Missionário da Consolata na Colômbia e no Equador...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

SER TEOLOGO NOS DIAS DE HOJE

Edil Tadeu Pereira França – LMC

Téologo


Sei que é muito difícil propor-se um modelo de reflexão e interpretação da Palavra de Deus; pois o espírito da comunidade e os traços do pregador precisam favorecer a espiritualidade e a vivencia cristã da forma de evangelizar, e ao assistir um homem de Deus esmurrar a mesa do altar por duas vezes, chegando a derrubar o crucifixo, penso na qualidade de ser teólogo em uma igreja que nos abre para o discurso e a união através de nossa palavra, espelhada na Sagrada Escritura.

O grande sábio dos tempos da Reforma, Erasmo de Roterdam (+1536) observava: que "existe algo de sobre humano na profissão do teólogo", por isso fazer teologia não é uma tarefa como qualquer outra como ver um filme ou ir ao teatro. É coisa seríssima, pois se trabalha com a categoria "Deus" que não é um objeto tangível como todos os demais, Portanto, cabe à teologia ocupar-se também de outras coisas que não Deus, desde que se faça "à luz de Deus". Falar de Deus e ainda das coisas é uma tarefa quase irrealizável. Portanto não pode o teólogo se deixar levar pelas coisas meramente humanas, usando apenas sua capacidade de síntese pegando o fio central de sua pregação de forma harmônica e coerente de acordo com a comunidade, sua história e caminhada, e o jeito hermenêutico de entender a pregação por sua forma cultural. Mas ao falar sob a perspectiva de Deus,  que pressupõe conhecer previamente estas realidades de forma critica e não ingênua, respeitando sua autonomia e acolhendo seus resultados mais seguros. Somente depois deste árduo trabalho intelectual, pode o teólogo se perguntar como fica a comunidade quando confrontada com a experiência da Palavra de Deus? Como se encaixa numa visão mais transcendente da vida e da história?

Para teologizar um povo deve o teólogo ter convicção que o Deus crucificado não é um Deus poderoso e controlador, que trata de submeter os Seus filhos e filhas procurando sempre a Sua glória e honrarias. Mas é um Deus humilde e paciente, que respeita até ao final a liberdade do ser humano, mesmo que nós abusemos uma e outra vez do Seu amor. Não pode aquele que estudou Deus por essência usar de um modo apenas lógico, correndo o risco de enveredar-se por uma teologia que não merece este nome porque é preguiçosa e renuncia a pensar Deus. Apenas pensa o que os outros pensaram ou o que o que disseram, ou apenas suas palavras e intenções; mas a tarefa do teólogo, já ensinava o maior deles, Tomás de Aquino, na primeira questão da Suma Teológica é: estudar Deus e sua revelação e, em seguida, todas as demais coisas "à luz de Deus" (sub ratione Dei), pois Ele é o princípio e o fim de tudo; para daí então se colocar a fazer homilias ou sermões sem ofender a dignidade do homem igreja e a Divindade de Deus Criador. Portanto deve o teólogo ter bom senso para perceber quando seu discurso está animando a assembléia ou a desestabilizando,  é necessário que os teólogos desenvolvam a capacidade de ouvir criticas ou vozes que procuram construir a comunidade; uma vez que falar muito nem sempre significa estar atingindo seus objetivos; e acrescente-se a isto certos vícios gramaticais e uma linguagem ultrapassada ou discursos que transformam as homilias em discursos moralizantes e acusativos.

Em um processo incessante de preparação, através de leituras, cursos, atualizações, deverão nossos teólogos vencerem os obstáculos que limitam a preparação e a adequação ao tempo (cronológico - kronos) celebrativo e a diferença ambiental das comunidades e o anonimato da comunidade urbana, buscando então recuperar a mística litúrgica perdida para o crescimento secularizante dos fiéis, uma vez que a pregação necessita ser mais “convincente e as interpretações imparciais e comunicativas”, uma vez que a  Partilha da Palavra é reduzida à fala, pedindo então um teor mais positivo e comunicante em toda celebração da liturgia. Cabe aos teólogos reconhecerem o significado profundo, que é inesgotável na sua potencialidade e inserir o mistério pascal de Cristo e todas as dimensões da vida humana, através do gesto litúrgico, na vida comunidade. É inevitável que a figura de Cristo sirva de exemplo perfeito de integração vital. Mais que ninguém, deixe captar os encantos da natureza, de onde Ele tirava suas belas parábolas. Ele conhecia profundamente a história do seu povo, e sabia expressar o significado dos seus episódios; e hoje com o máximo de cuidados teologais, procurem os teólogos, dar forma e significados novos também aos ritos antigos, colocando neles os símbolos da entrega de sua vida por amor a toda a humanidade. Nunca deixe então o teólogo transparecer seu egoísmo ou sua pessoa, pois é de conhecimento que ele se diminua a fim de fazer com que o Cristo apareça.

O teólogo no mundo de hoje não pode esquecer que a Comunidade se mantém viva em sua história, pelos ensinamentos de uma forma teologal sejam eles novos ou repensados, porém sem esquecer que no período de Jesus era comum a junção de três elementos: as festas religiosas, o amor a Deus e ao próximo e a fé. Esta tríade se faz presente entre judeus e católicos até os dias atuais, jamais então poderá um teólogo usar do exercício da pregação para endemonizar as festas populares e seus acontecimentos, pois a concepção de espiritualidade está intimamente ligada à concepção de ser humano, basta fazer um estudo  da antropologia filosófica e a antropologia teológica - que integram os dados das ciências humanas - têm uma concepção unitária (não dualista) de ser humano. Mesmo na diversidade de abordagens e com enfoques diferentes, em outras palavras, o ser humano é totalmente (ou, integralmente) corpo, é totalmente vida e é totalmente espírito.

Seria muito interessante que os teólogos fizessem a experiência com as comunidades de unirem-se intimamente com o Cristo pascal, crescendo, e desenvolvendo-se na consolidação da Eucaristia nestes tempos de festas populares, na qual, cada elemento comunitário se une com Cristo na oferta da própria vida ao Pai mediante o Espírito. A vida cristã é fundamentalmente vida em Cristo pelo dom do Espírito, fruto da Páscoa. Ser espiritual significa viver segundo o Espírito de Deus. A espiritualidade tem a ver com tudo o que somos e fazemos, segundo o Espírito. Lembremos que a espiritualidade cristã é uma espiritualidade pascal: cristológica, pneumatológica e trinitária (comunitária - eclesial).

Que os teólogos aprendam como discípulos missionários, servir as comunidades com um amor paternal muito grande, e ter atitudes diferentes das que pude presenciar em uma festa popular; pois  não é colocando-se de forma superior ao Povo de Deus, que iremos dar testemunhos proféticos em nossos sermões, discursos ou homilias; mas sim com a humildade aprendida do Cristo é que transformaremos os corações aquebrantados.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Faleceu Ir. Maria Canisia Gouvea, “mãe dos pobres e das vocações sacerdotais”

Sucumbíos – Equador, 07 de junho de 2011

Queridas irmãs de N. Sra. de Sion e amigos/as em Cristo,

Desde estas terras amazônicas equatorianas, onde estou a três meses em uma missão junto aos povos indígenas da nacionalidade Kichwa , recebi a notícia da partida ao encontro do Pai de nossa querida Ir. Maria Canísia Gouvêa. Por isso, venho expressar meus sinceros sentimentos de amizade e de agradecimento a Deus por seus 60 anos de consagração religiosa a serviço das vocações e do cuidado especial aos pobres, que poderiam descrevê-la como “mãe dos pobres e das vocações sacerdotais”, entre elas a minha. Podemos reconhecer que como Jesus ela entregou sua missão: “Pai, eu te glorifiquei na Terra, completei a obra que me deste a fazer” (Jo 17,4); e como Paulo pode afirmar: “combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé” (2 Tm 4,7).

Conheci a irmã Maria Canísia quando ela ainda vivia seus anos a serviço da comunidade Santa Edwiges, no bairro Bela Vista (em Paraíba do Sul-RJ), no ano de 1995, quando trabalhava num escritório perto da casa onde vivia. Daí fomos nos conhecendo e conversando com ela. Nestes anos, me acerquei mais à Igreja, fiz primeira comunhão e crisma, até que a partir de muitas conversas com ela e com outras pessoas, e vendo seu testemunho de vida, comecei meu caminho de discernimento vocacional.

Tenho que ressaltar a constante confiança em Deus e na Santíssima Virgem Maria (que fazem superar até mesmo os maiores sacrifícios físicos e espirituais) que me deixou a Ir. Maria em todos estes 9 anos de minha formação missionária, religiosa e em vistas de meu sacerdócio no próximo ano.

Por isso, em meio à dor de sua partida ao Pai, mas com a certeza que agora temos uma intercessora junto a Deus, gostaria de agradecer à querida Ir. Maria Canísia por seu exemplo que nos deixou e às irmãs de Sion por tão bela flor de religiosa que acolheram e ofereceram à Igreja de Deus.

Um cordial abraço unidos com minhas orações e amizade... “In Sion Firmata Sum”...


Ir. Júlio Caldeira, imc.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

MINHAS NOTÍCIAS depois de 3 meses em Sucumbíos - Equador...

Querid@s amig@s,
Já fazem 3 meses que cheguei aqui na missão de Palma Roja, em Putumayo (província de Sucumbíos), em plena selva amazônica do Equador, no limite com Colômbia e Peru... Estamos vivendo em plena floresta amazônica equatoriana, muito devastada pela exploração de petróleo e pelo desmatamento incentivado pelo governo para povoar a área... as pessoas que vivem aqui são basicamente campesinos que vieram nos últimos 30 anos e são provenientes de várias partes do Equador (principalmente das montanhas da Cordilheira dos Andes) e da Colômbia (fugidos da guerrilha ou pelos benefícios que tem esta região). Os indígenas que vivem neste município são, na maioria, da etnia Kichwa (se pronuncia kitchua) e vieram como quase-escravos de grandes fazendeiros e militares provenientes de outras regiões do Equador e Peru. Aqui existe muita precariedade no que se refere à saúde, educação, refugiados, condições básicas de vida, etc... No entanto, tem muito a nos ensinar sobre viver bem e em harmonia consigo mesmo, com os outros e com a natureza...

Em meio a tudo isso, nossa comunidade, atualmente está composta por mim, pelos padres Armando Olaya e Antônio Benitez, e pelos seminaristas propedêutas Juan Pablo, Steven e Danilo (todos colombianos)... Nossa vida diária está dividida em momentos de oração, trabalhos manuais (aqui plantamos arroz, mandioca, banana, milho, melancia, repolho e outros apropriados para o clima), estudos pessoais, encontros comunitários e acompanhamento das comunidades indígenas Kichwas que ficam nos rios San Miguel e Putumayo...

Algumas anedotas daqui: só temos luz elétrica das 4h as 7h da manhã e depois das 15h às 22h; a internet mais próxima está a mais de uma hora (e é mais lenta que tartaruga... as vezes para enviar um e-mail eu levo cerca de 5 minutos); uma ligação telefônica para o Brasil custa quase 3 dólares (cerca de 5 reais); aqui não temos carro (andamos de ônibus, carona em caminhonetes e caminhões, caminhamos muito...) nem empregada (fazemos tudo: cozinhar, lavar, limpar...)...  

Pastoralmente atuamos na Pastoral Indígenas: a nível de Equador, da província de Sucumbíos, de Consolata (Missionários e Missionárias e Leigos missionários da Consolata) e, de maneira especial, no acompanhamento a 23 comunidades indígenas Kichwas que estão às margens dos rios San Miguel e Putumayo (afluentes do rio Amazonas), sendo que algumas estão a 4 horas em barco a motor de onde vivemos... trabalhamos com a formação de catequistas, organização e acompanhamento de um grupo de jovens, visitas às famílias e celebrações periódicas a cada dois meses, ajudar na organização das comunidades em seus aspectos de saúde, educação, direitos humanos, etc... Outra atividade é o acompanhamento da Pastoral de Fronteiras nesta região entre Equador, Colômbia e Peru... e, por fim, acompanhar aos jovens que iniciam uma experiência de seminário chamado propedêutico (neste momento são três)...

Nosso Vicariato de São Miguel de Sucumbíos (identificado pela sigla ISAMIS) sofreu uma grande tempestade a cerca de 7 meses com a chegada da congregação ultraconservadora Arautos do Evangelho como administradores... no entanto, as pessoas não aceitaram seu projeto de Igreja que não levou em conta toda a história que viveu esta gente e que levou à construção de uma formosa e organizada Igreja-comunidade-ministerial onde se valorizam e tem a participação todas as vocações (sacerdotes, religiosos, leigos) e que caminha com os “dois pés” (evangelização e pastoral social), respeitando as diferenças de raça (indígenas, negros, campesinos etc.)... Depois de um tempo de resistência, há alguns dias eles deixaram o Vicariato... e, agora, depois da “tempestade” estamos avaliando os estragos (atualmente existe uma profunda divisão na igreja) e organizando para reconstruir melhor... Dom Gonzalo López Marañón, bispo emérito da província equatoriana de Sucumbíos, entra no seu sexto dia de jejum e oração pela reconciliação da província de Sucumbíos (“Para curar feridas e reconciliar Sucumbíos”). Peço vossas orações por nossa igreja de Sucumbíos... ver mais notìcias no blog: isamis2010.blogspot.com

Por agora é o que tenho por contar desta vivencia que estou fazendo, que está sendo alimentada por uma busca de conhecer este povo, sua cultura e maneira de viver... digo-lhes que há muitos momentos de dificuldades, mas outros que me fazem ver que Deus me chamou para estar aqui... e que me dão uma grande alegria... As pessoas pensam que todos os brasileiros sabem sambar e jogar futebol (então os que queiram vir por aqui, já comecem a praticar... hehehehehe)....

Que Deus continue a lhe abençoar e iluminar... Unidos na oração e na amizade...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cómo vivir la Semana Santa?

Por: Julio Caldeira, imc

Los rituales de esta “Grande Semana” se tornaron el corazón de nuestra vida litúrgica…En ella revivimos y celebramos la pasión (condenación, calvario e sus torturas, crucifixión, muerte y resurrección (vitoria sobre la muerte) de Jesús.
  Según el documento de Aparecida, nº 250: “Encontramos a Jesucristo, de modo admirable, en la Sagrada Liturgia. Al vivirla, celebrando el misterio pascual, los discípulos de Cristo penetran más en los misterios del Reino y expresan de modo sacramental su vocación de discípulos y misioneros”.

1)                 Domingo de Ramos (inicio de la celebración de la Semana Santa)
Motivaciones: entrada triunfal de Jesús en Jerusalén para esta gran semana y el anuncio de la Pasión.
a. Se inicia con una exhortación invitando a todos a participaren de la semana santa + evangelio de la entrada de Jesús en Jerusalén + Bendición y procesión con los ramos…
b. Misa (a partir de la Liturgia de la Palabra – leemos la narrativa de la Pasión como motivación para entrar en el espíritu sacrificio y meditativo de esta Semana)

(De Lunes a Miércoles Santo recordamos los últimos momentos de la vida de Jesús y la preparación para celebrar la Pascua)
2)                 Lunes Santo
- Jesús en Betania (en la casa de Lázaro, Marta y María) y su unción como Mesías (por María)
3)                 Martes Santo
- Jesús a la mesa con sus discípulos: anuncio de la traición de Judas y de la negación de Pedro
4)                 Miércoles Santo (conclusión de la Cuaresma)
- Traición de Judas (un día de triste memoria) y preparación para la cena pascual…

5)                 TRIDUO PASCUAL
5.1. Jueves Santo
Motivaciones: Institución de la Eucaristía y del Sacerdocio; Mandamiento del Amor y del Servicio (Lava-pies)
Ambientación: cena festiva
1. Ritos iniciales: motivación y canto; acto penitencial; gloria; oración colecta
2. Liturgia de la Palabra
3. Lava-pies: ceremonial + canto; oraciones de la comunidad
4. Liturgia Eucarística
5. Traslación del Santísimo Sacramento y adoración (opcional) – no hay bendición…
5.2. Viernes Santo
Motivaciones: día de ayuno y abstinencia; recordamos el sufrimiento, pasión y muerte de Jesús (cruz)
Para recordar: 9h = Vía Crucis / 12h = Jesús en la Cruz /
        15h  = Muerte de Jesús
Ambientación: sin nada… una cruz tapada…
Momentos de la Celebración (continuación de ayer):
6. Liturgia de la Palabra + Oración universal
7. Adoración de la Santa Cruz
8. Sagrada Comunión + Oración sobre el pueblo (sin bendición)

5.3. Vigilia Pascual
Motivación: Es el centro de nuestra fe, la celebración más importante del Año Litúrgico
Conmemoramos la resurrección de Jesús
Ambientación: fuego, Cirio Pascual y velas; después del Gloria (manteles, flores…)
Momentos de la Celebración (continuación de ayer)
9. Celebración de la Luz: bendición del fuego = procesión con el Cirio Pascual + pregón pascual
10. Liturgia de la Palabra: recordando la historia de la salvación (7 lecturas AT + 2 lecturas NT): lectura + salmo + oración…
11. Gloria (proclamación de la Pascua) + oración
12. Continuación Liturgia de la Palabra: Romanos y Evangelio
13. Liturgia Bautismal (la mayoría de las partes se hacen se hay bautismos); cuando no hay bautismos se hace la bendición del agua común + renovación de las promesas bautismales + aspersión con el agua…
14. Liturgia Eucarística
15. Bendición Solemne y canto pascual…

6)                 Pascua

Motivación: alegría por la resurrección de Jesús (“fiesta de las fiestas”)
Damos gracias por la nueva vida que nos llega con la resurrección de Cristo el Señor.

(Por tan grande que es esta fiesta, la iremos celebrar en los próximos 7 días: con las narrativas de la resurrección)

“Siguiendo a Jesús en su Pasión, Muerte y Resurrección”

Júlio Caldeira, imc

 “Para esto han sido llamados, pues Cristo también sufrió por ustedes, dejándoles un ejemplo, y deben seguir sus huellas” (1Pe 2,21).

INTRODUCCIÓN GENERAL:

“Esta semana se llama la semana mayor en la Iglesia latina, y san Juan Crisóstomo la llama semana santa, porque en ella recordamos los mayores beneficios que Dios nos ha hecho. Pero no basta que sea santa en sí, se requiere santificarla y comprender bien los misterios que en ella se conmemoran y realizan. El que no se sienta enfervorizado en estos días, no tiene vocación sacerdotal ni misionera. Es preciso sacudirse y orar; a fuerza de encender el fuego, se caldea el ambiente” (Beato José Allamano).
El año litúrgico es cíclico y a cada año revivimos las festividades, los rituales, los textos bíblicos que celebran los varios momentos del Misterio Pascual de Jesús Cristo.
En este periodo, reencontramos el tiempo de celebrar la Pasión, Muerte y Resurrección de Jesucristo, para compartir los dolores de la pasión del pueblo, los signos de norte en la realidad humana y las señales de resurrección que testimoniamos en nosotros y en el mundo.
Con este retiro queremos prepararnos para participar de las celebraciones de la Semana Santa (o Semana Mayor), particularmente del Triduo Pascual. Ojalá vivamos cada momento de esta Grande Semana, para que podamos crecer en la fe y en la vivencia fraterna.
La Semana Santa inicia con la solemnidad de Domingo de Ramos, donde revivimos la entrada triunfal de Jesús en Jerusalén y leemos la narrativa de la Pasión como motivación para entrar en el espíritu austero y meditativo de esta Semana.
Nosotros, particularmente, queremos meditar el pasaje de la Cena del Señor, que muestra el compartir y la grandeza de la humildad, originadas de las propias actitudes de Jesús. Después, mirar el sufrimiento del Dios-encarnado, en las celebraciones de la Pasión y Cruz, que nos insertan en los dolores del pueblo caminante, en la lucha por la sobrevivencia. En seguida, mirar la tentación que hay en quedarnos en una espiritualidad cristiana fijada en la lamentaciones de los dolores del Señor, sin relacionar con los dolores de los fieles, bien como de quedarnos en una espiritualidad del sufrimiento y de la tragedia, sin pasar por el camino de la resurrección.
Tengamos en cuenta que Jesús no quedó en el sepulcro (túmulo), sino que irrumpió de la muerte a la vida. La tristeza de la Pasión y Muerte fue vencida y trasfigurada por la alegría de la Resurrección. Busquemos vivir, en este retiro, los misterios de la liberación del Misterio Pascual, que nos entusiasma a buscar los signos de vida presentes en nuestro mundo actual.

1)             JUEVES SANTO (9h – 11h) – 10h45: Bendición con el Santísimo
Ø Para meditar: institución de la eucaristía y del sacerdocio; proclamación del mandamiento del amor y del servicio.
Ø  “Meditemos la Pasión del Señor y nuestro corazón, si no es de piedra, se conmoverá” (Beato José Allamano)
Ø   Texto Bíblico: Juan 13,1-20
Ø   Para Profundizar:
Ver los acontecimientos del Jueves Santo:
¿Cuáles fueron los acontecimientos más importantes de este día?
¿Qué sacramentos nos dio Jesús en la última cena?
Pensar y juzgar los sentimientos que tenía Jesús:
¿Qué hechos nos llaman más la atención de la cena pascual?
¿Cómo entiendes que Jesús es el sacrificio de la nueva alianza?
¿Qué relación existe entre el sacrificio de Jesús y el mandamiento del amor?
Actuar: de cara a un compromiso personal y comunitario:
¿Qué aplicaciones tiene para la vida esta cena pascual?
¿Qué lecciones guardan para nuestra vida el sacramento de la eucaristía y el del sacerdocio?
¿En qué forma concreta vamos a vivir el mandato del amor en nuestra comunidad?
Ø   Esta mañana: Adoremos al Santísimo Sacramento recordando particularmente nuestra Primera Comunión y el llamado vocacional que nos ha hecho el Señor.


2)             VIERNES SANTO (11h – 12h30)
Ø   Para meditar: pasión, crucifixión y muerte de Jesús.
Ø   “¿Qué es el Crucifijo para un misionero? Es un “libro”, un “amigo” y un “arma”. Un libro para leer y meditar, un amigo que consuela y ayuda, un arma muy potente contra el demonio. No basta con llevar el Crucifijo, también hay que imitarlo” (Beato José Allamano)
Ø   Texto Bíblico: Juan 18,1-19,42 o Juan 19,12-29 (breve)
Ø   Para Profundizar:
Ver los acontecimientos del Vienes Santo:
¿Cuáles son los hechos principales de este día?
¿Cómo se comportan los principales personajes que encontramos?
¿Qué nos enseña Jesucristo en este viernes santo?
Pensar y juzgar los sentimientos que tenía Jesús:
¿Cuáles son los delitos por los que condenaron a Jesús?
¿Qué personajes decidieron su crucifixión?
¿Cuál es la causa de la muerte de Jesús?
Actuar: de cara a un compromiso personal y comunitario:
¿Qué lecciones guarda la muerte de Jesús para los hombres de hoy?
¿Por qué este final de la vida de Jesús debe ser el camino que debemos emprender para que se obre nuestra liberación?
¿En qué forma podemos contribuir a que nuestros pueblos dejen de ser pueblos en viernes santo para transformarse en comunidades pascuales?
Ø   Esta mañana:
Meditemos ante Jesús crucificado y le entreguemos nuestra vida misionera de sacrificios y sufrimientos. Pidamos perdón por nuestros pecados contra la comunidad.


3)             SÁBADO SANTO (14h30 – 16h)
Ø   Para meditar: sepulcro del Señor; descenso a los infiernos; el silencio de María y de los discípulos…
Ø   “Siempre tenemos que tener este espíritu, durante toda la vida: sacrificarnos siempre. La Pasión del Señor nos sostendrá en el cansancio y en los sufrimientos provocados por el apostolado, así como en la misma muerte”” (Beato José Allamano)
Ø   Textos Bíblicos: Juan 20, 38-42 y Romanos 6,1-11
Ø   Para Profundizar:
Ver los acontecimientos del Sábado Santo:
¿Qué piensa que hicieron la Virgen y los apóstoles en este día?
¿Por qué este día se llama sábado santo?
Pensar y juzgar sobre los hechos de este día:
¿Por qué tenemos que alegrarnos en el paso de Jesús al Padre?
¿Qué significado verdadero, en la práctica, tiene la resurrección de Jesús?
Actuar: de cara a un compromiso personal y comunitario:
¿Qué vamos a hacer para continuar esta resurrección?
¿La resurrección de Jesús te da ánimos para realizar la pascua libertadora en tu vida, en tu comunidad, en la Iglesia?
Ø   Esta tarde:
Meditemos sobre nuestro Bautismo y nos preguntemos en qué medida lo hemos asumido en nuestra vida.


4)             DOMINGO DE PASCUA (16h – 18h) – 18h: Eucaristía
Ø   Para meditar: misterio de la resurrección de Jesús.
Ø    “La Pascua es una fiesta que disfrutábamos ya en nuestra infancia, porque es una fiesta que llega al corazón. ‘Cristo, después de resucitar, no muere más, porque la muerte ya no tiene poder sobre él’ (Rom 6,9). Debemos resucitar en el fervor; no sólo del pecado, sino de todas nuestras debilidades. Conservemos siempre el fervor que sentimos en esta fiesta” (Beato José Allamano)
Ø   Texto Bíblico: Mateo 28,1-10
Ø   Para Profundizar:
Ver los acontecimientos del día de Pascua:
¿Has resucitado tú también con el Señor?
¿Cómo se vive el domingo en mi comunidad?
Pensar y juzgar los sentimientos que tenía Jesús:
Qué criterio te merecen estas frases:
-                 Ser cristiano es vivir la resurrección.
-                 Ser cristiano es testimoniar la resurrección.
Actuar: de cara a un compromiso personal y comunitario:
¿Qué nos comprometemos a realizar individual y comunitariamente para hacer visible al resucitado en nosotros?
Ø   Esta tarde: Participemos de la Celebración Eucarística, dónde vivimos semanalmente la memoria de la Pascua de Cristo.

* material preparado para el Retiro mensual – Equipo Misionero y Propedéutico - Palma Roja, 06 de abril de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Situação difícil da Igreja no Vicariato de San Miguel de Sucumbíos - Equador

POR: Júlio Caldeira, imc, missionário em Sucumbíos (Equador)

Este artigo tem a finalidade de informar aos cristãos católicos de língua portuguesa da situação que vive a Igreja do Vicariato de Sucumbíos - Equador.

No dia 28 de outubro de 2010 o Vaticano aceitou a renúncia de Dom Gonzalo López, por idade, que esteve 40 anos à frente do Vicariato e nomeou como Administrador Apostólico do Vicariato, no dia 30 de outubro, o Pe. Rafael Ibarguren Schindler, EP (da Sociedade de Vida Apostólica "Virgo Flos Carmeli" - Arautos do Evangelho, que no Equador também são conhecidos como “Cavalheiros da Virgem”)

1. Protocolo nº 4417/10 da Congregação para a Evangelização dos Povos

Causou muito mal-estar em muitas lideranças a mensagem do Cardeal Días (prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos), datado de 15/11/2010, que questiona algumas atitudes pastorais contrárias à “exigência pastoral da Igreja como tal”, feita por Dom Filipo Santoro, bispo de Petrópolis/RJ (que foi o Visitador Apostólico nomeado pelo Vaticano – sendo que seu relatório nunca foi conhecido).

E continua afirmando que “por tal motivo, o novo Administrador Apostólico terá que organizar o Vicariato e implantar de maneira diferente todo o trabalho pastoral”. E conclui dizendo (o que causou indignação) que “para não impedir neste delicado serviço sua organização, a Congregação considera oportuno que depois da nomeação do novo Administrador Apostólico, Vossa Excelência (Dom Gonzalo) deixe o Vicariato Apostólico transladando-se a um lugar diferente, se possível, a seu País de origem (Espanha)”.

2. Assembleias Diocesanas de Pastoral e divisão entre os católicos

A única reunião entre Pe. Rafael e os Arautos com representantes do Vicariato foi no dia 20 de novembro de 2010 (durante a Assembleia Diocesana Extraordinária – que em ISAMIS é realizada mensalmente).

Dois fatos aumentaram a crise:

a) Os Arautos realizaram uma “Assembléia Extraordinária do ISAMIS” no dia 26 de novembro de 2010 com a presença exclusiva deles, onde “elegeram” um Conselho Jurídico e Econômico formado por Arautos, que foi invalidado pelo Ministério de Justiça, Direitos Humanos e Culto do Governo Equatoriano, em 29/12/2010.

b) No dia 07 de janeiro de 2011 realizou-se a Assembléia Diocesana Extraordinária, instância legitimamente constituída, que não contou com a presença do Pe. Rafael nem dos Arautos (que enviaram a polícia e não justificaram sua ausência). Nesta, as autoridades eclesiais, entre outras coisas, pedem a saída dos Arautos do Vicariato.

Após estes fatos, e vários outros que foram discorrendo com a chegada de uma comitiva dos Arautos do Evangelho, que segundo Pe. Rafael Ibarguren “foi encarregado à comunidade dos Arautos do Evangelho, jovem congregação que conta com vocações e crescimento, o cuidado do Vicariato”, começou-se uma série de acusações, que levou as comunidades cristãs católicas à divisão: por um lado estão os pró-Arautos e, por outro, os contra-Arautos…

Também começaram muitas acusações de atitudes dos Arautos, como ir às comunidades sem comunicar aos responsáveis, demitir funcionários/as “revolucionários/as”, desrespeitar pessoas que trabalham há anos nas pastorais, etc… E, por parte dos Arautos, que os Carmelitas e Dom Gonzalo não levavam com transparências a administração econômica do Vicariato nestes 40 anos, que a Igreja deve se preocupar com “as almas”, deixando o social para o Estado, etc…

3. Aumento das tensões

A divisão aumenta cada vez mais e encontra-se dificuldades de diálogo entre as partes. A Conferência Episcopal Equatoriana (CEE) já enviou uma delegação que contou com três bispos, que não conseguiram colocar as partes em diálogo.

Diante destes fatos, o Ministério de Relações Exteriores, Comércio e Integração, no dia 4 de fevereiro de 2010, em carta dirigida ao Núncio Apostólico Dom Giacomo Guido Ottenelli, reconheceu a Assembléia Diocesana de 7 de janeiro e pediu a investigação das atividades dos Arautos no Vicariato e a nomeação de um bispo que continu o trabalho de Dom Gonzalo.

O grupo que defende a saída dos Arautos (apoiada pelo clero diocesano, por muitos religiosos/as, lideranças comunitárias e sociais presentes no Vicariato), realiza desde 7 de janeiro uma vigília diária na praça em frente à catedral e realizou uma Marcha no dia 11 de março.

A sociedade civil e o Governo (em pronunciamento dos prefeitos da Província e do próprio Presidente da República) pediram a saída dos Arautos do Evangelho de Sucumbíos.

No passado dia 18 de março, o Núncio anunciou que o Vaticano enviará um Legado Papal para buscar solucionar o caso.

DUAS MANIFESTAÇÕES EM LAGO AGRIO: por fim, no dia 20 de março passado, aconteceram, simultaneamente, duas manifestações:
a) A "Marcha Branca pela Paz", organizada pelo Comitê pela unidade e paz entre os cristãos católicos (pró-Arautos), formada basicamente por um público urbano (e da Renovação Carismática) com uma caravana de carros e motos levando "bandeiras brancas".
b) A "Concentração" organizada pelo Comitê pela dignidade de ISAMIS e pela defesa da Rádio Sucumbíos (contra-Arautos), com a ampla participação da população urbana, de campesinos e indígenas (em suas mais diversas organizações).

Conclusão

Esperamos que este conflito se resolva, o mais rapidamente possível, e que a fraternidade volte a imperar entre os católicos de Sucumbíos, bem como se mantenha a vitalidade desta Igreja-Comunidade "Povo de Deus", pois é triste ver esta divisão...

Unamo-nos em oração por esta Igreja de San Miguel de Sucumbíos (ISAMIS) e que o Espírito de Deus ilumine as partes para que se chegue à unidade, “para que todos sejam um, como Tu, Pai, está em Mim e Eu em Ti. E para que também eles estejam em Nós, a fim de que o mundo acredite que Tu me enviaste” (Jo 17,21).

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lectio Divina de Mateus 6,24-34 - 8º Domingo do Tempo Comum

Por: Patrick Silva, imc
Ninguém pode servir a dois senhores: ou vai odiar o primeiro e amar o outro, ou aderir ao primeiro e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro! “Por isso, eu vos digo: não vivais preocupados com o que comer ou beber, quanto à vossa vida; nem com o que vestir, quanto ao vosso corpo. Afinal, a vida não é mais que o alimento, e o corpo, mais que a roupa? Olhai os pássaros do céu: não semeiam, não colhem, nem guardam em celeiros. No entanto, o vosso Pai celeste os alimenta. Será que vós não valeis mais do que eles? Quem de vós pode, com sua preocupação, acrescentar um só dia à duração de sua vida? E por que ficar tão preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo. Não trabalham, nem fiam. No entanto, eu vos digo, nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje está aí e amanhã é lançada ao forno, não fará ele muito mais por vós, gente fraca de fé? Portanto, não vivais preocupados, dizendo: ‘Que vamos comer? Que vamos beber? Como nos vamos vestir?’ Os pagãos é que vivem procurando todas essas coisas. Vosso Pai que está nos céus sabe que precisais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá sua própria preocupação! A cada dia basta o seu mal. (Mt 6, 24-34)
1. LECTIO – Leitura
Continuamos na “montanha” onde Jesus pronunciou seu discurso, discurso esse que nos tem acompanhado ao longo das últimas semanas. Desta vez o texto proposto começa com um “dito” de Jesus  que adverte os discípulos para o uso das riquezas. Jesus afirma a incompatibilidade entre o amor a Deus e o amor aos bens materiais (a palavra grega usada é “mamonas”, que aqui serve para personificar o dinheiro como um poder dominador).  Deus deve ser o centro à volta do qual a pessoa constrói a sua existência. Assim, sempre que a lógica do “ter” domina o coração, o dinheiro ocupa o lugar de Deus e passa a ser um “deus”.  O verdadeiro Deus passa, então, a ocupar um lugar secundário, enquanto que o dinheiro não deixa espaço para qualquer outro valor. Ainda mais que o amor do dinheiro fecha totalmente o coração da pessoa num egoísmo estéril e não deixa qualquer espaço para o amor aos outros.
O evangelista Mateus procura responder às seguintes questões: como deve ser ordenada a hierarquia de valores dos discípulos de Jesus? Os membros da comunidade cristã não se devem preocupar minimamente com as suas necessidades básicas?
Para os discípulos de Jesus, o “Reino” deve ser o valor mais importante, a prioridade da sua vida. Então não é necessário preocupar-se com a comida, a bebida, a roupa, a segurança? Claro que precisamos pensar nessas coisas, porém, são valores secundários, que não devem sobrepor-se ao “Reino”. De resto, não precisamos de viver obcecados com essas coisas, pois o próprio Deus Se encarregará de suprir as necessidades materiais dos seus (“tudo o mais vos será dado por acréscimo” – ver. 33). Aliás, quem aceita o desafio do “Reino” descobre rapidamente que Deus é esse Pai bondoso que preside à história humana, que cuida dos seus. O discípulo que escolheu o “Reino” passa, então, a viver nessa serena tranquilidade que resulta da confiança absoluta no Deus que não falha.
A proposta de Jesus será um convite a viver na alegre despreocupação, na inconsciência, na passividade, no comodismo? Não. As palavras de Jesus são um convite a pôr em primeiro lugar as coisas verdadeiramente importantes (o “Reino”), a relativizar as coisas secundárias (as preocupações exclusivamente materiais) e, acima de tudo, a confiar totalmente na bondade e na solicitude paternal de Deus. De resto, viver na dinâmica do “Reino” não é cruzar os braços à espera que Deus faça chover do céu aquilo de que necessitamos; mas é viver comprometido, trabalhando todos os dias, a fim de que o O Reino de Deus se torne realidade.

2. MEDITATIO – meditação
  • Quais são as prioridades da sua vida? No que é que aposta incondicionalmente a sua vida?
  • O evangelho afirma a incompatibilidade entre o dinheiro e Deus. Se tiver que optar (não em termos teóricos, mas nas situações concretas da vida) entre o dinheiro e os valores do “Reino”, qual a sua escolha?
  • As preocupações do dia a dia o impedem de viver plenamente? O que poderia fazer para resolver tal situação?
3. ORATIO – oração
Num mundo em que o dinheiro se tornou o “único deus”, o discípulo é chamado a colocar a sua confiança e esperança no Deus que tudo “oferece” aos seus. Ore para se libertar de tudo o que impede de depositar tamanha confiança em Deus.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Contemple a beleza de se sentir livre de tudo. Abandone-se as mãos deste Deus generoso e previdente.

5. MISSIO – missão
“Nunca corri atrás do dinheiro e o dinheiro correu sempre atrás de mim.” José Allamano



Lectio Divina de Mateus 5,38-48 - 7º Domingo do Tempo Comum

Por: Patrick Silva, imc
“Ouvistes que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’.Ora, eu vos digo: não ofereçais resistência ao malvado! Pelo contrário, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a acompanhá-lo por um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir, e não vires as costas a quem te pede emprestado. “Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Ora, eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem! Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos. Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os publicanos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Sede, portanto, perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito. (Mt 5, 38-48)
1. LECTIO – Leitura
O “discurso da montanha” continua nos guiando em nossa reflexão. Da última vez nos foi recordado que Jesus não veio para abolir a lei de Moisés, mas para lhe dar pleno cumprimento. No entanto, a perspectiva que o discípulo deve ter perante a lei, deve ser bem diferente daquela que as autoridades religiosas tinham. O evangelista, Mateus, começou apresentando quatro exemplos concretos de como a perspectiva perante a lei deve ser diferente. Neste evangelho, mais dois exemples serão apresentados.
O primeiro exemplo (o quinto da lista) refere-se à conhecida “lei de talião” (vs 38-42). A “lei de talião”, conhecida pela fórmula “olho por olho, dente por dente”, aparece em vários textos (veja Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,21). Apesar de hoje parecer uma lei descabida, era uma lei “aceitável”, pois evitava vinganças excessivas… No entanto, para Jesus uma nova lógica é necessária. O discípulo de Jesus deve terminar com tudo o que gera violência.  Jesus propõe que os membros do “Reino” sejam capazes de interromper o curso da violência, assumindo uma atitude pacífica. A título de clarificação, quatro casos concretos são apresentados. No primeiro (v. 39), pede que não se responda com a mesma moeda ao agressor, mas que se desarme o violento oferecendo a outra face; no segundo (v. 40), recomenda que, diante de uma exigência descabida (entregar da túnica, isto é, da peça de roupa mais fundamental), se responda entregando ainda mais (a capa – roupa que servia para proteger do frio da noite e que a Lei não admitia que fosse retida, senão por um dia (veja Ex 22,25; Dt 24,12-13); no terceiro (v. 41), exige que se acompanhe por duas milhas aquele que quer forçar a ser acompanhado por uma (alguns estudiosos acreditam que este exemplo será tirado de prática frequente das tropas romanas que requisitavam os habitantes do local que os guiassem durante algum tempo); no quarto (v. 42), Jesus recomenda que não se ignore, nem se deixe sem atender aquele que pede dinheiro emprestado… Este conjunto de exemplos concretos aponta numa única direção: os membros da comunidade de Jesus devem manifestar a todos um amor sem medida, que vai muito além daquilo que é humanamente exigido. Dessa forma, eles inauguram uma nova era de relações entre os homens.
O segundo exemplo (o sexto da lista) refere-se ao amor aos inimigos (vs. 43-48). A Lei recomendava: “ama o teu próximo e odeia o teu inimigo”… No entanto, embora haja na Lei uma referência ao amor ao próximo (veja Lv 19,18), não se refere, em lado nenhum, o ódio aos inimigos (o verbo “odiar” pode significar, nas línguas semitas, simplesmente “não amar”; no entanto, certos grupos contemporâneos de Jesus defendiam o ódio aos inimigos: os essênios de Qûmran, por exemplo, pregava o ódio contra os “filhos das trevas”).
Em qualquer caso, o amor ao próximo no tempo de Jesus tinha  adquirido um sentido muito restrito: era o amor aos mais chegados. Ainda que alguns admitissem que todo o judeu era próximo, certamente o “não judeu” estava descartado de ser próximo. Para Jesus o amor deve atingir todos, sem exceção, inclusive os inimigos. Fica, assim, abolida qualquer discriminação; são abatidas todas as barreiras. A motivação é que Deus também não faz discriminação no seu amor. Ele é o Pai que não distingue entre amigos e inimigos, que faz brilhar o sol e envia a chuva sobre bons e maus, que oferece o seu amor a todos, inclusive aos indignos (v. 45).
A expressão final (“sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”) resume o ensinamento destes seis exemplos: viver na dinâmica do “Reino” exige a superação de uma perspectiva legalista, para adotar a perspectiva abrangente de Jesus.

2. MEDITATIO – meditação
  • O evangelhos nos apresenta mais duas “exigências” de Jesus, concorda com essas exigências?
  • Seria capaz de caminhar um “quilômetro” a mais por alguém que não conhece?
  • Jesus deixa a difícil missão de amar os inimigos. Acha isso possível e realizável na sua vida?
3. ORATIO – oração
As propostas de Jesus são exigentes e às vezes até parecem ser impossíveis de realizar. Ore a Jesus que lhe dê a coragem de viver estas exigências na sua vida concreta de cada dia.

4. CONTEMPLATIO – contemplação
Contemple o exemplo de Jesus na cruz, que perante o sofrimento, acaba perdoando os causadores da sua dor.

5. MISSIO – missão
“Somos chamados a amar a Deus e a fazer o bem: todo o bem possível e o melhor que for possível. Quanto mais amarmos a Deus mais perfeitos seremos; a medida da nossa perfeição é o amor.” José Allamano