Missionário da Consolata na Colômbia e no Equador...

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sábado, 31 de julho de 2010

A pipoca que somos

Por: Rubem Alves

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me atrevo a cozinhar. Mas, o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas. Por isso, tenho mais escrito sobre comidas que cozinhando. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois, foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca é um milho mirrado e subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas, o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer.

Mas, a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Mas acho que o poder metafórico dos piru¦ás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á". A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é lixo.

Que o fogo do Espírito Santo possa estar queimando nossas cascas e fazendo-nos mais maleáveis ao seu sopro. Deixa-te moldar pela Palavra viva e pelo poder de Deus!

Saia da mesmice e faça diferença em sua geração.

 
OBS: Esta historinha foi usada na oração da manhã que tivemos durante o retiro inaciano


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Lectio Divina do texto de Lucas 10,38-42 - 16º Domingo do Tempo Comum

Por: Patrick Silva

Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. Ela tinha uma irmã, Maria, a qual se sentou aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com os muitos afazeres da casa. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda pois que ela venha me ajudar!” O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”. (Lucas 10,38-42)

1. LECTIO – leitura
A caminhada de Jesus chega agora na Marta e Maria, um encontro que se tornará revelador para os discípulos de Jesus. O contexto do evangelho continua sendo a caminhada de Jesus verso Jerusalem, que neste ponto chega a um povoado, cujo o nome não é revelado. Jesus é recebido na casa de duas irmãs (Marta e Maria). Apesar de não podermos ter certeza, estas duas irmãs são, provavelmente, as irmãs de Lázaro, referidas em Jo 11,1-40 e Jo 12,1-3. Se for esse o caso então estamos em Betânia, uma pequena aldeia situada na encosta oriental do Monte das Oliveiras, a cerca de 3 quilômetros de Jerusalém.

O encontro acontece na casa destas duas irmãs, as quais adotam duas atitudes diferentes para acolher ao convidado: Jesus. Em si, tudo parece sugerir que estamos perante uma refeição. Impossível saber se havia outros convidados. Apenas sabemos Marta andava atarefada “com muito serviço” (v. 40), enquanto que Maria permanecia “sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua Palavra” (v. 39). A situação não agradou a Marta, que acabou se queixando a Jesus pela indiferença da irmã. A resposta de Jesus (vs. 41-42) constitui o centro do relato e dá-nos o sentido da catequese que se pretende apresentar: a Palavra de Jesus deve estar acima de qualquer outro interesse.

Há, neste texto, um pormenor que é preciso destacar: a “posição” de Maria: “sentada aos pés de Jesus”. É a posição típica de um discípulo diante do seu mestre (veja Lc 8,35; At 22,3). É uma situação surpreendente, num contexto em que as mulheres tinham um estatuto de subalternidade e viam limitados alguns dos seus direitos religiosos e sociais; por isso, nenhum “rabbi” da época se dignava aceitar uma mulher no grupo dos discípulos que se sentavam aos seus pés para escutar as suas lições. Jesus, se afasta radicalmente das normas culturais do seu tempo, encoraja as mulheres a aprender sobre o Reino de Deus. Também elas são chamadas a ser discípulas de Jesus.

Marta deve ter ficado surpresa com a resposta de Jesus. Jesus criticou Marta suavemente por ter colocados os afazeres da casa acima da escuta da Palavra. Maria fez a opção mais certa, priorizou o que era mais importar: aprender de Jesus. Importa notar, que Jesus não disse que o trabalho doméstico não seja importante. Ele cresceu numa família em Nazaré, e sabia o valor da rotina doméstica. Jesus salienta a importância do estabelecer prioridades. O Reino de Deus deve vir em primeiro lugar e isso vale tanto para homens como para as mulheres. É importante reservar um tempo para as necessidades da família, e ainda mais importante reservar tempo para estar com Deus.

Muitas vezes, este episódio foi lido à luz da oposição entre ação e contemplação; no entanto, não é bem isso que aqui está em causa… Lucas não está, nesta catequese, a explicar que a vida contemplativa é superior à vida ativa; está é a dizer que a escuta da Palavra de Jesus é o mais importante para a vida do crente, pois é o ponto de partida da caminhada da fé. Isto não significa que o “fazer coisas”, que o “servir os irmãos” não seja importante; mas significa que tudo deve partir da escuta da Palavra, pois é a escuta da Palavra que nos projeta para os outros e nos faz perceber o que Deus espera de nós.

2. MEDITATIO – meditação

+ Com qual das personagens você mais se identifica?
+ Quais são as prioridades da sua vida? Será que escolheu a melhor parte?
+ Hoje vivemos em grande velocidade. Tudo deve ser rápido. “Tempo é dinheiro”, mas como é possível, neste ritmo, guardar tempo para as coisas essenciais? Como é possível encontrar espaço para sentar aos pés de Jesus?
+ O que é que você entende por hospitalidade e acolhimento? Esta leitura sugere que o verdadeiro acolhimento não se limita a abrir a porta, mas em “perder” tempo para estar com o outro, para o escutar.
+ Jesus, contra os costumes da sua época, aceita Maria como discípula. Será que você teria a mesma coragem de Jesus?

3. ORATIO – oração
Releia lentamente o Evangelho. Dialogue com Deus, apresente a sua vida, a sua correria, a sua luta cotidiana. Deus entende as pressões cotidianas e o cansaço que pode submergir. Apresente-lhe tudo o que está preocupando. Reze com o Salmo 15. Encontre algumas palavras que ressoam em você.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Contemple o privilegio de ficar sentado aos pés de Jesus, escutando e aprendendo tudo aquilo que ele tem para revelar. Deixe-se maravilhar pelas novidades que Jesus lhe vai mostrar.

5. MISSIO – missão
“Trabalha-se mais em quinze minutos, depois de ter rezado, do que em duas horas sem oração”. José Allamano

Disponível semanalmente em www.consolata.org.br

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A opção pelos pobres: de Medellín a Aparecida

Por: Júlio Caldeira, imc *

Muito se tem falado e escrito sobre a opção pelos pobres na América Latina; mas muito tem que ser discutido sobre quem é o pobre? De onde vem esta opção? Sem dúvida são problemas teológicos, pastorais e humanos, que faz a Igreja pensar sobre sua origem e da fidelidade ao Evangelho, que Jesus pregou e ensinou a seus discípulos/as nas bem-aventuranças do Reino de Deus (Lc 6,20 e Mt 5,3), em seu ministério (discurso na sinagoga de Lc 4,16ss. e práticas de curas, acolhida e exortações) e na sua prerrogativa do julgamento final (“benditos de meu Pai” de Mt 25,31ss), por exemplo. Esta opção foi vivida ao longo destes 20 séculos pelos discípulos de Jesus e recordada em momentos de “crise” (com Antão, Francisco de Assis, Charles de Foucald, Teresa de Calcutá etc.).

Esta prática evangélica passou a ser sistematizada e colocada em consenso a partir do Concílio Vaticano II, principalmente como o grupo da “Igreja dos pobres”, e sendo assumida pela Igreja Latino Americana nas Conferências Episcopais que marcam profundamente pelo seu aspecto de inserção na realidade do povo: "Medellín (libertação), Puebla (comunhão e participação), Santo Domingo (inculturação) e Aparecida (missão). Estas conferências impregnaram também um caráter sacramental, um caráter indelével na Igreja latino-americana, como a opção pelos e com os pobres, a libertação, participação, CEBs, metodologia ver-julgar-agir” (Entrevista com Paulo Suess feita pela IHU). Neste sentido, somos chamados a continuar esta caminhada, revendo os passos dados, sejam com avanços ou retrocessos.

A Conferência de Medellín (1968) procurou implementar e contextualizar o Concílio Vaticano II, buscando colocar “a Igreja na atual transformação da América Latina”. “Na perspectiva de João XXIII – ‘uma Igreja dos pobres para ser a Igreja de todos’, Medellín conclama todos os batizados a ser uma Igreja pobre, para dar testemunho de uma Igreja solidária, samaritana, com a situação e a causa dos pobres, que é um mundo justo e solidário para todos. ‘A pobreza da Igreja deve ser sinal e compromisso de solidariedade com os que sofrem’ (Med 14,7). (...) Medellín, ao optar pelo ser humano, dada a situação dos excluídos, que são os proferidos de Deus, opta antes pelos pobres (Med 14,9). (...) Por isso, a opção pelos pobres, mais que um trabalho prioritário, é uma ótica que leva a todos a partir do pobre, em vista de um mundo inclusivo de todos” (BRIGHENTI, A. A opção pelos pobres e a urgência da missão). A opção pelos pobres baseia-se no serviço profético, expressada na vivência da fé cristã fiel a esta opção, diante da injustiça, opressão e exclusão das estruturas sociais existentes, “fazendo do pobre não um objeto de caridade, mas sujeiro de sua própria libertação, ensinando-lhe a ajudar-se a si mesmo” (Med 14,10).

Puebla (1979), procura continuar o processo, fundamentando, explicitando e valorizando a dimensão teológico-pastoral, na busca de “assumir para redimir” (DP 400), fazendo-se presente na vida dos pobres e na sua resistência, mesmo com certa tentativa de minimizar a expressão “opção pelos pobres” de Medellín; Puebla usa “opção preferencial pelos pobres”, “amor aos pobres”, “opção evangélica, universal, piedosa”, sendo “as CEBs expressão da opção preferencial da Igreja pelo povo simples” (DP 643).

Já em Santo Domingo (1992), continua a falar-se de opção preferencial pelos pobres, expressada no amor aos pobres, mas que significa que “não é nem exclusiva nem excludente” (SD 178), com uma visão mais espiritualizada (segundo o termo “pobre em espírito”), com o convite, especialmente aos religiosos, de se comprometer nas lutas e na promoção mais humana dos excluídos, até chegar ao pleno conhecimento de Jesus Cristo (cf. SD 162), frente aos poderes deste mundo (cf. SD 50).

Aparecida fez também a opção pelos pobres e excluídos, retomando o pensamento de Medellín e Puebla, já que esta se encontra implícita na fé de um “Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza” (DA 292). Ressalta que devemos ter um amor especial pelos empobrecido, mas com uma postura de engajamento e não paternalista e assistencialista (cf. DA 397), “procurando, a partir dos pobres, a mudança de sua situação, pois eles são sujeitos da evangelização e da promoção humana integral (DA 399)” (BRIGHENTI, A. O documento de Medellín: uma ousadia que continua fazendo caminho, p.140), visto que “tudo o que tenha relação com Cristo tem relação com os pobres, e tudo o que está relacionado com os pobres clama por Jesus Cristo” (DA 393). Para isso, convida-nos a olhar o “testemunho valente de nossos santos e santas, e aqueles que, até sem terem sido canonizados, viveram com radicalidade o Evangelho e ofereceram sua vida por Cristo, pela Igreja e por seu povo” (DA 98).

É impossível calar-se diante de tanta injustiça, exclusão e miséria que vive o povo latino-americano. São muitas as perguntas que nos questionam: Como o Brasil, um país tão grande em terras e riquezas naturais e o país mais “católico do mundo”, pode ser o país onde há a maior desigualdade social do mundo? Como ser autênticos discípulos-missionários de Jesus diante desse contexto? Sem dúvida, o que nos alenta são as iniciativas proféticas do “povão”, que vão, aos poucos, entranhando-se na hierarquia, que deixa-se evangelizar, notando que “enquanto houver pobres e Evangelho, continuará vigente o imperativo de se fazer da fé um compromisso de libertação” (BRIGHENTI, A. O documento de Medellín: uma ousadia que continua fazendo caminho,p.146).

Uma das minhas inquietações, como a de muitos, é de que a Igreja tem feito a “opção pelos pobres”, mas tem se esquecido, na maioria das vezes, de incluir “a partir dos pobres”, segundo sua realidade (rural, urbana, operária, universitária, periferias, etc.) e/ou faixa etária (criança, jovem, adulto, idoso). Vemos uma avalanche de teses, escritos e documentos ressaltando a opção pelos pobres (ou outra terminologia: opção preferencial, evangélica etc.), no entanto, com a tentação de uma linguagem “unificadora”, “racionalizante” (esquecendo a religiosidade popular, o sentimento, a particularidade de cada pessoa e de cada cultura) e “não-acessível”.

Tenho me dado conta de que a opção pelos pobres surge de uma opção radical pelo Evangelho e pelos valores-práxis deixados por Jesus a seus discípulos/as. E esta opção é pelos “pobres” pobres mesmos, aqueles que sofrem, são marginalizados, excluídos, não tem voz nem vez; e não minimizado pelos “pobres em espírito”, em seu sentido “espiritualizado”. Henri de Lubac, acertadamente, define que “quem se submeteu a uma ideologia, nunca está seguro de haver escolhido o partido certo. Quem optou pelos pobres, está sempre seguro, está duplamente seguro, de haver feito uma opção certa. Optou como Jesus. E optou por Jesus”.
 
 
* Trabalho apresentado à disciplina de História da Igreja na América Latina e no Brasil, sob orientação do profª Maria Cecília Domezi - EDT (Escola Dominicana de Teologia) - 1ºsem 2010

domingo, 11 de julho de 2010

Mensagem dos participantes do I Congresso Missionário Nacional de Seminaristas

Aos Senhores bispos, formadores e amigos seminaristas,

Entre os dias 04 e 10 de julho, nós, cerca de 150 seminaristas, 10 formadores e alguns bispos dos diversos regionais do Brasil, estivemos reunidos em Brasília participando do Iº Congresso Missionário Nacional de Seminaristas, com o objetivo de ajudar-nos a assumir a dimensão missionária universal da vocação cristã e presbiteral.

Gostaríamos de transmitir a todos quão rica foi a experiência deste Congresso e a grande festa da alegria e da unidade celebrada aqui na capital do nosso país em favor da missão.

Conduzidos pelo lema: chamados para estar com Ele e enviados (Mc. 3,14) e o tema formação presbiteral para uma missão sem-fronteiras, tivemos a graça de nos deparar com as realidades do campo formativo, nas dimensões voltadas para missão. Observamos as realidades eclesiais e formativas e chegamos a conclusão de que ainda temos que trabalhar muito para se chegar àquilo que é vontade da Igreja Universal e Latino-Americana: despertar a Igreja na América Latina e no Caribe para um grande impulso missionário (DAp. 548).

É bem verdade que, em alguns Seminários e Institutos, o sentido da vocação sacerdotal mais missionária está em plena atividade. Porém, é também fato de que em outros Seminários e Institutos o termo missão não recebe a devida atenção.

Iluminados pelo Espírito de Deus, e impulsionados pelo espírito de Aparecida, queremos que esta realidade seja transformada e transfigurada segundo a vontade de Deus para o nosso tempo, hoje, na Igreja do Brasil. Queremos melhorar o ambiente relacional estrutural do Seminário para que, como uma comunidade autenticamente cristã, formadores e formandos se unam em prol da vocação primeira da Igreja: a missão, a serviço do Reino de Deus. Queremos ser missionários padres e não padres missionários.

Cônscios da real necessidade de formarmos nos Seminários vocações verdadeiramente missionárias, vimos, por meio desta, encarecidamente pedir aos senhores bispos, formadores e seminaristas, que desenvolvam nos Seminários e Institutos uma formação voltada para a missão além-fronteiras. Cremos que se houver investimento, numerosas vocações missionárias brotarão no seio dos Seminários, a começar por nós que participamos deste Iº Congresso Missionário.

De Brasília voltamos para os nossos regionais dispostos a colaborar, com vivo ardor missionário, na conscientização missionária dos irmãos de Seminário e na constituição de organismos que favoreçam a missão em nossas casas de formação, como o Conselho Missionário dos Seminários (COMISE) e a Formação Missionária para Seminaristas (FORMISE).

Contamos desde já com o apoio de todos, pois o benefício não é para a nossa promoção pessoal, mas, para a promoção de todos os povos do orbe e para o bem da Igreja que age em nome de Cristo e a Ele se dirige.

Certos da atenção de todos a este pedido, reiteramos nosso desejo, de juntos, animados e guiados pelo Divino Espírito, construirmos no coração dos Seminários e Institutos, uma mentalidade viva e ardente direcionada a missão sem-fronteiras, tornando a Igreja no Brasil cada vez mais missionária.


Em Cristo Jesus
Brasília, 10 de julho de 2010.


Os participantes do I Congresso Missionário Nacional de Seminaristas.

sábado, 10 de julho de 2010

A parábola do Bambu Amado


Um belo dia, numa plantação qualquer de bambus, o vento resolveu soprar e a brisa mansa desse ventinho permitia que o bambuzal se mexesse bastante desordenadamente de um lado para o outro e vice versa...era uma boa para os bambus que além de refrescar aproveitassem para dar uma destorcidinha no que estava parado!



Mas como todo bambuzal que se preze, este não era diferente: havia um dono desse bambuzal que neste dia coincidentemente chegou junto com o vento. Qual foi a surpresa do bambuzal em ver o seu dono, todos no mesmo instante ficaram cheios de Alegria e destemor pois aquele que cuidava com tanto carinho deles chegava com seu sorriso para olhar sua estimada plantação! Porem havia no mesmo lugar ao lado um campo ermo, de difícil plantação, terra ressequida pertencente ao mesmo dono.



No bambuzal existia um bambu que era muito mais bonito e vivente que os outros;. Existia nele uma diferença patente sobre o restante dos bambus que muitas vezes incomodava mas era natural nele e, devido também toda a sua dedicação ao dono, se tornava cada vez mais diferente e bonito.



A Felicidade desse bambu era ver seu dono chegando e contemplando-o com esmero.

Porém, num certo dia de vento também, o bambu amado (porque amava demais também) foi surpreendido por seu dono tão querido numa proposta que há muito tempo ele esperava. Era chegada a hora do bambu servir e servir com a mesma dedicação que tinha desde o seu nascimento.



O dono do bambu chegou lá pelas 5 da tarde, olhou seu bambu amado, acariciou-o e lhe disse:



“BAMBU AMADO, CHEGOU O SEU TEMPO DE ME SERVIR E ESTE É O MOMENTO!”

O bambu ficou entusiasmadíssimo com tal proposta e na mesma correria que amava o dono, apressou-se em dizer: “SIM AMADO DONO, SE ME CHEGOU A HORA ESTOU AQUI!”



O dono sabia desse sim e logo amou mais ainda o bambu. Contudo, o dono do bambu teve que lhe falar sobre esse serviço especial e continuou dizendo:“MAS PARA QUE ME SIRVA, BAMBU AMADO, TENHO QUE LHE TIRAR DO LUGAR EM QUE VOCÊ ESTÁ!”

O bambu estranhou pois sabia que isso iria prejudicá-lo muito mas no mesmo instante disse ao dono:SABE DAS COISAS MEU DONO, E SABE DE MIM, ME ALEGRO E FAÇA COM QUE EU LHE SIRVA BEM!

O dono mais alegre ainda continuou: BAMBU AMADO, NÃO BASTA QUE TE ARRANQUE DE SEU LUGAR MAS VOU PRECISAR CORTÁ-LO COM UM FACÃO PARA PARTI-LO AO MEIO!

Surpreso, o bambu se pôs a tentar entender tal proposta e começou a fica um pouco triste pois sua beleza, seu encanto, suas firmezas, seu apoio, tudo seria tirado e isso lhe faria não ser mais o bambu que outrora brilhou! Porem, mesmo entristecido e sem entender precisou toda sua alegria já comprometida na satisfação que seu dono teria de um sim e não pensou mais:“SE ASSIM É QUE PRECISAS DE MIM QUE EU POSSA LHE ALEGRA, EIS-ME AQUI...PRONTO!”



O dono sabia disso e percebia que o bambu não estava tão alegre quanto o inicio da conversa mas sabia da fidelidade do amado bambu. Não obstante o dono logo lhe disse sem muitas palavras:“AMADO BAMBU, MESMO QUE ME SIRVA AINDA PRECISO DIZER: NÃO LHE BASTA QUE O ARRANQUE E O CORTE COM UM FACÃO, É PRECISO QUE EU O SEQUE E DESCARACTERIZE TEUS JEITOS DE BAMBU, TUA BELEZA E MESMO TODA TUA ALEGRIA!”

O bambu, no silencio entristecido, derramava uma lágrima de dor profunda e de desentendimento. Já não sabia mais o porque disso tudo nem o porque de seu dono lhe queria assim. O maior sofrimento do bambu era por não entender esse amor que criou, permitiu que fosse o mais lindo e vistoso e de uma hora pra outra lhe pedia quase que a própria morte.

Qual foi sua surpresa antes de responder ao dono o mesmo indagou:“MAS AMADO BAMBU, MESMO DEPOIS DISSO TUDO VOU PRECISAR TIRA-TE A VIDA E NUNCA MAIS SERAS UM BAMBU!”



Foi nesse instante que o bambu simplesmente parou e não disse uma só palavra! Mas seu dono continuou:“CONTUDO, BAMBU AMADO, VOU ARRANCAR-LHE O CORAÇÃO E TUDO O QUE NELE TEM, GUARDAREI ETERNAMENTE COMIGO E NUNCA ELE ME SERÁ ROUBADO. DE TUA CASCA TIRAREI O MELHOR: TEU CORAÇÃO...TEU TESOURO...TUA VIDA...SERÁS MAIS MEU DO QUE NESSA CONDIÇÃO DE BAMBU!”

Foi aí que o pobre bambu entendeu não os motivos do dono mas o tipo de Amor com Ele o amava e sustentado por esse desentendimento que compreende todas as coisas, o bambu se voltou em prantos mas com um suave e sereno e lhe disse bem baixo mas convictamente:“ENTENDO QUE ME ENTENDES, MEU DONO E TANTO QUE ME ROUBAS O MELHOR! SOU TEU PRISIONEIRO E FAZ DE MIM O QUE PRECISAS!”



Foi aí que o dono consumou seus desejos: Arrancou o bambu, cortou-lhe ao meio com um facão, secou-o e descaracterizou-o e já sem vida nenhuma física lhe tirou o coração e guardou-o consigo para que nunca mais fosse roubado! E o que era um vistoso e lindo bambu se tornava dois simples pedaços de coisa ressecada .Contudo, aquele nada se tornava o veículo de água para que se levasse umidade ao outro solo do dono que precisava de plantação e assim o saudoso bambu era o que de mais precioso o dono tinha!

Acredito que o dono também chorava nesse instante até de saudade do bambu mas tinha seu coração guardado e isso bastava ao dono!



É amados, podem respirar fundo agora.....não preciso escrever muita coisa.... tenho certeza que seu coração ja está dizendo tudo.

Essa mensagem toca fundo no meu coração e me faz pensar em uma pergunta: Será que estou preparada para ser esse bambu?

A historia desse bambu é a historia de vocação de cada um de nós. Iremos ser podados, cortados, será dolorido, mas nosso coração sera preservado. E em um lugar muito especial, o coração de Jesus.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Lectio Divina do texto de Lucas 10,25-37 - 15º Domingo do Tempo Comum

Por Patrick Silva

Um doutor da Lei se levantou e, querendo experimentar Jesus, perguntou: “Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna?” Jesus lhe disse: “Que está escrito na Lei? Como lês?” Ele respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e teu próximo como a ti mesmo!” Jesus lhe disse: “Respondeste corretamente. Faze isso e viverás”. Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” Jesus retomou: “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no e foram-se embora, deixando-o quase morto.
Por acaso, um sacerdote estava passando por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu, e moveu-se de compaixão. Aproximou-se dele e tratou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho. Depois colocou-o em seu próprio animal e o levou a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou dois denários e entregou-os ao dono da pensão, recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, pagarei o que tiveres gasto a mais”. E Jesus perguntou: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze tu a mesma coisa”. (Lucas 10,25-37)

1. LECTIO – leitura
O contexto deste episódio continua sendo a longa “caminhada” de Jesus rumo a Jerusalem. Um caminho onde o Mestre vai dando a conhecer o seu projeto aos seus discípulos, que percorrem o percurso a seu lado. Assim, é num contexto “pedagógico” que vai aparecer a “parábola do bom samaritano”. Para bem entender o episódio é primordial recordar a relação entre judeus e samaritanos. Trata-se de dois grupos que estavam separados e cujas relações eram, no tempo de Jesus, bastante conflituosas. Historicamente, a divisão começou quando, em 721 a.C., a Samaria foi tomada pelos assírios. Os colonos assírios se misturaram com a população local; para os judeus, os habitantes da Samaria começaram, então, a paganizar-se (veja 2 Re 17,29). A relação entre as duas comunidades deteriorou-se ainda mais quando, após o regresso do exílio, os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos para a reconstrução do templo de Jerusalém. Para piorar a situação, mo ano de 333 a.C., os samaritanos construíram um templo no monte Garizim.
O ponto de partida é a pergunta de um mestre da Lei: “o que fazer, para herdar a vida eterna?” (O evangelista Marcos apresenta a mesma cena – 12,28-34 – mas, aí, a pergunta é acerca do “maior mandamento da Lei”). A resposta é previsível e evidente, de tal forma que o próprio mestre da Lei a conhece: amar a Deus, fazer de Deus o centro da vida e amar o próximo como a si mesmo. Neste “resumo” dos mandamentos, cita-se Dt 6,5 e Lv 19,18. Jesus concorda: até aqui, a proposta de Jesus não acrescenta nada de novo àquilo que a própria Lei sugere. O mestre da Lei, porém, vai mais fundo: “e quem é o meu próximo?” É uma questão pertinente, neste contexto. Na época de Jesus, os mestres de Israel discutiam, precisamente, quem era o “próximo”. Naturalmente, havia opiniões mais abrangentes e opiniões mais exclusivistas; mas havia consenso entre todos no sentido de excluir da categoria “próximo” os inimigos: de acordo com a Lei, o “próximo” era apenas o membro do Povo de Deus (veja Ex 20,16-17; 21,14.18.35; Lv 19,11.13.15-18). Jesus, no entanto, tinha uma perspectiva diferente. É precisamente para explicar a sua perspectiva que Jesus conta a “parábola do bom samaritano”.
A parábola situa-nos nessa estrada de cerca de 30 quilômetros entre Jerusalém e Jericó. Era uma estrada conhecida por ser perigosa. Ora “um homem” (não identificado) foi assaltado pelos bandidos e deixado caído na estrada. Pela estrada passaram sucessivamente um sacerdote (que conhecia a Lei e que exercia funções litúrgicas no templo) e um levita (ligado à instituição religiosa judaica e que exercia, também, funções litúrgicas no templo). Ambos passaram adiante: ou o medo de enfrentar a mesma sorte, ou as preocupações com a pureza legal (que impedia tocar num cadáver), ou a pressa, ou a indiferença diante do sofrimento alheio, impede-os de parar. Apesar dos seus conhecimentos religiosos, não têm qualquer sentimento de misericórdia por aquele homem. Pela estrada passou, finalmente, um samaritano. Trata-se de um desses que a religião tradicional de Israel considerava um inimigo, um infiel, longe da salvação e do amor de Deus… No entanto, foi ele que parou, sem medo de correr riscos ou de adiar os seus esquemas e interesses pessoais, que cuidou do ferido e que o salvou.
Jesus conclui a parábola dizendo ao mestre da Lei que o interrogara: “então vai e faze o mesmo”. A verdadeira religião que conduz à vida plena passa pelo amor a Deus, traduzido em gestos concretos de amor pelo irmão – por todo o irmão, sem exceção. Recordemos que a pergunta inicial era: “o que fazer para alcançar a vida eterna”… A conclusão é óbvia: para alcançar a vida eterna é preciso amar a Deus e amar o próximo. O “próximo” é qualquer um que necessita de nós, seja amigo ou inimigo, conhecido ou desconhecido, da mesma raça ou doutra raça qualquer; o “próximo” é qualquer irmão caído nos caminhos da vida que necessita, para se levantar, da nossa ajuda e do nosso amor.

2. MEDITATIO – meditação
+ A pergunta do mestre da Lei não é uma pergunta acadêmica; é a pergunta que continua sendo feita cada dia por tantas pessoas: “o que fazer para chegar à vida plena, à felicidade? Como dar, verdadeiramente, sentido à vida? Qual a sua resposta?
+ O evangelho é claro na resposta: para alcançar a felicidade é precisar a amar a Deus e ao próximo. Acredita nesta resposta?
+ Teria a coragem de agir como o Samaritano? Teria coragem de parar, de cuidar, mesmo correndo riscos? Quem é o próximo para você?

3. ORATIO – oração
Deixe o Salmo 69 guiar suas orações para aqueles que você ama e para aqueles que você vê na necessidade.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Leia Colossenses 1,15-20 lentamente diversas vezes. “Perca tempo” contemplando o significado da magnificência de Cristo revelado aí.

5. MISSIO – missão
“O bem deve ser bem feito e sem barulho. O importante não e fazer muitas coisas, mas fazê-las bem”. José Allamano

Disponível semanalmente em http://www.consolata.org.br/

Lectio Divina Mt 16,13-19 – Solenidade de Pedro e Paulo

Por: Patrick Silva


Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos discípulos: “Quem é que as pessoas dizem ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros ainda, Jeremias ou algum dos profetas”. “E vós”, retomou Jesus, “quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Jesus então declarou: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as forças do Inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. (Mateus 16,13-19)

1. LECTIO – leitura
O Evangelho proposto para esta Solenidade situa-nos no Norte da Galileia, perto das nascentes do rio Jordão, em Cesareia de Filipe. A cidade tinha sido construída por Herodes Filipe (filho de Herodes o Grande) no ano 2 ou 3 a.C., em honra do imperador Augusto.
Este episódio ocupa um lugar central no evangelho de Mateus. Aparece num momento de viragem, quando começa a perfilar-se no horizonte de Jesus um destino de cruz. Depois do êxito inicial do seu ministério, Jesus experimenta a oposição dos líderes e um certo desinteresse por parte do povo. A sua proposta do Reino não é bem acolhida, senão por um pequeno grupo – o grupo dos discípulos. Assim, Jesus dirige aos discípulos uma série de perguntas sobre si próprio. Não se trata, tanto, de medir a sua popularidade; trata-se, sobretudo, de tornar as coisas mais claras para os discípulos e confirmá-los na sua opção de seguir Jesus e de apostar no Reino. O relato de Mateus é um pouco diferente do relato do mesmo episódio feito por outros evangelistas (veja Mc 8,27-30). Mateus remodelou e ampliou o texto de Marcos, acrescentando a afirmação de que Jesus é o Filho de Deus e a missão confiada a Pedro.
O nosso texto pode dividir-se em duas partes. A primeira, de caráter mais cristológico, centra-se em Jesus e na definição da sua identidade. A segunda, de caráter mais eclesiológico, centra-se na Igreja, que Jesus convoca à volta de Pedro. Na primeira parte (versículos 13-16), Jesus interroga duplamente os discípulos: acerca do que as pessoas dizem dele e acerca do que os próprios discípulos pensam.
A opinião das “pessoas” vê Jesus em continuidade com o passado (“João Baptista”, “Elias”, “Jeremias” ou “algum dos profetas”). Não captam a condição única de Jesus, a sua novidade, a sua originalidade. Reconhecem, apenas, que Jesus é um homem convocado por Deus e enviado ao mundo com uma missão – como os profetas do Antigo Testamento… Mas não vão além disso. A opinião dos discípulos acerca de Jesus vai muito além da opinião comum. Pedro, porta-voz da comunidade dos discípulos, resume o sentir da comunidade na expressão: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” (v. 16). Nestes dois títulos resume-se a fé da Igreja de Mateus e a catequese aí feita sobre Jesus. No entanto, para os membros da comunidade do Reino, Jesus não é apenas o Messias: é também o “Filho de Deus”.
Na segunda parte (versículos 17-19), temos a resposta de Jesus à confissão de fé da comunidade dos discípulos, apresentada pela voz de Pedro. Jesus começa por felicitar Pedro (isto é, a comunidade) pela clareza da fé que o anima. No entanto, essa fé não é mérito de Pedro, mas um dom de Deus (“não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim o meu Pai que está nos céus” – v. 17). Pedro (os discípulos) pertence a essa categoria dos “pobres”, dos “simples”, abertos à novidade de Deus, que têm um coração disponível para acolher os dons e as propostas de Deus.
O que é que significa Jesus dizer a Pedro que ele é “a rocha” (o nome “Pedro” é a tradução grega do hebraico “Kephâ” – “rocha”) sobre a qual a Igreja de Jesus vai ser construída? As palavras de Jesus têm de ser vistas no contexto da confissão de fé precedente. Mateus está, portanto, a afirmar que a base firme e inamovível sobre a qual vai assentar a Ekklesia de Jesus é a fé que Pedro e a comunidade dos discípulos professam: a fé em Jesus como o Messias, Filho de Deus vivo. Para que seja possível a Pedro testemunhar que Jesus é o Messias Filho de Deus e edificar a comunidade do Reino, Jesus promete-lhe “as chaves do Reino dos céus” e o poder de “ligar e desligar”. Por outro lado, a expressão “atar e desatar” designava, entre os judeus da época, o poder para interpretar a Lei com autoridade, para declarar o que era ou não permitido, para excluir ou reintroduzir alguém na comunidade do Povo de Deus. Assim, Jesus nomeia Pedro para “administrador” e supervisor da Igreja, com autoridade para interpretar as palavras de Jesus, para adaptar os ensinamentos de Jesus a novas necessidades e situações, e para acolher ou não novos membros na comunidade dos discípulos do Reino.

2. MEDITATIO – meditação
+ Novamente o evangelho nos convida a ecoar as perguntas de Jesus. O que é que as pessoas de hoje acham de Jesus?
+ E para você quem é Jesus? Não interessam aqui as respostas aprendidas durante a catequese, mas as respostas mais profundas e íntimas.
+ Qual o seu sentimento perante a Igreja na qual você professa a sua fé em Jesus?

3. ORATIO – oração
“E vós, quem dizeis que Eu sou?” É uma pergunta que deve, de forma constante, ecoar nos nossos ouvidos e no nosso coração. Responder a esta questão significa interrogar o nosso coração e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa na nossa vida… Responder a esta questão significa também interrogar-se sobre a importância que damos às suas propostas, aos seus valores, às suas opções, ao esforço que fazemos ou que não fazemos para o seguir… Quem é Cristo para mim?

4. CONTEMPLATIO – contemplação
No silêncio procure sentir a presença deste Jesus que a/o ajuda a descobrir a sua verdadeira identidade.

5. MISSIO – missão
“Devemos reconhecer que Jesus e a árvore da qual provém toda a vitalidade. Nós devemos manter-nos unidos a Ele e reconhecer que tudo deriva dele”. José Allamano

Disponível semanalmente em http://www.consolata.org.br/

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Volto no dia 08 de julho...

Queridos/as amigos/as, estarei fora de hoje até o dia 08 de julho... fazendo o retiro anual em Itaici...

Em razão disto, vocês podem acompanhar a lectio divina na página dos Missionários da Consolata

Estarei rezando por vocês...

Até o dia 08 de julho...

sábado, 26 de junho de 2010

Encruzilhada da Vida Religiosa

Por: Pe. Alfredo J. Gonçalves
 
O mundo da pós-modernidade, se quisermos adotar esta linha de pensamento, vem acompanhado de um intenso "rumor de anjos" (Peter Berger). Rumor que, apesar do barulho das máquinas, da revolução informática e da proliferação de sons e imagens, se ergue cada vez mais forte. Em não poucos casos, chega a ser estridente, espetacular, quase cinematográfico. Em palavras mais simples, os deuses estão de volta. Retornam com a energia de águas represadas, com a mesma força com que foram banidos no decorrer dos "tempos modernos".
Deuses no plural, o que procura dar conta da diversidade de expressões religiosas que caracteriza al sociedades atual. Com efeito, o pluralismo cultural e religioso constitui um dos aspectos predominantes da "condição pós-moderna" (Lyotard). Os deuses estão nas ruas, nas páginas e espaços da mídia, em muitos títulos dos livros de publicação recente, na arquitetura dos grandes centros comerciais. Divindades para todos os gostos e sabores, todas as inquietações e ideologias. Deuses conhecidos, demasiadamente conhecidos, o que os torna também manipuláveis. Mais do que o secularismo, o que preocupa a América Latina e o Caribe, bem como cada um de seus países, não é tanto a falta de deuses, mas o excesso. Neste imenso areópago moderno ou pós-moderno, o grande desafio é identificar os traços do "Deus desconhecido" de Paulo em Atenas, mistério que, a um só tempo, se revela e se oculta.
Talvez o retorno da dimensão transcendente, em pleno contexto materialista, individualizado e tecnológico, se deva aos sintomas de anomia, à falta de referências, ao relativismo e à fragmentação tão presentes no universo urbano. As certezas foram substituídas pelas dúvidas, as verdades por novas interrogações e as perguntas se tornaram maiores que nossa capacidade de encontrar resposta. Parafraseando Simone de Beauvoir, as estrelas se apagaram no céu, os marcos desapareceram da estrada e o chão fugiu debaixo dos pés. Medos e angústias, temores e tremores, insegurança e instabilidade configuram uma falta de sentido que toma conta da "multidão solitária" (David Riesman). Uma espécie de vertigem em que, ao caminhar, parecemos nos equilibrar numa corda bamba sobre um abismo sem fundo, um novo "mal estar da civilização", para usar a expressão cunhada por Freud.
Crise e encruzilhada
Crise costuma ser a palavra adequada para definir esse cenário preocupante. Mas toda crise tem dupla face: queda e superação. Em seu lado negativo, tendemos a ser conduzidos ao berço, ao saudosismo de um passado idealizado e até, morbidamente, ao colo da mãe; em seu lado positivo, tenta-se superar a inércia e avançar para a fronteira. Neste caso, ao invés de prostrar e deprimir, a crise desinstala e interpela, engendrando a coragem de fazer novas perguntas. Melhor dizendo, num primeiro momento, a crise pode, sim, nos levar ao berço aconchegante. Mas, em seguida, depura e tempera o ânimo dos mais destemidos para os novos desafios que a história levanta. É assim que, tomando a metáfora de Guimarães Rosa, no pranto e na coragem, cada crise tende a abrir novas veredas no grande sertão da vida humana, como também na Vida Religiosa. Nascer e crescer só é possível através da dor.
Este segundo momento da crise pode ser entendido com a noção de encruzilhada. Esta noção, como sabemos, pressupõe dois aspectos complementares e característicos da complexidade dos tempos atuais: bifurcação de caminhos, por uma parte, necessidade de opção, por outra. No cenário da Vida Religiosa hodierna, esses dois aspectos estão presentes e entrelaçados como nunca. A bifurcação de caminhos se manifesta nas novas formas de vida consagrada. Em termos mais ortodoxos de fechamento e isolamento, há os que procuram se proteger frente aos "perigos da vida moderna"; em termos da busca de um testemunho simultaneamente mais autêntico e mais visível, especialmente nos lugares mais sórdidos do meio urbano, há os que remontam a experiências do passado, tentando adotá-las sem uma devida transposição cultural.
Já a opção entre os vários caminhos da encruzilhada torna-se cada vez mais difícil e laboriosa. Diante de uma sociedade crescentemente apelativa, permissiva e agressiva, o discernimento criterioso é quase um milagre. A força persuasiva do marketing e da publicidade estimula os desejos, insinua as escolhas, impõe os gostos. As manifestações do sagrado em geral e da Vida Consagrada em particular não estão imunes ao império e à sedução da propaganda. O fascínio dos modismos entra pelas brechas de nossas comunidades religiosas, como o pó invisível da poluição penetra pelas portas e janelas mais cerradas. As mesmas contradições que dilaceram o tecido social também dilaceram as diferentes organizações da Igreja. Esta nunca foi e nunca será uma "arca de Noé" ao abrigo da tormenta ou das vitrines profusamente iluminadas da "sociedade do espetáculo" (Guy Debord).
Se admitimos que a Vida Religiosa, atualmente, "geme e sofre as dores de parto" (Rm 8, 22) e que a crise já nos está levando à encruzilhada, então é hora de colocar-nos corajosamente na confluência dos caminhos, e aí fazer as perguntas certas, digerir e enfrentar suas dúvidas. Só assim será possível amadurecer a tarefa do discernimento e das novas opções. Basta de lamentar e de acariciar mágoas e culpas como se fossem animais de estimação! É hora de agir, de avançar em direção à fronteira! Por outro lado, essa tarefa lenta e difícil das escolhas não ocorre fora do contexto mais amplo da mudança de paradigma, nem fora de uma situação socioeconômica e político-cultural cada vez mais complexa.
Crise e encruzilhada tendem a nos desnudar diante do espelho. Tende também a um olhar retrospectivo. Não um olhar de retrocesso ou o andar de caranguejo, mas uma consulta à trajetória histórica, em vista de avanços que, em meio à bifurcação, nos permitam novas opções, ao mesmo tempo criteriosas e ousadas. Numa palavra, um olhar ao retrovisor que nos faça extrair as pérolas ocultas na memória de nossas ordens, congregações e institutos, nos revista de humildade para aprender com a sabedoria dos antepassados, e em seguida nos dê a segurança suficiente para acelerar o ritmo de nossos projetos e de nossos passos.
Beber das próprias fontes
Em termos de Vida Religiosa, olhar o espelho é voltar às raízes, beber das fontes originárias. Na origem, a água é mais fresca e cristalina, mais apta a matar a sede. Reforça o alento para seguir o caminho, por mais longo e íngreme que seja. No conjunto da vida consagrada, três fontes são indispensáveis, primordiais e inegociáveis: a Palavra de Deus, concentrada no evento Jesus Cristo, como fonte geral; o carisma de cada ordem, Congregação ou Instituto, como fonte específica; o clamor dos oprimidos como fidelidade à opção evangélica pelos pobres.
No caso da primeira fonte, Jesus que "passou pelo mundo fazendo o bem" (At 10,38) revela não apenas a face oculta do Pai. Revela também as potencialidades mais profundas e às vezes adormecidas no interior de cada ser humano. Em verdade, este foi "programado" em sua natureza para uma constante superação de si mesmo, até atingir a dimensão do encontro com o divino. "De Deus viemos e não descansaremos enquanto não voltarmos para Ele", recorda Santo Agostinho. "Pois nele vivemos, nos movemos e existimos" (At 17, 28).
O seguimento de Jesus Cristo, na Vida Religiosa, é a expressão máxima dessa contínua superação. Semelhante caminho requer, entre outras coisas, a kenosis de que nos fala o apóstolo Paulo (Fl 2,6-11). O que significa a humildade de admitir e tentar vencer as próprias fraquezas e limitações, caminho que somente é possível com uma abertura transparente à graça de Deus e à luz do Espírito. Carregamos o tesouro em vasos de barro e sabemos, ainda com Paulo, que na fraqueza é então que sou forte. Em poucas palavras, o seguimento exige cultivo de uma intimidade prolongada e persistente com o Deus de Jesus Cristo, o inefável "Abba" da montanha.
A segunda fonte nos leva a retomar a herança dos respectivos fundadores ou fundadoras. A leitura da palavra de Deus concretiza-se num rosto e/ou numa situação específica da condição de vida dos pobres. Aqui, imitar não é a melhor forma de seguir. Ao contrário, pode levar a uma inconsciente traição das necessidades prementes da realidade. Seguir é recriar o espírito do carisma frente aos desafios de hoje. A expressão já consolidada da fidelidade criativa exige, por um lado, o aprofundar-se na espiritualidade originária e, por outro, a ousadia de atualizar constantemente o carisma em meio às "mudanças rápidas e profundas" (Gaudium st Spes, nº 4). Nem precisa acrescentar que a vivência do carisma é indissociável da vida comunitária e fraterna, do querer-se bem em meio a uma sociedade que prega o culto do "eu", da personalidade, da celebridade, do individualismo exacerbado. Trata-se de reproduzir o ambiente da casa/família das primeiras comunidades cristãs.
Por fim, e não por último, o clamor dos pobres será sempre nosso juiz histórico. É a partir do que fazemos ou deixamos de fazer diante dos indefesos, que a Vida Religiosa ganha sua razão de ser. Nada disso constitui novidade. Basta reler o capítulo 25 do Evangelho de Mateus, o episódio do Bom Samaritano, os dois retratos do cristianismo primitivo nos Atos dos Apóstolos (2,42-47; 4,32-35), entre tantos outros textos. Nossos votos de pobreza, castidade e obediência, longe de representar uma castração, nos tornam mais ricos da graça de Deus, mais fecundos nas relações humanas e mais livres no projeto do Reino.
O contato com a vida ameaçada dos excluídos, a corajosa descida aos infernos do sofrimento humano, a inserção as favelas e periferias, nas ruas e porões da sociedade, nas prisões e assentamentos, nas comunidades indígenas ou afro-brasileiras... Tudo isso concretiza a opção preferencial pelos pobres, que não significa uma predileção pelos "bons", e sim a compaixão evangélica pelas vítimas da história. Nesses "infernos humanos" é que se revela o rosto misericordioso do Pai. A intimidade com Deus na montanha e a vida fraterna na casa se complementam com a permanente abertura aos caminhos da história.
O que nos manterá de pé como religiosos e religiosas não são os títulos, as contas bancárias, o prestígio, o profissionalismo, as ideologias, a capacidade de produzir, fazer e aparecer, ou sei lá mais o quê! Neste momento de crise-encruzilhada, o segredo é voltar os olhos para a montanha, a casa/família e o caminho. São as três dimensões que nutrem nossa fé e nossa esperança, para fortalecer nossa caridade solidária. Os únicos poços que podem matar nossa sede. Ou buscamos esses poços de sabedoria ou perecemos como mulheres e homens mal consagrados. O vendaval e os modismos da pós-modernidade rugem furiosamente em nossas janelas, uma avalanche de objetos nos fascina pela telinha da TV, o ativismo nos seduz, mas "uma só coisa é necessária", diz o Mestre (Lc 10, 38-42).
Esperar contra toda esperança
Encruzilhada não é lugar de buscar respostas fáceis e imediatas para perguntas complexas. É lugar de parar e silenciar, escutar e compreender, "guardar e meditar sobre todas essas coisas em seu coração", como fazia Maria (Lc 2, 19. 51). Só o silêncio e a escuta serão capazes de engendrar palavras novas e criativas para os desafios da história. É mais fácil continuar caminhando velozmente do que deter os passos para, diante da bifurcação de caminhos, estudar a melhor forma de prosseguir. "Vinde vós, sozinhos, a um lugar deserto e descansai um pouco..." (Mc 6, 31). Em momentos como este, a tentação é de deixar-se arrastar pela voracidade dos critérios capitalistas de produtivismo e consumismo. Ou seja, tenta-se encobrir a apatia visível por uma atividade alucinada, que oculta o aparente vazio de nossas existências e impede uma reflexão mais profunda. Com isso, não raro, os critérios do sistema capitalista passam a orientar também a prática pastoral e libertadora.
Quando somos impelidos, como máquinas, por esse ritmo avassalador, que é também devastador da natureza, dos outros e de nós mesmos, é hora de ouvir a suave melodia do salmista: "fiz calar e sossegar a minha alma; ela está em grande paz dentro de mim, como a criança bem tranqüila, amamentada, no regaço acolhedor de sua mãe" (Sl 130). O que não significa passividade e indiferença diante do sofrimento alheio, mas uma atividade que se sabe limitada e que, por isso, permanece constantemente aberta à ação do Espírito na história. Faço o que está ao meu alcance, mas a obra é de Deus. Ainda que eu me equivoque, Ele saberá como orientar meus atos. "É um retiro da praticidade para salvar a praticidade", diz com razão Bernard Lonergan (Insight).
Significa, no fundo, colocar-se inteiramente à disposição do Espírito, focalizando todas as energias no protagonismo histórico dos pobres. Cientes, porém, de que toda a ordem social e todo o projeto humano são limitados e provisórios. O Reino de Deus não cabe em nenhum partido, em nenhuma organização social, em nenhuma formação econômica ou política, nem sequer nas fronteiras estreitas da Igreja, "santa e pecadora", como lembra a liturgia.
Em meio às atividades do dia-a-dia, deixar espaço para a irrupção de Deus na história, para as surpresas do espírito que "sopra onde quer" (Jo, 3, 8). Quantas vezes tentamos manipular a novidade de sua presença na vida de cada ser humano e na vida da humanidade! A crise-encruzilhada traz uma nova sabedoria: acreditar não tanto na colheita visível, imediata e espetacular. No mundo atual somos facilmente levados a isso pelo apelo da moda e de suas exigências, pelo "império do efêmero" (Gilles Lipovetsky). Difícil é "esperar contra toda a esperança" (Rm 4,18): crer na semente que matura no silêncio escuro da terra e que, antes de buscar o sol, mergulha as raízes no solo úmido pelas lágrimas da dor e do sofrimento.

* Alfredo J. Gonçalves, CS, superior provincial dos missionários carlistas e assessor das pastorais sociais.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Lectio Divina de Lucas 9,51-62 - 13º Domingo do Tempo Comum

Por: Patrick Silva

Quando ia se completando o tempo para ser elevado ao céu, Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém. Enviou então mensageiros à sua frente, que se puseram a caminho e entraram num povoado de samaritanos, para lhe preparar hospedagem. Mas os samaritanos não o queriam receber, porque mostrava estar indo para Jerusalém. Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu, para que os destrua?” Ele, porém, voltou-se e os repreendeu. E partiram para outro povoado.
   Enquanto estavam a caminho, alguém disse a Jesus: “Eu te seguirei aonde quer que tu vás”. Jesus respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Então disse a outro: “Segue-me.” Este respondeu: “Permite-me primeiro ir enterrar meu pai”. Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai e anuncia o Reino de Deus”. Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos de minha casa”. Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.” (Lucas 9,51-62)

1. LECTIO – leitura
    Lucas assinala o inicio da segunda parte do seu evangelho com a decisão de Jesus de rumar até Jerusalém. Durante a primeira parte, Lucas situou Jesus caminhando na Galileia, agora Jesus parte em direção a Jerusalém. A “caminhada” que Jesus aqui inicia com os discípulos é mais teológica do que geográfica. Lucas apresenta, sobretudo, uma caminhada espiritual, ao longo da qual Jesus vai mostrando aos discípulos os valores do “Reino” e os vai presenteando com a plenitude da revelação de Deus. Todo este percurso que aqui se inicia converge para a cruz: ela vai trazer a revelação suprema que Jesus quer apresentar aos discípulos e nela vai irromper a salvação definitiva. Os discípulos são exortados a seguir este “caminho”, para se identificarem plenamente com Jesus…
   O trecho do evangelho começa por recordar a decisão (firme, isto é, decidida) de Jesus de caminhar rumo a Jerusalém. As dificuldades começam de imediato; os Samaritanos recusam dar hospitalidade porque Jesus caminho rumo a Jerusalém. Os discípulos ficam furiosos. Após este primeiro momento, o evangelho “oferece” alguns encontros de Jesus com gente que parece disposta a seguir Jesus na caminhada, mas antes de se serem aceites Jesus “verifica” a veracidade dessa vontade.
   Na primeira parte (vers. 51-56), o cenário de fundo situa-nos no contexto da hostilidade entre judeus e samaritanos. Trata-se de um dado histórico: a dificuldade de convivência entre os dois grupos era bem conhecida. Os peregrinos que rumavam a Jerusalém para as grandes festas de Israel procuravam evitar a passagem pela Samaria. A primeira lição de Jesus ao longo desta “caminhada” é a atitude que os discípulos devem assumir face ao “ódio” do mundo. Que fazer quando o mundo tem uma atitude de rejeição face à proposta de Jesus? Tiago e João pretendem uma resposta agressiva, face à hostilidade manifestada pelos samaritanos (a referência ao “fogo do céu” leva-nos ao castigo que Elias infligiu aos seus adversários – veja 2 Re 1,10-12). No entanto, Jesus avisa-os que o seu “caminho” não passa nem passará nunca pela imposição da força, pela resposta violenta, pela prepotência (no seu horizonte próximo continua a estar apenas a cruz e a entrega da vida por amor: é no dom da vida e não na prepotência e na morte que se realizará a sua missão).
   Na segunda parte (vers. 57-62), Lucas apresenta, através do diálogo entre Jesus e três candidatos a discípulos, algumas das condições para percorrer, com Jesus, esse “caminho” que leva a Jerusalém. O primeiro diálogo sugere que o discípulo deve despojar-se totalmente das preocupações materiais: para o discípulo, o Reino tem de ser infinitamente mais importante do que as comodidades e o bem-estar material. O segundo diálogo sugere que o discípulo deve desapegar-se desses deveres e obrigações que, apesar da sua relativa importância (o dever de sepultar os pais é um dever fundamental no judaísmo), impedem uma resposta imediata e radical ao Reino. O terceiro diálogo sugere que o discípulo deve desapegar-se de tudo (até da própria família, se for necessário), para fazer do Reino a sua prioridade fundamental: nada – nem a própria família – deve adiar e demorar o compromisso com o Reino.

2. MEDITATIO – meditação
+ Aos discípulos de Jesus, é proposto o “caminho” rumo a Jerusalém. Trata-se de um “caminho” que implica a renúncia de si mesmos, dos próprios interesses, do orgulho próprio, um compromisso com a cruz, com a entrega da vida, com o amor até às últimas conseqüências. Esta disposto a ser discípulos ao estilo de Jesus?
+ Jesus recusa responder à oposição e à hostilidade do mundo com qualquer atitude de violência, de agressividade, de vingança. No entanto, às vezes parece ser uma resposta que os discípulos dão face à oposição, como se poderá evitar essa atitude?
+ O “caminho” de seguimento a Jesus é exigente. O que é que ainda o impede de concretizar um compromisso total com o “Reino”?

3. ORATIO – oração
   Peça a Deus para lhe falar da passagem de hoje. Diga-lhe honestamente como você se sente sobre isso. Se você realmente quiser ser um de seus discípulos, peça ao Espírito Santo para o ajudar nas áreas de sua vida que você acha mais difícil de entregar a Deus. Peça a Deus para o ajudar a focalizar em servi-Lo e não se distrair com coisas que levam para fora do curso.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
   Considere o Reino de Deus. Que influência tem na sua vida? Considere o que realmente significa seguir Jesus e ser seu discípulo.

5. MISSIO – missão
“Uma das principais qualidades do missionário é a determinação e a força de vontade. Para ser um verdadeiro missionário é preciso ter vontade firme e ser constante. Deus não tolera as meias-vontades; estas jamais conseguirão realizar coisa alguma”. José Allamano

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Queridos irmãos no ministério laical

Por: Edil Tadeu P. França


Ao estudarmos chegamos a conclusão que Jesus além de ser o IMPLANTADOR do serviço laical da Igreja (At 1,1), era também o DEFENSOR (Mt 26,1.10-12) e INCENTIVADOR (Mt 28,9-10). Pensemos:

I — Quem é o LEIGO?
"Quem não é clérico"; laico; laical; "quem é estranho a um assunto"; desconhecedor. Na Igreja fala-se de quem não é ordenado ministro por uma convenção sacramental.

II – A IMPORTÂNCIA A PARTIR TAREFAS COM OS LEIGOS:
1. Precisamos tirar a “falsa idéia” de que o leigo ou o ministro NÃO- ORDENADO são obrigados a fazer tudo (Ef 4,14-16; 1Cor 12,12-31);
2. Dar ao leigo uma melhor compreensão do trabalho pastoral;
3. Aproveitar o potencial do leigo no seu círculo de influência (At 10,23-24; Jo 4,25-30.39-42);
4. Tornar o funcionamento da Igreja mais eficaz (Ex 18,14-15.17-19; Lc 10,2; At 8,1-4);
5. Dar ao leigo a satisfação de realizar algo para Deus (Lc 10,1-18);
6. Motivar o leigo para o ministério (Lc 10,2).

III – RAZÕES PRÁTICAS DAS NECESSIDADES DOS LEIGOS:
1. Não se pode esperar trabalho de quem não foi ensinado a trabalhar (Rm 10,15a);
2. A execução de trabalho de forma errada é pior do que não fazer nada (Lc 9,54-56; Mc 9,31-39);
3. Quanto melhor treinado mais produtiva a pessoa se torna (At 2,1-41; 9,31; 4,1-4);

IV – RESULTADOS DOS ENSINAMENTOS AOS LEIGOS:
1. Uma pessoa bem ensinada torna-se bom mestre (2Tm 2,2);
2. Há sempre algo que podemos aprender para melhor desempenhar o trabalho (Pv 9,9);
3. Quando ensinamos a alguém, nós também aprendemos (Rm 2,21a).

V – ASPECTOS IMPORTANTES DO ENSINAMENTO DE LEIGOS:
1. Demonstração – mostrar ao leigo sua importância no serviço da Igreja;
2. Motivação – motivar o leigo dando-lhe METAS DE TRABALHO (1Cor 9,26);
3. Reconhecimento – reconhecer o leigo pela prática de seus trabalhos;
4. Elogio – elogiar o leigo pelos trabalhos já executados ou em execução (Fp 4,3; Rm 16,3-4.6.12).

VI – RESPONSABILIDADE DO TREINAMENTO DE LEIGOS - "DO MINISTÉRIO"
1. Jesus foi o grande treinador de leigos (At 1,1; 4,13);
2. O ministério é dado por Jesus à Igreja (Lc 12,12-13; Ef 4,11-12);
3. Ao ministério, Jesus deu a incumbência do treinamento de leigos (Ef 4,12-16; Mt 28,19-20 (ARA).

VII - ÁREAS DE ATUAÇÃO DOS LEIGOS NA INTEGRAÇÃO:
1. A Recepção:
    1.1 - A correta ocupação no recinto das ações religiosas;
    1.2 - A saudação calorosa (Lc 10,5-6);
          — Cumprimentos na chegada e saída.
          — Apresentação durante A ASSEMBLEIA OU CELEBRAÇÃO.

2. Generalidades:
    — O Pai e o Filho a PRATICARAM - visitou lares e famílias e ordenou seus discípulos fazerem o
         mesmo (Mt 10,12; Lc 10,5; Jo 2,2);
    — O Espírito Santo a ORDENOU (At 10,19-27);
    — João PROMETEU visitar o POVO DE DEUS (2Jo 12);
    — Paulo era VISITADOR EMÉRITO;
    — A Igreja primitiva EVANGELIZAVA DE "CASA EM CASA" (At 5,42).

NOTA: Os GRUPOS FAMILIARES são uma variação da VISITAÇÃO (At 16,23; Rm 16,5-23). É com certeza o verdadeiro sistema de "INTEGRAÇÃO DE LEIGOS"

Que os ministérios se despertem para tão importante e rendoso trabalho. Tente, busque e quem sabe tudo se encaixará


 
Edil Tadeu P. França é teólogo leigo do setor Barueri (diocese de Osasco/SP)



sábado, 19 de junho de 2010

20 de junho - Festa de N.Sra. Consolata


Celebrar a Consolata é para nós, missionários e missionárias da Consolata, celebrar aquela que deu origem à nossa família missionária. O Bem-aventurado José Allamano recorda vezes sem fim que a “fundadora” dos institutos tinha sido a Consolata. Na verdade, os 46 anos que passou como reitor do Santuário da Consolata em Turim, fizeram do Allamano um profundo devoto da Consolata. Ali aconteceu a sua vida e dali aconteceu uma outra vida: a sua família missionária. Dizem que muitas vezes o encontravam em contemplação silenciosa no santuário, mirando ao quadro da Consolata que se encontra naquele santuário. Dessa contemplação surgiu a inspiração para as fundações que concretizou. Se ele sempre assumiu que foi a Consolata quem “inspirou” também afirmava que nunca perdia o sono por causa das suas fundações, pois colocava tudo nas mãos da Consolata. Hoje, Consolata é sinónimo de missão. Daquele santuário partiram missionários e missionárias que se espalharam pelo mundo, nos quatro quantos do mundo tem um quadro, uma estátua da Consolata. A Consolata tornou-se missionária por excelência. A nós que a trazemos no peito de modo especial é um santo orgulho que sentimos ao celebrar a sua festa. A festa da nossa mãe. Junte-se a nós louvando a Deus pelas grandes maravilhas que operou por nós. Boa festa Consolata.

9º Dia - Novena Consolata (19 de junho)

“Não tenhamos medo de ser muito devotos de Maria, de honrá-la em demasia” (Bv. José Allamano).
Querida Mãe Consolata, ao terminar esta novena, queremos agradecer todo o seu amor para conosco e para com os nossos amigos. Obrigado por ter atendido nossos pedidos! Colocamo-nos em suas mãos, para nunca nos sentirmos sozinhos. E lembre-se que uma mãe nunca se esquece de seus filhos, ainda que, por vezes, eles esqueçam de sua mãe. Abençoa-nos!

Pai nosso ... Ave Maria ... Glória ao Pai...

Virgem Consolata, Rogai por nós!
 
Oração:
Ó Deus, que por meio da Virgem Maria quisestes dar-nos a verdadeira consolação, Jesus Cristo, concedei a nós que a veneramos com o título de Consolata, colaborar com Ela na obra da Redenção. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Oremos: Senhor Jesus Cristo, em vossa inefável providência quisestes que tudo recebêssemos por meio de vossa Mãe Maria, fazei que, ao venerá-la com o nome de Consolata, mereçamos sempre gozar a alegria e o conforto do seu auxílio e proteção. Vós que sois Deus, com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Conheça riscos do uso intenso da rede

Especialistas em ciberpsicologia acreditam que exposição à tecnologia pode causar mudanças na personalidade

Estudos sugerem que a dependência excessiva de telefones celulares e da internet assemelha-se a um vício

Por: TARA PARKER-POPE - DO "NEW YORK TIMES"

Os seus amigos do Facebook são mais interessantes que os da vida real? A internet de alta velocidade lhe deixou impaciente com as crianças? Você às vezes pensa em pressionar o botão de avançar somente para perceber que a vida não vem com controle remoto?

Se você respondeu sim a uma dessas questões, a exposição à tecnologia pode estar lentamente remodelando a sua personalidade. Alguns especialistas acreditam que o uso excessivo de internet, telefones celulares e outras tecnologias pode nos deixar mais impacientes, impulsivos, esquecidos e até mesmo mais narcisistas.

"Cada vez mais, a vida está se parecendo com uma sala de bate-papo", disse Elias Aboujaoude, diretor da clínica de transtornos do controle de impulsos em Stanford. "Nós estamos pagando um preço em termos de vida cognitiva por causa de nosso estilo de vida virtual." Nós gastamos muito tempo com nossos dispositivos, e alguns estudos têm sugerido que a dependência excessiva de telefones celulares e internet assemelha-se a um vício.

Sites como o NetAddiction. com oferecem testes autoavaliativos que determinam se a tecnologia se tornou uma droga para o usuário. Você negligencia as tarefas domésticas para passar mais tempo on-line? Você está checando seus e-mails a todo momento? Você costuma perder horas de sono porque está acessando a internet durante a madrugada?

Essas são algumas das questões usadas a fim de determinar quem está em situação de risco. Se você respondeu "frequentemente" ou "sempre", a tecnologia pode estar prejudicando-o. Em um estudo que será publicado no periódico "Cyber- psychology, Behavior and Social Networking", pesquisadores da Universidade de Melbourne (Austrália) conduziram testes com 173 estudantes universitários a fim de avaliar o risco de comportamento problemático na internet e em jogos de aposta.

Cerca de 5% dos estudantes mostraram sinais de problemas com jogo, e 10% tiveram pontuações suficientemente altas para os colocarem dentro da categoria de risco de "vício" em internet. O imediatismo da internet, a eficiência do iPhone e o anonimato das salas de bate-papo talvez possam mudar a essência de quem nós somos.

São questões como essa que Aboujaoude explora em "Virtually You: the Internet and the Fracturing of the Self" (Virtualmente você: a internet e a fragmentação do indivíduo, em tradução livre), livro que deve ser lançado no ano que vem nos EUA.

Aboujaoude também questiona se o imenso espaço para armazenamento disponível em e-mail e na internet não impede que muitos usuários não consigam esquecer o passado, guardando muitas memórias antigas e desnecessárias que prejudicam a formação de novas experiências. Atualmente, tudo pode ser salvo, desde e-mails sem importância, enviados após um almoço de negócios, até discussões furiosas on-line entre marido e mulher, salientou ele.

Não há tampouco uma forma fácil de controlar uma dependência em tecnologia. Nicholas Carr, autor do recente livro "The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains" (O superficial: o que a internet está fazendo com os nossos cérebros, em tradução livre), disse que as responsabilidades sociais e familiares, o trabalho e outras pressões influenciam o nosso uso da tecnologia.

"Quanto mais profunda a inserção de uma tecnologia em nossa rotina diária, menores as escolhas de quando e como usá-la", escreveu Carr em uma postagem recente em um blog.

Tradução de FABIANO FLEURY DE SOUZA CAMPOS

Fonte: Folha de São Paulo, 16 de junho de 2010 - página F5.



quinta-feira, 17 de junho de 2010

8º Dia - Novena Consolata (18 de junho)

“A Virgem Maria, tem muitos títulos; mas ela é uma só. Nós devemos ter uma especial devoção por este título de Consolata. Devemos sentir-nos honrados em tê-la por nossa Padroeira” (Bv. José Allamano). 
Ó Mãe Consolata, que sintamos orgulho de poder lhe amar e honrar com este nome. Hoje o mundo precisa tanto de consolação e de esperança. Suplicamos: continua oferecendo a todos a única e verdadeira consolação, Jesus Cristo; e que nós sejamos instrumentos de Deus para aliviar as dores e os sofrimentos dos desconsolados. 

Pai nosso ... Ave Maria ... Glória ao Pai... 

Virgem Consolata, Rogai por nós!
 
Oração:
Ó Deus, que por meio da Virgem Maria quisestes dar-nos a verdadeira consolação, Jesus Cristo, concedei a nós que a veneramos com o título de Consolata, colaborar com Ela na obra da Redenção. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Oremos: Senhor Jesus Cristo, em vossa inefável providência quisestes que tudo recebêssemos por meio de vossa Mãe Maria, fazei que, ao venerá-la com o nome de Consolata, mereçamos sempre gozar a alegria e o conforto do seu auxílio e proteção. Vós que sois Deus, com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém
 

7º Dia - Novena Consolata (17 de junho)

   “A Virgem Maria é Mãe. Ela em Deus e com Deus pode tudo. Ela é a tesoureira e dispenseira de todas as graças” (Bv. José Allamano).
   Quem entre nós não precisa de graças, favores e da bênção de Deus? Quantas vezes nos sentimos cansados, fracos, necessitados de alguém para nos confortar! Nós pedimos, ó Mãe Consolata, que interceda junto a Deus, os favores que mais precisamos neste momento; para nós e para todos os que partilham a nossa vida de cada dia.

Pai nosso ... Ave Maria ... Glória ao Pai...

Virgem Consolata, Rogai por nós!
 
Oração:
Ó Deus, que por meio da Virgem Maria quisestes dar-nos a verdadeira consolação, Jesus Cristo, concedei a nós que a veneramos com o título de Consolata, colaborar com Ela na obra da Redenção. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Oremos: Senhor Jesus Cristo, em vossa inefável providência quisestes que tudo recebêssemos por meio de vossa Mãe Maria, fazei que, ao venerá-la com o nome de Consolata, mereçamos sempre gozar a alegria e o conforto do seu auxílio e proteção. Vós que sois Deus, com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Lectio Divina do texto de Lucas 9,18-24 - 12º Domingo do Tempo Comum

Por Patrick Silva

Jesus estava orando, a sós, e os discípulos estavam com ele. Então, perguntou-lhes: “Quem dizem as multidões que eu sou?” Eles responderam: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; outros ainda acham que algum dos antigos profetas ressuscitou”. Mas Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”. Mas ele advertiu-os para que não contassem isso a ninguém. E explicou: “É necessário o Filho do Homem sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, no terceiro dia, ressuscitar”. Depois, Jesus começou a dizer a todos: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar sua vida a perderá, e quem perder sua vida por causa de mim a salvará. (Lucas 9,18-24)

1. LECTIO – leitura
Lucas ama mostar Jesus como um mestre peregrino, assim, encontramos Jesus num permanente caminhar de um lado para o outro levando a Boa Nova do reino de Deus a todo o povo. Neste caso concreto estamos na fase final da etapa da Galileia. Ao longo deste caminhar, alguns foram se juntando a ele, formou-se um grupo de discípulos que se sentem entusiasmados com o agir deste mestre singular. A caminhada, porém, chegou a um momento decisivo: a subida a Jerusalem, antes de entrar nela, Jesus faz uma “sondagem”: quem dizem as pessoas que eu sou? Todo o evangelho é marcado por esta pergunta, que logo a seguir fica pessoal para aqueles que o acompanham de perto.

O ponto de partida deste episódio é a revelação de que Jesus reza a sós, este que é um outro elemento que o evangelista Lucas gosta de ressaltar. Lucas mostra como Jesus, antes de algo importante, reza. Dando a entender que a ação de Jesus não é capricho pessoal, mas um realizar da vontade do Pai.

A caminhada chegara a um momento decisivo e Jesus quer fazer uma espécie de balanço daquele que foi a sua missão até aquele ponto, assim, lança uma curta “sondagem”: quem dizem as multidões que eu sou? É importante recordar que aquela época era marcada pelo sofrimento do Povo de Deus, que tinha gerado uma enorme expectativa messiânica. Asfixiado pela dor que a opressão trazia, muitos sonhavam com a chegada de um libertador anunciado pelos profetas. Assim, não é de espantar que “surgissem” alguns clamando ser os tais “enviados de Deus”, os quais criavam à sua volta um clima de ebulição, arrastavam atrás de si grupos de discípulos exaltados e acabavam, muitas vezes, aniquilados pelas tropas romanas. Deste modo Jesus quer saber o que pensam as pessoas sobre a sua ação/missão. Aparentemente, Jesus não é considerado pelas multidões “o messias”: o Povo identifica-o, preferentemente, com Elias, o profeta que os judeus consideravam estar junto de Deus, responsável pelo anúncio do grande momento da libertação do Povo de Deus (vers. 19); talvez as atitudes e a mensagem de Jesus não correspondessem àquilo que se esperava de um rei forte e vencedor. A resposta do povo não está totalmente correta, logo Jesus se volta para os “seus” procurando saber se estes o conhecem de verdade. De fato, é isso que acontece. Pedro não tem dúvidas ao afirmar: “Tu és o messias de Deus” (vers. 20). Dizer que Jesus é o “messias” significa reconhecer nele esse “enviado” de Deus. Jesus parece concordar com a afirmação de Pedro. No entanto, Jesus está consciente que os discípulos sonhavam com um “messias” político, poderoso e vitorioso. Assim, rapidamente desfaz possíveis equívocos e esclarece as coisas: Ele é o enviado de Deus para libertar a humanidade; no entanto, não vai realizar essa libertação pelo poder das armas, mas pelo amor e pelo dom da vida (vers. 22). No seu horizonte próximo não está um trono, mas a cruz: é aí, na entrega da vida por amor, que Ele realizará as antigas promessas de salvação feitas por Deus ao seu Povo.

A última parte do texto (vers. 23-24) contém palavras destinadas aos discípulos: aos de ontem, de hoje e de amanhã. Todos são convidados a seguir Jesus, isto é, a tomar a cruz do amor e da entrega, a derrubar os muros do egoísmo e do orgulho, a renunciar a si mesmo e a fazer da vida um dom. Isto não deve acontecer em circunstâncias excepcionais, mas na vida quotidiana (“tome a sua cruz todos os dias”). Desta forma fica definida a existência cristã.

2. MEDITATIO – meditação
+ Jesus quis saber o que a multidão e os discípulos pensavam que ele fosse, mas agora pergunta para cada um individualmente: quem eu sou para você?
+ O que isso significa em termos práticos para você perder a sua vida e tomar sua cruz diariamente?
+ A multidão esperava um tipo de messias forte e poderoso, Jesus se apresentou com outro estilo, qual das duas propostas está mais próxima de você?
+ O evangelho começa com o detalhe de que Jesus estava em oração a sós, qual a importância da oração na sua vida? Como está de “saúde” a sua vida de oração?

3. ORATIO – oração
Na intimidade da sua oração responda a Jesus, quem ele é para você, não se preocupe se a sua resposta não é a mais correta, mas permita-lhe mudar a sua resposta. No silêncio da sua oração escute a voz de Jesus.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Procure começar o seu dia contemplando um crucifixo, pense em como Jesus pegou na sua cruz e a levou até às últimas conseqüências, você também é convidado a pegar na sua cruz. Não tenha medo.

5 MISSIO – missão
Dia 20 de Junho é dia de Nossa Senhora Consolata. Festa da padroeira dos missionários e missionárias da Consolata. “Nossa Senhora é invocada com diversos títulos. Mas nós honramo-la de modo particular com o título de Consolata. Devemos gloriar-nos de a ter por padroeira. Foi ela quem idealizou o nosso Instituto e é ela que o mantém materialmente e espiritualmente. Ela ama-nos como a mais terna das mães”. José Allamano