentecostal do Pastor Sassá

> - Igreja Sinais e Prodígios

> - Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul

> - Igreja do Manto Branco

> - Igreja Caverna de Adulão

> - Igreja Este Brasil é Adventista

> - Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção) (????????)

> - Igreja Evangélica Florzinha de Jesus

> - Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando

> - Ministério Eis-me Aqui

> - Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia

> - Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará

> - Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos

> - Igreja Evangélica Facho de Luz

> - Igreja Batista Renovada Lugar Forte

> - Igreja Atual dos Últimos Dias

> - Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te

> - Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas

> - Igreja Evangélica Bola de Neve

> - Igreja Evangélica Adão é o Homem

> - Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado

> - Ministério Maravilhas de Deus

> - Igreja Evangélica Fonte de Milagres

> - Comunidade Porta das Ovelhas

> - Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica (Você senta, Jesus levanta????)

> - Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo

> - Igreja Evangélica Luz no Escuro

> - Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim (Só no fim?????)

> - Igreja Pentecostal Planeta Cristo

> - Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos

> - Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta

> - Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés

> - Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão

> - “Igreija” Evangélica Muçulmana Javé é Pai

> - Igreja Abre-te-Sésamo

> - Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus

> - Igreja Bailarinas da Valsa Divina

> - Igreja Batista Floresta Encantada

> - Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder

> - Igreja do Louvre

> - Igreja ETQB, Eu Também Quero a Bênção

> - Igreja Evangélica Batalha dos Deuses

> - Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem Pecados (é o Cristo em pessoa!!)

> - Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior

> - Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida

> - Igreja Pentecostal Marilyn Monroe(???????)

> - Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo

> - Igreja Evangélica Florzinha de Jesus (Londrina – PR)

> - Igreja Pentecostal Trombeta de Deus (Samambaia – DF)

> - Igreja Pentecostal Alarido de Deus (Anápolis – GO)

> - Igreja pentecostal Esconderijo do Altíssimo (Anápolis – GO)

> - Igreja Batista Coluna de Fogo (Belo Horizonte – MG)

> - Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna – MG)

> - Igreja Evangélica Pentecostal a Volta do Grande Rei (Poços de Caldas – MG)

> - Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia (Uberlândia – MG)

> - Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará (Contagem – MG)

> - Igreja Evangélica Pentecostal Sinal da Volta de Cristo (Três Lagoas – MS)

> - Igreja Evangélica Assembléia dos Primogênitos (João Pessoa -PB)

> - Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro – RJ)

> - Assembléia de Deus com Doutrinas e sem Costumes (Rio de Janeiro – RJ)


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Leigo, onde está a tua missão?

Júlio César Caldeira Ferreira, imc, é estudante de teologia na EDT, SP.
(publicado na Revista Missões, nº 01 – JAN/FEV 2010)


“Ide vós também. A convocação não se refere apenas aos pastores, aos padres, aos religiosos ou às religiosas: é para todos. Também os fiéis leigos são pessoalmente chamados por Deus, recebendo d’Ele uma missão, para a Igreja e para o mundo”. (Christifideles laici 2)

Em tempos de contínuas mudanças, intensifica-se a participação dos cristãos leigos e leigas na Igreja, tornando-se indispensável refletir sobre seu papel na ação evangelizadora. A expressão “leigo”, está associada a alguém não qualificado, iletrado, da plebe, que não tem muito conhecimento sobre algo. Por exemplo: “fulano é leigo em história ou em medicina”. Entretanto, na sua origem, a palavra provém do grego laikós, que tem sua raiz em laós (povo), e que desencadeou no termo latino laicus, que significa multidão, massa, povo, referindo-se àquele que não está qualificado para “as coisas de Deus”.

Em 313 d.C., pelo edito de Milão, Constantino decreta liberdade a todos os cultos e em 380, o cristianismo torna-se a religião do Império, com Teodósio. O termo laikós passou a designar os cristãos que ouviam e obedeciam às ordens dos ministros ordenados (clero), “dispensadores dos poderes temporais e espirituais”. Agora temos dois grupos: o clero como hierarquia, que se considera “a Igreja”, e os leigos, que se tornam sinônimo daqueles que não sabiam o latim (língua oficial da Igreja), visto como pouco cultos, considerados incapazes de entender a Bíblia, livro para especialistas.

A partir daí a missão, a doutrina e a organização da Igreja ficou nas mãos da hierarquia, aumentando a distância com relação aos leigos. No entanto, sempre apresentaram-se na Igreja movimentos proféticos, contestadores e, até, anticlericais, com o propósito de reformá-la, procurando voltar às origens (pobreza evangélica, comunidade, Palavra de Deus, laicato); este processo ajudou a desencadear o Concílio Vaticano II (1962-65).

Durante o período da colonização, (século 16) por influência de Portugal e Espanha, os leigos se organizaram em irmandades, associações, ordens seculares, confrarias, em torno a um santo de devoção e obras de caridade. A partir da Revolução Francesa e Industrial (séculos 18 e 19), com a secularização do mundo civil e das relações de trabalho, os movimentos de leigos crescem dentro e fora da Igreja. Surgem vários movimentos espiritual-caritativo-missionários, tais como o Apostolado da Oração, a Legião de Maria, a Santa Infância. As questões internas da Igreja eram confiadas ao clero e as externas eram o espaço onde os leigos atuam. O leigo passa a ser visto como um membro da Igreja e que atua na sociedade civil.

Depois deste período, as questões sociais, a defesa dos direitos da Igreja, a busca da prática da caridade e do socorro aos necessitados, levou os leigos a se organizarem, sob a orientação da hierarquia, dando origem à Ação Católica, que com o tempo vai deixando de ser uma organização político-social para se tornar uma escola de formação dos leigos. O braço forte da Ação Católica no Brasil foram os “5 J” da juventude católica: JAC (agrária), JEC (estudantil), JIC (independente), JOC (operária) e JUC (universitária).

O leigo após o Concílio

Uma das mudanças trazidas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) foi a introdução do conceito bíblico “Povo de Deus”. O Concílio recuperou o real sentido da missão do leigo na Igreja. A Constituição Dogmática Lumen Gentium (Luz dos Povos), descreve positivamente o leigo e a leiga, enfatizando o batismo e a participação na tríplice função de Cristo, sacerdote, profeta e rei. Com o enfraquecimento da Ação Católica no Brasil, o laicato perdeu seu espaço de comunhão e participação na Igreja (décadas de 1960-70). Por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, surgiu, em 1976, o Conselho Nacional de Leigos – CNL. No documento 62 da CNBB (1999), Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas, lemos: “os leigos podem participar do cuidado pastoral de uma comunidade, paróquia e diocese, e nos serviços de animação comunitárias, ministérios extraordinários da comunhão eucarística e assistência aos enfermos e idosos, nos ministérios do batismo, das exéquias e da Palavra, como testemunhas qualificadas do matrimônio, na prática do aconselhamento, nas missões Ad Gentes, na catequese e na educação da fé, além dos serviços pastorais que surjam da necessidade das pessoas e das comunidades”.

Nos últimos anos cresce o número de leigos e leigas que se juntam a congregações e ordens religiosas, para partilharem o carisma e dedicarem-se a um trabalho específico, exigindo uma mudança de mentalidade e de prática no exercício da missão. Foram chamados de oblatas, terceiros, fâmulos, associados, cooperadores, coirmãos, etc. Sobre as experiências foram usadas termos como: uniões, comunhões, famílias, fraternidades. No passado eram uma espécie de “associação” prevalecendo uma relação de paternidade ou mesmo de paternalismo, exercida pelos religiosos e titulares.

Hoje o modelo continua, mas existem também novas modalidades de experiências com maior grau de igualdade respeitando a diversidade. A exortação apostólica Christifideles laici, (1988) fruto de um sínodo sobre os leigos, nos ajuda a entender esse sentimento: “Na Igreja-Comunhão os estados de vida encontram-se de tal maneira interligados que são ordenados uns para os outros. Comum, direi mesmo único, é, sem dúvida, o seu significado profundo: o de constituir a modalidade segundo a qual se deve viver a igual dignidade cristã e a universal vocação à santidade na perfeição do amor. São modalidades, ao mesmo tempo, diferentes e complementares, de modo que cada uma delas tem uma sua fisionomia original e inconfundível e, simultaneamente, cada uma delas se relaciona com as outras e se põe a seu serviço (...) são modalidades diferentes que profundamente se unem no mistério de comunhão da Igreja e que dinamicamente se coordenam na sua missão única” (CfL 55).

De maneira geral os leigos e leigas têm uma participação ativa em quase todos os ministérios e pastorais da Igreja. Nas congregações de Vida Consagrada ou Institutos religiosos o carisma não é propriedade da Instituição. Sendo dinâmico, quando entra em contato com os leigos, suscita as mais diversas inspirações. A grosso modo, podemos destacar cinco casos concretos de participação: membros associados, ou seja, a adesão a um instituto por vínculos estáveis e aprovados; partilha temporária de vida, de contemplação e de dedicação apostólica; voluntariado e uma vocação que leva a uma opção por toda a vida.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Lectio Divina do texto de Lucas 5,1-11 - PESCADORES DA HUMANIDADE

Por Patrick Silva - em http://www.imconsolata.org.br/


"Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes, subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo. Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram." (Lucas 5,1-11)


1. LECTIO – leitura

Esta é uma história bem conhecida, que poderemos ler e, ainda assim, não chegar ao coração desse evento milagroso. Lucas convida-nos a sermos testemunhas do milagre e do chamado dos três primeiros discípulos ao serviço da missão.

Multidões já estavam seguindo Jesus para ouvi-lo sobre o ensino da palavra de Deus. O que é que terão visto em Jesus - seria um simples pregador? Ou será que reconheceram nele um representante de Deus?

Interessante notar a ousadia de Jesus, querendo “ensinar” ao experiente Simão e seus companheiros como pescar, convidando-os a fazer nova tentativa de pesca, depois de uma noite fracassada. Ousadia que compensou, pois a pesca foi incrível. Quando Simão testemunhou a pesca milagrosa, ele passou a ver Jesus por uma nova luz, uma nova perspectiva. Ele reconheceu Jesus como “Senhor” (versículo 8) e logo sente o peso de seus pecados. Imediatamente cai de joelhos e pede a Jesus para deixá-lo. O profeta Isaías reagiu de forma semelhante, quando experimentou uma visão de Deus (veja Isaías 6). Deus parece dar a ambos missões impossíveis.

Jesus diz a Simão para não ter medo e depois o informa que ele terá um novo emprego - pescador da humanidade, e não mais pescador de peixes! Não são dados mais detalhes nesta fase, mas Lucas sugere que Jesus que vai transformar estes humildes pescadores em "pescadores da humanidade". Simão e os outros discípulos são cativados por Jesus e partem com ele. Implícito nas afirmações de Jesus é a necessidade de os discípulos estarem/acompanharem Jesus o tempo todo, para cumprir a sua vocação. As redes, os barcos, a vida, os lares e as famílias são deixados para trás. Agora, como os discípulos partem com Jesus para uma vida totalmente nova.

O que podemos aprender com este texto? Ser cristão é, em primeiro lugar, estar com Jesus “no mesmo barco”. É desse barco (a comunidade), que a Palavra de Jesus se dirige ao mundo. Ser cristão é, em segundo lugar, escutar a proposta de Jesus, fazer o que Ele diz, cumprir as suas indicações, lançar as redes ao mar. Às vezes, as propostas de Jesus podem parecer ilógicas, incoerentes, ridículas (e quantas vezes o parecem, face aos esquemas e valores do mundo...); mas é preciso confiar incondicionalmente, entregar-se nas mãos d’Ele e cumprir à risca as suas indicações. Ser cristão é, em terceiro lugar, reconhecer Jesus como “o Senhor”: é o que faz Pedro, ao perceber como a proposta de Jesus gera vida e fecundidade para todos. Finalmente, ser cristão é deixar tudo e seguir Jesus.

2. MEDITATIO – meditação

+ O que é que a reação inicial de Simão perante este milagre revela sobre quem ele achava que Jesus era?
+ Alguma vez você já experimentou o fardo/peso do seu pecado? Como acha que Deus quer que lhe responda ao reconhecer seu pecado? O que podemos aprender com a resposta de Simão?
+ Para se tornar pescadores da humanidade Simão, Tiago e João tiveram de passar tempo com Jesus e segui-lo. O que isso significa para nós hoje?
+ O seu caminho é feito no barco de Jesus, ou, às vezes, embarca noutros barcos?

3. ORATIO – oração

Agradeça a Deus por podermos experimentar o perdão dos nossos pecados. A carta 1João 1, 9 nos dá a certeza de que “Se confessarmos os nossos pecados a Deus ... ele vai nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”
Peça a Deus que o ajude a esquecer as suas fraquezas e dar-lhe a fé e coragem necessárias para seguir Jesus.

4. CONTEMPLATIO – contemplação

Contemple a santidade de Deus. Junte-se aos coros celestes declarando a santidade de Deus e a sua glória.

5. MISSIO - missão

O missionário é o pescador da humanidade! Para ser fiel a essa vocação precisa ser livre de tudo e aceitar as propostas de Jesus, por mais “loucas” que nos possam parecer.

“Não desanimemos, mas confiemos sempre, em toda e qualquer circunstância: confiemos sobretudo depois de cometermos alguma falta, contanto que tenhamos a boa vontade de amar a Deus e de servi-lo com perfeição” (José Allamano, Discípulos em Missão, p.50).
 
OBS: a cada semana há a leitura orante da bíblia (Lectio Divina) do Evangelho dominical no site: www.imconsolata.org.br - não deixe de acompanhar e rezar juntos... Júlio, imc