Missionário da Consolata na Colômbia e no Equador...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O primeiro milagre do heliocentrismo

Hélio Schwartsman - Folha de São Paulo, 03/12/2009
Eu, Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidimos abrir uma igreja. Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizemo-lo. Precisamos apenas de R $ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos). É tudo muito simples. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para  criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis.

Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamos aplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros "Is" de bens colocados em nome da igreja.

Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial.


VEJAM MAIS EM
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u660688.shtml



> Alguns curiosos nomes de “igrejas” no Brasil…

> - Igreja da Água Abençoada

> - Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina

> - Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder

> - Congregação Anti-Blasfêmias

> - Igreja Chave do Éden

> - Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta (????)

> - Igreja Batista Incêndio de Bênçãos

> - Igreja Batista Ô Glória!

> - Congregação Passo para o Futuro

> - Igreja Explosão da Fé

> - Igreja Pedra Viva

> - Comunidade do Coração Reciclado

> - Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal

> - Cruzada de Emoções

> - Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)

> - Congregação Plena Paz Amando a Todos

> - Igreja A Fé de Gideão

> - Igreja Aceita a Jesus

> - Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém (do Pará?????)

> - Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo

> - Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)

> - Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo (quem perder vai ficar!!!)

> - Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação

> - Comunidade Arqueiros de Cristo

> - Igreja Automotiva do Fogo Sagrado

> - Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo

> - Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo

> - Igreja Palma da Mão de Cristo

> - Igreja Menina dos Olhos de Deus

> - Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos

> - Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água ( Corinthiano???????)

> - Igreja Batista Ponte para o Céu

> - Igreja Pentecostal do Fogo Azul

> - Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!

> - Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas

> - Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade

> - Igreja Filho do Varão (Opa!!! Se puxar o pai vai se dar bem!!!!)

> - Igreja da Oração Eficiente

> - Igreja da Pomba Branca

> - Igreja Socorista Evangélica

> - Igreja ‘A’ de Amor

> - Cruzada do Poder Pleno e Misterioso

> - Igreja do Amor Maior que Outra Força

> - Igreja Dekanthalabassi

> - Igreja dos Bons Artifícios

> - Igreja Cristo é Show

> - Igreja dos Habitantes de Dabir

> - Igreja ‘Eu Sou a Porta’

> - Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo

> - Igreja da Bênção Mundial

> - Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse

> - Igreja Barco da Salvação

> - Igreja Pentecostal do Pastor Sassá

> - Igreja Sinais e Prodígios

> - Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul

> - Igreja do Manto Branco

> - Igreja Caverna de Adulão

> - Igreja Este Brasil é Adventista

> - Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção) (????????)

> - Igreja Evangélica Florzinha de Jesus

> - Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando

> - Ministério Eis-me Aqui

> - Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia

> - Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará

> - Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos

> - Igreja Evangélica Facho de Luz

> - Igreja Batista Renovada Lugar Forte

> - Igreja Atual dos Últimos Dias

> - Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te

> - Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas

> - Igreja Evangélica Bola de Neve

> - Igreja Evangélica Adão é o Homem

> - Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado

> - Ministério Maravilhas de Deus

> - Igreja Evangélica Fonte de Milagres

> - Comunidade Porta das Ovelhas

> - Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica (Você senta, Jesus levanta????)

> - Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo

> - Igreja Evangélica Luz no Escuro

> - Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim (Só no fim?????)

> - Igreja Pentecostal Planeta Cristo

> - Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos

> - Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta

> - Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés

> - Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão

> - “Igreija” Evangélica Muçulmana Javé é Pai

> - Igreja Abre-te-Sésamo

> - Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus

> - Igreja Bailarinas da Valsa Divina

> - Igreja Batista Floresta Encantada

> - Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder

> - Igreja do Louvre

> - Igreja ETQB, Eu Também Quero a Bênção

> - Igreja Evangélica Batalha dos Deuses

> - Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem Pecados (é o Cristo em pessoa!!)

> - Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior

> - Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida

> - Igreja Pentecostal Marilyn Monroe(???????)

> - Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo

> - Igreja Evangélica Florzinha de Jesus (Londrina – PR)

> - Igreja Pentecostal Trombeta de Deus (Samambaia – DF)

> - Igreja Pentecostal Alarido de Deus (Anápolis – GO)

> - Igreja pentecostal Esconderijo do Altíssimo (Anápolis – GO)

> - Igreja Batista Coluna de Fogo (Belo Horizonte – MG)

> - Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna – MG)

> - Igreja Evangélica Pentecostal a Volta do Grande Rei (Poços de Caldas – MG)

> - Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia (Uberlândia – MG)

> - Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará (Contagem – MG)

> - Igreja Evangélica Pentecostal Sinal da Volta de Cristo (Três Lagoas – MS)

> - Igreja Evangélica Assembléia dos Primogênitos (João Pessoa -PB)

> - Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro – RJ)

> - Assembléia de Deus com Doutrinas e sem Costumes (Rio de Janeiro – RJ)


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Leigo, onde está a tua missão?

Júlio César Caldeira Ferreira, imc, é estudante de teologia na EDT, SP.
(publicado na Revista Missões, nº 01 – JAN/FEV 2010)


“Ide vós também. A convocação não se refere apenas aos pastores, aos padres, aos religiosos ou às religiosas: é para todos. Também os fiéis leigos são pessoalmente chamados por Deus, recebendo d’Ele uma missão, para a Igreja e para o mundo”. (Christifideles laici 2)

Em tempos de contínuas mudanças, intensifica-se a participação dos cristãos leigos e leigas na Igreja, tornando-se indispensável refletir sobre seu papel na ação evangelizadora. A expressão “leigo”, está associada a alguém não qualificado, iletrado, da plebe, que não tem muito conhecimento sobre algo. Por exemplo: “fulano é leigo em história ou em medicina”. Entretanto, na sua origem, a palavra provém do grego laikós, que tem sua raiz em laós (povo), e que desencadeou no termo latino laicus, que significa multidão, massa, povo, referindo-se àquele que não está qualificado para “as coisas de Deus”.

Em 313 d.C., pelo edito de Milão, Constantino decreta liberdade a todos os cultos e em 380, o cristianismo torna-se a religião do Império, com Teodósio. O termo laikós passou a designar os cristãos que ouviam e obedeciam às ordens dos ministros ordenados (clero), “dispensadores dos poderes temporais e espirituais”. Agora temos dois grupos: o clero como hierarquia, que se considera “a Igreja”, e os leigos, que se tornam sinônimo daqueles que não sabiam o latim (língua oficial da Igreja), visto como pouco cultos, considerados incapazes de entender a Bíblia, livro para especialistas.

A partir daí a missão, a doutrina e a organização da Igreja ficou nas mãos da hierarquia, aumentando a distância com relação aos leigos. No entanto, sempre apresentaram-se na Igreja movimentos proféticos, contestadores e, até, anticlericais, com o propósito de reformá-la, procurando voltar às origens (pobreza evangélica, comunidade, Palavra de Deus, laicato); este processo ajudou a desencadear o Concílio Vaticano II (1962-65).

Durante o período da colonização, (século 16) por influência de Portugal e Espanha, os leigos se organizaram em irmandades, associações, ordens seculares, confrarias, em torno a um santo de devoção e obras de caridade. A partir da Revolução Francesa e Industrial (séculos 18 e 19), com a secularização do mundo civil e das relações de trabalho, os movimentos de leigos crescem dentro e fora da Igreja. Surgem vários movimentos espiritual-caritativo-missionários, tais como o Apostolado da Oração, a Legião de Maria, a Santa Infância. As questões internas da Igreja eram confiadas ao clero e as externas eram o espaço onde os leigos atuam. O leigo passa a ser visto como um membro da Igreja e que atua na sociedade civil.

Depois deste período, as questões sociais, a defesa dos direitos da Igreja, a busca da prática da caridade e do socorro aos necessitados, levou os leigos a se organizarem, sob a orientação da hierarquia, dando origem à Ação Católica, que com o tempo vai deixando de ser uma organização político-social para se tornar uma escola de formação dos leigos. O braço forte da Ação Católica no Brasil foram os “5 J” da juventude católica: JAC (agrária), JEC (estudantil), JIC (independente), JOC (operária) e JUC (universitária).

O leigo após o Concílio

Uma das mudanças trazidas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) foi a introdução do conceito bíblico “Povo de Deus”. O Concílio recuperou o real sentido da missão do leigo na Igreja. A Constituição Dogmática Lumen Gentium (Luz dos Povos), descreve positivamente o leigo e a leiga, enfatizando o batismo e a participação na tríplice função de Cristo, sacerdote, profeta e rei. Com o enfraquecimento da Ação Católica no Brasil, o laicato perdeu seu espaço de comunhão e participação na Igreja (décadas de 1960-70). Por iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, surgiu, em 1976, o Conselho Nacional de Leigos – CNL. No documento 62 da CNBB (1999), Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas, lemos: “os leigos podem participar do cuidado pastoral de uma comunidade, paróquia e diocese, e nos serviços de animação comunitárias, ministérios extraordinários da comunhão eucarística e assistência aos enfermos e idosos, nos ministérios do batismo, das exéquias e da Palavra, como testemunhas qualificadas do matrimônio, na prática do aconselhamento, nas missões Ad Gentes, na catequese e na educação da fé, além dos serviços pastorais que surjam da necessidade das pessoas e das comunidades”.

Nos últimos anos cresce o número de leigos e leigas que se juntam a congregações e ordens religiosas, para partilharem o carisma e dedicarem-se a um trabalho específico, exigindo uma mudança de mentalidade e de prática no exercício da missão. Foram chamados de oblatas, terceiros, fâmulos, associados, cooperadores, coirmãos, etc. Sobre as experiências foram usadas termos como: uniões, comunhões, famílias, fraternidades. No passado eram uma espécie de “associação” prevalecendo uma relação de paternidade ou mesmo de paternalismo, exercida pelos religiosos e titulares.

Hoje o modelo continua, mas existem também novas modalidades de experiências com maior grau de igualdade respeitando a diversidade. A exortação apostólica Christifideles laici, (1988) fruto de um sínodo sobre os leigos, nos ajuda a entender esse sentimento: “Na Igreja-Comunhão os estados de vida encontram-se de tal maneira interligados que são ordenados uns para os outros. Comum, direi mesmo único, é, sem dúvida, o seu significado profundo: o de constituir a modalidade segundo a qual se deve viver a igual dignidade cristã e a universal vocação à santidade na perfeição do amor. São modalidades, ao mesmo tempo, diferentes e complementares, de modo que cada uma delas tem uma sua fisionomia original e inconfundível e, simultaneamente, cada uma delas se relaciona com as outras e se põe a seu serviço (...) são modalidades diferentes que profundamente se unem no mistério de comunhão da Igreja e que dinamicamente se coordenam na sua missão única” (CfL 55).

De maneira geral os leigos e leigas têm uma participação ativa em quase todos os ministérios e pastorais da Igreja. Nas congregações de Vida Consagrada ou Institutos religiosos o carisma não é propriedade da Instituição. Sendo dinâmico, quando entra em contato com os leigos, suscita as mais diversas inspirações. A grosso modo, podemos destacar cinco casos concretos de participação: membros associados, ou seja, a adesão a um instituto por vínculos estáveis e aprovados; partilha temporária de vida, de contemplação e de dedicação apostólica; voluntariado e uma vocação que leva a uma opção por toda a vida.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Lectio Divina do texto de Lucas 5,1-11 - PESCADORES DA HUMANIDADE

Por Patrick Silva - em http://www.imconsolata.org.br/


"Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes, subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo. Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram." (Lucas 5,1-11)


1. LECTIO – leitura

Esta é uma história bem conhecida, que poderemos ler e, ainda assim, não chegar ao coração desse evento milagroso. Lucas convida-nos a sermos testemunhas do milagre e do chamado dos três primeiros discípulos ao serviço da missão.

Multidões já estavam seguindo Jesus para ouvi-lo sobre o ensino da palavra de Deus. O que é que terão visto em Jesus - seria um simples pregador? Ou será que reconheceram nele um representante de Deus?

Interessante notar a ousadia de Jesus, querendo “ensinar” ao experiente Simão e seus companheiros como pescar, convidando-os a fazer nova tentativa de pesca, depois de uma noite fracassada. Ousadia que compensou, pois a pesca foi incrível. Quando Simão testemunhou a pesca milagrosa, ele passou a ver Jesus por uma nova luz, uma nova perspectiva. Ele reconheceu Jesus como “Senhor” (versículo 8) e logo sente o peso de seus pecados. Imediatamente cai de joelhos e pede a Jesus para deixá-lo. O profeta Isaías reagiu de forma semelhante, quando experimentou uma visão de Deus (veja Isaías 6). Deus parece dar a ambos missões impossíveis.

Jesus diz a Simão para não ter medo e depois o informa que ele terá um novo emprego - pescador da humanidade, e não mais pescador de peixes! Não são dados mais detalhes nesta fase, mas Lucas sugere que Jesus que vai transformar estes humildes pescadores em "pescadores da humanidade". Simão e os outros discípulos são cativados por Jesus e partem com ele. Implícito nas afirmações de Jesus é a necessidade de os discípulos estarem/acompanharem Jesus o tempo todo, para cumprir a sua vocação. As redes, os barcos, a vida, os lares e as famílias são deixados para trás. Agora, como os discípulos partem com Jesus para uma vida totalmente nova.

O que podemos aprender com este texto? Ser cristão é, em primeiro lugar, estar com Jesus “no mesmo barco”. É desse barco (a comunidade), que a Palavra de Jesus se dirige ao mundo. Ser cristão é, em segundo lugar, escutar a proposta de Jesus, fazer o que Ele diz, cumprir as suas indicações, lançar as redes ao mar. Às vezes, as propostas de Jesus podem parecer ilógicas, incoerentes, ridículas (e quantas vezes o parecem, face aos esquemas e valores do mundo...); mas é preciso confiar incondicionalmente, entregar-se nas mãos d’Ele e cumprir à risca as suas indicações. Ser cristão é, em terceiro lugar, reconhecer Jesus como “o Senhor”: é o que faz Pedro, ao perceber como a proposta de Jesus gera vida e fecundidade para todos. Finalmente, ser cristão é deixar tudo e seguir Jesus.

2. MEDITATIO – meditação

+ O que é que a reação inicial de Simão perante este milagre revela sobre quem ele achava que Jesus era?
+ Alguma vez você já experimentou o fardo/peso do seu pecado? Como acha que Deus quer que lhe responda ao reconhecer seu pecado? O que podemos aprender com a resposta de Simão?
+ Para se tornar pescadores da humanidade Simão, Tiago e João tiveram de passar tempo com Jesus e segui-lo. O que isso significa para nós hoje?
+ O seu caminho é feito no barco de Jesus, ou, às vezes, embarca noutros barcos?

3. ORATIO – oração

Agradeça a Deus por podermos experimentar o perdão dos nossos pecados. A carta 1João 1, 9 nos dá a certeza de que “Se confessarmos os nossos pecados a Deus ... ele vai nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”
Peça a Deus que o ajude a esquecer as suas fraquezas e dar-lhe a fé e coragem necessárias para seguir Jesus.

4. CONTEMPLATIO – contemplação

Contemple a santidade de Deus. Junte-se aos coros celestes declarando a santidade de Deus e a sua glória.

5. MISSIO - missão

O missionário é o pescador da humanidade! Para ser fiel a essa vocação precisa ser livre de tudo e aceitar as propostas de Jesus, por mais “loucas” que nos possam parecer.

“Não desanimemos, mas confiemos sempre, em toda e qualquer circunstância: confiemos sobretudo depois de cometermos alguma falta, contanto que tenhamos a boa vontade de amar a Deus e de servi-lo com perfeição” (José Allamano, Discípulos em Missão, p.50).
 
OBS: a cada semana há a leitura orante da bíblia (Lectio Divina) do Evangelho dominical no site: www.imconsolata.org.br - não deixe de acompanhar e rezar juntos... Júlio, imc

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Zilda e o Santo Graal

 Fernando Altemeyer Junior - especial para o jornal FOLHA DE SÃO PAULO - Publicado no domingo, 17 de janeiro de 2010 – primeiro caderno - Brasil – página A11 - Opinião1

Uma tristeza doída, um sentimento de ausência, uma perplexidade nos incomodam. Quão difícil é contemplar a morte de milhares de irmãos nossos do povo bom do Haiti. Somou-se a este calvário coletivo a dor pessoal diante da experiência de orfandade que vivemos com a morte da Doutora Zilda Arns Neumann, a "Oma" de milhares de netas e netos que participam da Pastoral da Criança.

Ficou este nó na garganta e, em nossa mente ecoa a pergunta enigmática: Por que tal catástrofe? E por que com um povo que já viveu tantas? Por que quem fez tanto bem como a doutora Zilda morre antes do tempo no exato momento em que profetiza tempos de paz, de amor e de vida? Onde estará a resposta? Uma antiga lenda do cristianismo dizia que todas as perguntas aos sofrimentos humanos seriam respondidas quando fosse redescoberto o paradeiro do Santo Graal, o cálice de Cristo. Milhares de cristãos passaram suas vidas na busca do cálice sagrado. O Santo Graal teria as respostas que buscamos para esta hora crucial do povo irmão do Haiti? O Santo Graal nos ajudaria a interpretar a perda da dra. Zilda?

Creio que sim! Zilda fez seu caminho de vida e mostrou, por sua morte, o segredo do viver. Ela decifrou o enigma e bebeu do cálice sagrado. Zilda Arns Neumann morreu por obedecer ao convite da Unicef e oferecer-se integralmente pelas crianças de todo o planeta. Por este sim integral, ela viverá. Zilda falou de Deus com suas mãos, com a ciência médica, com o coração de mãe, com o sorriso terno, com a fé teimosa e convicta. Por este Deus de amor por quem viveu, ela ressuscitará.

Zilda creu no voluntariado que envolve a todos na graça do serviço e da alegria. Creu nas mulheres pobres e no mutirão do saber partilhado. Creu no soro caseiro, na pesagem semanal, no aleitamento materno e na multimistura. Creu nas ações educativas de base. Creu no sorriso das crianças. Creu na vida. Creu na esperança. Zilda encontrou o Santo Graal que nós tanto buscávamos de forma equivocada e mítica.

Este o segredo: O Santo Graal esteve sempre nas mãos das crianças. Está no ventre das grávidas. Está na ternura dos pobres. Está na justiça vivida. Está no amor feito ação e na verdade feita perdão.

O segredo emergiu luminoso da boca de Doutora Zilda, na última fala de sua vida: "Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los".

Obrigado, querida e amada doutora Zilda. Por tua morte e por tua vida. Por tua missão e por tua entrega. Por teu amor e por teu sorriso. Grato por nos ensinar a ver milagres de Deus, dentro das entranhas da dor. Grato por ver com teus olhos, ressurreição onde todos só conseguem ver fatalidade. Grato por experimentar e gestar vida onde tudo revela dor.

Você encontrou o verdadeiro Graal: bebeu do cálice do amor doando sua própria vida. Esta é a resposta, este é o lugar sagrado: uma vida triturada, misturada e semeada com o povo haitiano. Este é o verdadeiro sentido de viver: fidelidade ao Evangelho no seguimento de Jesus, com fé, esperança e amor.


* Fernando Altemeyer Junior, mestre em teologia e doutor em ciências sociais, professor do depto. de Ciências da Religião da PUC-SP. email: fajr@pucsp.br

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Lectio Divina do texto de Lucas 4,21-30 - FÉ NECESSÁRIA

Por Patrick Silva - em http://www.imconsolata.org.br/


"Então, começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.” Todos testemunhavam a favor dele, maravilhados com as palavras cheias de graça que saíam de sua boca. E perguntavam: “Não é este o filho de José”?
Ele, porém, dizia: “Sem dúvida, me citareis o provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’. Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum, faze também aqui, na tua terra!” E acrescentou: “Em verdade, vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra. Ora, a verdade é esta que vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e uma grande fome atingiu toda a região, havia muitas viúvas em Israel. No entanto, a nenhuma delas foi enviado o profeta Elias, senão a uma viúva em Sarepta, na Sidônia. E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel, mas nenhum deles foi curado, senão Naamã, o sírio”. Ao ouvirem estas palavras, na sinagoga, todos ficaram furiosos. Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no para o alto do morro sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de empurrá-lo para o precipício. Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho". Lucas 4,21-30

1. LECTIO – leitura

O evangelho desta semana retoma e continua o evangelho da semana passada. Continuamos na sinagoga de Nazaré, mas a atmosfera irá mudar drasticamente. A assembléia começa por ficar impressionada com as eloqüentes palavras (v. 22) de Jesus, depois ficam irritados e, no final, expulsam Jesus para fora da cidade, com a intenção de o jogar penhasco abaixo (vv. 28-29). Se de um lado houve admiração/espanto em relação ao ensinamento de Jesus e à sua pretensão de ser o cumprimento da profecia de Isaías, por outro lado, faltou a fé e aceitação da parte daqueles que escutavam. Eles simplesmente não poderiam aceitar que o filho de um carpinteiro pudesse ser o Messias prometido. Jesus lembrou-lhes os casos de Elias e Eliseu, também eles sofreram com a descrença do seu próprio povo.

Elias fora o primeiro grande profeta, que Deus se servira para chamar seu povo de volta para Ele. Elias profetizou uma grande seca ao rei. Quando os três anos de seca começaram Deus usou um corvo, uma ave impura, e um estrangeiro para salvar Elias. A mulher estrangeira acreditou nas palavras de Elias e através dela Deus salvou o profeta. Nenhum Israelita ajudou o seu profeta.

Eliseu, sucessor de Elias como profeta, curou Naamã, um general do exército sírio, de uma doença de pele temida. Naamã fez o que Eliseu lhe pediu, apesar de achar ser algo sem sentindo. No entanto ficou completamente curado e, assim, acreditou.

Não surpreende que as palavras de Jesus irritassem o povo de Nazaré. Eles se ressentiam profundamente com o fato de Jesus os comparar aos israelitas infiéis do tempo de Elias e Eliseu. Então eles decidiram se livrar do problema: matar Jesus.

O povo na sinagoga era judeus observantes, cumprindo seu dever religioso do sábado. No entanto, não eram pessoas de fé, rejeitaram Jesus. Eles apenas viram o “moço da terra” e não o Salvador da humanidade, e assim, perderam a oportunidade de se tornarem seus discípulos.

O caminho do profeta é um caminho de sofrimento, de solidão, de risco, mas também caminho de paz e de esperança, porque é um caminho onde Deus está. A palavra de Deus assegura ao “profeta” que a última palavra será sempre de Deus: “não temas, porque Eu estou contigo para te salvar”. Com este evangelho, Lucas, anuncia o caminho da Igreja: a comunidade crente toma consciência de que, em continuidade com o caminho de Jesus, a sua missão é levar a Boa Nova aos pobres e marginalizados – como Elias fez com uma viúva de Sarepta ou como Eliseu fez com um leproso sírio. Se percorrer esse caminho, a Igreja viverá na fidelidade a Cristo.

2. MEDITATIO – meditação

+ Você fica impressionado/admirado com o ensinamento e atitudes de Jesus?

+ O que podemos aprender com esta passagem sobre o tipo de fé que Jesus procura? Basta ir à igreja e ouvir o sermão, cumprir nossas obrigações sem fé/adesão?

+ O que podemos aprender com os dois exemplos de Jesus dá: a viúva e

+ Naamã? Você pode ler essas passagem em 1 Reis 17,8-16 e 2 Reis 5,1-14.

+ As fofocas, as críticas que magoam, a incompreensão, o abandono, alguma vez nos impediram de cumprir a missão que Deus nos confiou?
3. ORATIO – oração

Ore através do Salmo 71. Peça a Deus por oportunidades de dizer aos outros o quão maravilhoso ele é e como ele tem ajudado você.

4. CONTEMPLATIO – contemplação

Leia 1 Coríntios 12,31-13,13, repita a leitura algumas vezes. Permita que Deus lhe revele suavemente como você deve crescer: na fé, na esperança e no amor.

Considere as palavras surpreendentes de Deus ao profeta Jeremias 1:4-5, 17-19. Que palavras mais o impressionam? O que é que Deus pode estar-lhe dizendo?

5. MISSIO - missão

Deus faz sentir sua presença por meios e pessoas, que muitas vezes não pensamos ser possível. Para o povo de Israel era impossível aceitar que Deus se revelasse através de um estrangeiro. Hoje também podemos estar fechados em nós e nas nossas comunidades e não ver Deus que continua se revelando. Ser missionário é estar aberto a essa revelação e mostrar quais os caminhos que Deus nos convida a trilhar.


OBS: a cada semana há a leitura orante da bíblia (Lectio Divina) do Evangelho dominical no site: www.imconsolata.org.br - não deixe de acompanhar e rezar juntos... Júlio, imc

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Lectio Divina do texto de Lucas 1,1-4; 4,14-21 - LIBERDADE PROCLAMADA -

Por Patrick Silva - em http://www.imconsolata.org.br/


"Muitos tentaram escrever a história dos fatos ocorridos entre nós, assim como nos transmitiram aqueles que, desde o início, foram testemunhas oculares e, depois, se tornaram ministros da palavra.


Diante disso, decidi também eu, caríssimo Teófilo, redigir para ti um relato ordenado, depois de ter investigado tudo cuidadosamente desde as origens, para que conheças a solidez dos ensinamentos que recebeste.

Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito, e sua fama se espalhou por toda a região. Ele ensinava nas sinagogas deles, e todos o elogiavam. Foi então a Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, no dia de sábado, foi à sinagoga e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, encontrou o lugar onde está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres: enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça da parte do Senhor”. Depois, fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Os olhos de todos, na sinagoga, estavam fixos nele. Então, começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.”
Lucas 1,1-4; 4,14-21

5 passos para a Leitura Orante da Bíblia (Lectio Divina):

1. LECTIO – leitura

Dois “pedaços” do Evangelho de Lucas são apresentados juntos neste domingo. O primeiro serve de introdução ao segundo. No início do seu “trabalho literário”, Lucas faz questão de mostrar a qualidade e confiabilidade de suas informações. Em primeiro lugar, baseia-se em testemunhas oculares dos eventos e, em segundo lugar, ele mesmo fez uma extensa pesquisa. O texto é dirigido a Teófilo, que significa “amigo de Deus”. Estamos na década de 80 quando, desaparecidas já as “testemunhas oculares” de Cristo, o cristianismo começa a defrontar-se com uma série de heresias e de desvios, que colocam em causa a identidade cristã. Assim, é importante, recordar aos cristãos suas raízes e a solidez dessa doutrina recebida de Jesus, através do testemunho legítimo que é a tradição transmitida pelos apóstolos.

Já no segundo “pedaço” do evangelho temos a visita de Jesus à sinagoga de Nazaré. O texto lido por Jesus é tirado do profeta Isaías, mas Jesus parece escolher alguns versículos específicos, para os ler à comunidade ali reunida. O centro do relato está na proclamação de um texto do Trito-Isaías (Isaías 61,1-2) que descreve como é que o Messias concretizará a sua missão.

Jesus explica o significado dessas palavras. Ele anuncia que a profecia de Isaías, escrita há centenas de anos, tornou-se realidade hoje! A implicação é que o próprio Jesus é o cumprimento destas palavras. Jesus vem com a boa notícia para os pobres, proclamar a liberdade aos cativos, a vista aos cegos e a liberdade aos oprimidos. Não somos informados se Jesus está falando literalmente ou metaforicamente aqui.

Mas como é que esta comunidade se sentiu quando Jesus falou naquele sábado? O que terá acontecido em seus corações e mentes? Será que as palavras de Jesus faziam algum sentido?

Embora este evento tivesse acontecido há dois mil anos, a verdade é que a Palavra de Deus é eterna. Assim, a leitura das Escrituras nunca deve ser apenas um mero evento cultural, mas sempre que as Escrituras são proclamadas elas estão vivas, ativas e sempre cheias de energia.

Lucas anuncia também, neste texto programático, o caminho futuro da Igreja e as condições da sua fidelidade a Cristo. A comunidade cristã toma consciência, através deste texto, de que a sua missão é a mesma de Cristo e consiste em levar a “boa notícia” da libertação aos mais pobres, débeis e marginalizados do mundo. Ungida pelo Espírito para levar a cabo esta missão, a Igreja cumpre o seguimento de Jesus.

2. MEDITATIO – meditação

+ O que acha que as pessoas ao ouvirem Jesus teriam entendido quando disse: "Esta passagem da Escritura tornou-se realidade hoje”?

+ Estes versículos de Isaías são bons para resumir o ministério de Jesus na terra? De que maneira Jesus cumpriu essa profecia?

+ Preocupa-o a libertação daqueles que são escravos de tantas realidades? O que pode fazer, de concreto, para continuar no meio deles a missão libertadora de Cristo?


3. ORATIO – oração

Ore para que todos em sua comunidade desempenhem sua missão da melhor maneira, afim que a comunidade “viva” saudavelmente, como Paulo descreve em 1 Coríntios 12, 12-30. Reze pela sua “missão” neste processo. Peça a Deus para lhe mostrar o caminho que você deve seguir no serviço à sua comunidade e à humanidade.


4. CONTEMPLATIO – contemplação

Reflita sobre Neemias 8,10: “A alegria que o Senhor lhe dará, o fará forte”. Sinta a força de Deus revestindo a sua fraqueza, tornando-o cheio da força do próprio Deus.


5. MISSIO - missão

O missionário é a pessoa revestida do Espírito que se sente enviada a anunciar esta Boa Nova de Jesus a todos, de modo especial, aos pobres, oprimidos, prisioneiros... A oferecer a nova e verdadeira liberdade oferecida por Jesus. No batismo você recebeu esse Espírito, mas será que está fazendo a sua parte no anúncio da Boa Nova?

OBS: a cada semana há a leitura orante da bíblia (Lectio Divina) do Evangelho dominical no site: www.imconsolata.org.br - não deixe de acompanhar e rezar juntos...  Júlio, imc

Ano vulgar de 2010 com 365 dias

Texto preparado pelo Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior
Depto. Ciências da Religião da PUC-SP – fajr@pucsp.br


Calendário gregoriano - 2010 – MMX

Ab urbe condita - 2763

Calendário arménio - 1459

Calendário chinês - 4706 – 4707

Calendario hebraico - 5770 – 5771

Calendários hindus
- Vikram Samvat - 2065-2066
- Shaka Samvat - 1932-1933
- Kali Yuga - 5111-5112

Calendário persa - 1388 – 1389

Calendário islâmico - 1431 – 1432

Calendário rúnico - 2260
fontes diversas



Datas e efemérides

ONU – Ano Internacional da Biodiversidade e Ano internacional para a aproximação das culturas – 2010

1850 anos do nascimento de Quintus Septimus Flores Tertuliano – 18/11/160 d.C. Cartagena

1800 anos do nascimento de São Cipriano – 16/09/210 d.C.

1750 anos da morte de São Marius – 19/01/260 d.C.

1700 anos da morte de São Panfílio – 1/06/310 d.C. – líder intelectual da Cesaréia

1700 anos da morte de Santo Eusébio, o grego, martir e Papa – 17/08/310 d.C.

1650 anos da morte de São Laurent de Novara – 30/04/360 d.C.

1600 anos da morte do poeta Prudêncio – Roma é saqueada pelos bárbaros - Alarico

1600 anos da morte de Santo Isaque de Constantinopla – 30 de maio de 410 d.C.

1500 anos da morte de São Simão de Emese, 21/07/510 d.C.

1400 anos da morte de São Vital de Gaza, 22/04/610 d.C.

1400 anos do início da pregação do profeta Muhammad – Islã – 610 d.C.

1100 anos da fundação do Mosteiro de Cluny – 910 d.C.

1000 anos do nascimento de saxão São Bennon, de Varsóvia, 10/06/1010 d.C.

1000 anos da destruição da Basílica do Santo Sepulcro – 1010 d.C.

850 anos da morte de Pedro Lombardo – 21/08/1160 d.C.

800 anos do nascimento do Papa Bem-aventurado Gregório X – 10/01/1210 d.C.

750 anos do nascimento do Mestre Eckhart – 28/03/1260 d.C.

650 anos do nascimento do iconografo russo Andrei Rublev – 30/01/1360 d.C. autor do ícone Trindade

600 anos da morte de Jean Froissart – autor de Chroniques – 1410 d.C.

518 anos da chegada de Colombo à América - 1492

510 anos da chegada dos portugueses ao Brasil - 1500

500 anos do nascimento de São Francisco de Borgia, geral dos jesuitas – 10/10/1510 d.C.

400 anos das primeiras reduções jesuíticas do Paraguai - 1610

350 anos da morte de São Vicente de Paula e Santa Luisa de Marillac – 1660 d.C. Paris

300 anos do início da guerra dos Mascates – 1710

200 anos da insurreição das colonias espanholas na América - 1810

188 anos da independência do Brasil – 1822

130 anos da abolição da escravidão em Cuba - 1880

130 anos da publicação de Irmãos Karamazov – Dostoyeevsky - 1880

121 anos da proclamação da República – 1889

120 anos da publicação de A besta humana – E. Zola - 1890

110 anos da construção do primeiro dirigível por Zeppelin – 1900

110 anos do lançamento por Freud do livro A interpretação dos sonhos

110 anos da morte de F. Nietzsche – 1900

110 anos da publicação da teoria dos quanta – Max Planck - 1900

100 anos do início da revolução mexicana – 1910

100 anos da descoberta dos raios cósmicos por Gockel – 1910

100 anos da publicação da Oferenda Lírica de Rabindranat Tagore - 1910

100 anos do Passaro de fogo, de Stravisnki – 1910

100 anos da obra de Claudel – Cinco grandes odes - 1910

100 anos que o russo Vassily Kandinsky inaugura a arte abstrata com "Esboço para composição IV" – 1910

100 anos da morte do padre dominacano Joseph Marie Lagrange – 10/03/1910 – mestre do estudo bíblico

100 anos da criação pelo Marechal Rondon do Serviço de Proteção ao índio – 1910

100 anos da revolta da Chibata – Rio de Janeiro – 1910

90 anos da fundação do Partido Comunista – 1920

90 anos da campanha de não-cooperação de Mahatma Gandhi – 1920

90 anos da canonização de Joana D’Arc – 1920

90 anos da publicação de As consequencias economicas da paz – Keynes – 1920

80 anos que Jules Rimet organiza a primeira copa do Mundo – 1930

80 anos do éxito nazista nas eleições alemãs – 1930

80 anos da crise economica em Wall Street – EUA – 1930

80 anos que Getúlio Vargas depõe Washington Luis – 1930

80 anos da descoberta de Plutão, por Clyde Tombaungh – 1930

70 anos da utilização do radar – 1940

70 anos da obra Volo di notte, de Dallapiccola - 1940

70 anos que Getúlio Vargas institui o salário minimo – 1940

70 anos que o nazismo instala o campo de concentração de Auschwitz na Polonia – 1940

60 anos do lançamento do jornal Folha de São Paulo – 1950

60 anos do início da guerra da Coreía – 1950

60 anos da obra de Pablo Neruda, Canto General de Chile – 1950

60 anos da obra La Terra promessa, de Ungaretti, 1950

50 anos da inauguração de Brasília, projetada por Niemeyer e Lúcio Costa – 1960

50 anos do lançamento de Dolce Vita, de Federico Fellini – 1960

50 anos da morte da Bem aventurado croata Cardeal Alizije Stepinac – 10/02/1960

50 anos da eleição de Kennedy para presidente dos EUA - 1960

50 anos da Reforma Agrária em Cuba – 1960

50 anos da explosão da primeira bomba atômica francesa, em Reggane – 1960

50 anos da publicação de Critica da razão dialética, por Jean Paul Sartre – 1960

50 anos da publicação de Intolerancia, de Ionesco - 1960

40 anos do começ da guerra do Camboja com golpe militar apoiado pelos EUA – 1970

30 anos do início da guerra entre Irã e Iraque – morreram 700 mil pessoas – 1980-1988

30 anos da descoberta das jazidas de Serra Pelada – PA – 1980

30 anos de eleições diretas para governadores e fim dos senadores bionicos – 1980

20 anos da reunificação da Alemanha – 1990

20 anos da saída de Nelson Mandela da prisão depois de 27 anos de cárcere – 1990

20 anos da invasão do Kuweit pelo Iraque – 1990

20 anos do início do Projeto Genoma Humano por norte-americanos – 1990

20 anos do confisco de depósitos pelo plano Collor – 1990

20 anos da morte do cantor CAZUZA - 1990

15 anos de Mercosul - 01 de janeiro de 1995

15 anos da morte de Florestan Fernandes – 10/08/1995

10 anos – 2000

5 anos do pontificado de Bento XVI – 19 de abril de 2005

DOCUMENTO FINAL - 1º Encontro Continental de LMC – América


Os LMC do Continente americano, acompanhados pelas/os MC-IMC, num clima de Família, queremos comunicar as conclusões finais e os novos desafios assumidos. Invocando o Espírito de Deus, vivemos este encontro com muita Graça Divina. Agradecemos aos Missionários e Missionárias da Consolata, que permitem a expressão de vida e o Ministério laical, ao redor do mesmo Carisma do Bem-Aventurado José Allamano, para conformar a família Consolatina Allamaniana Ad Gentes.


PERFIL DOS LEIGOS MISSIONÁRIOS DA CONSOLATA

1 – Devoção Mariana, tendo a Virgem Consolata como Mãe, Modelo e Guia.

2 – Estar disponíveis à missão Ad Gentes, como ação apostólica.

3 – Assumir o Laicado Missionário da Consolata como vocação Ad Vitam.

4 – Estar disposto à formação Allamaniana, descobrindo Jesus no outro, dando testemunho de vida.

5 – Partilhar o Carisma e a Espiritualidade: Oração, Eucaristia, e Espírito de Família.

LMC, COMO VOCAÇÃO:

Ser LMC é uma Vocação que leva a um estilo de vida, com um processo de formação e um compromisso concreto.

COMPROMISSOS:

Decide-se assumir um trabalho de comunicação continental permanente, mediante o blog - htt://consolataamerica.blogspot.com e o correio eletrônico – consolatamerica@gmail.com, com os seguintes representantes:

- Brasil – Karla Maria

- Argentina – Mario Miranda

- Colômbia – Núbia Gamboa


QUESTIONÁRIO:

1 – Queremos a unidade, como corpo LMC a nível de país; que passos e que tipo de organização podemos dar?

2 – O que pedimos aos dois Institutos: MC – IMC?
GRUPO DA ARGENTINA:

1 – Queremos a unidade num só corpo, através de um processo de vinculação mútua, com a comunicação entre as equipes nacionais, a formação e a missão conjunta.
2 – A animação e o acompanhamento conjunto MC e IMC neste novo processo vocacional.
GRUPO DA COLOMBIA:

As duas comunidades da Colômbia ( Irmã Irene Stefany e Tiago Camisassa) nos sentimos em unidade pelo Carisma e Espiritualidade dos Missionários e Missionárias da Consolata.

Na unificação de critérios e lineamentos manter em cada comunidade laical, seja que existam dois ou mais numa mesma cidade, ou se criem em outras cidades, viva sua própria realidade à luz do Carisma dos LMC, porém coordenados pela Assembléia Nacional.


Passos:

1 – a) Queremos uma unificação de critérios.

b) Assumir o perfil definido a nível continental.

c) Trabalhar para uma ação conjunta com uma Assembléia Nacional LMC.

d) Fortalecer entre as duas comunidades, a comunicação, através do intercâmbio de endereços de

seus integrantes, a participação na elaboração do Boletim, a Missão e a vida, as duas

comunidades a partir dos encontros particulares de cada comunidade, em unidade.

2 – a) Um Acompanhamento fraterno e permanente às comunidades.

b) A disponibilidade e participação dos membros dos MC e IMC na formação LMC, prévio

conhecimento por parte dos Institutos da Programação LMC.

c) Que os dois Institutos gerem processos de sensibilização a nível interno, que permitam a seus

membros o reconhecimento dos LMC, antes, durante e depois da missão.

GRUPO DO BRASIL:

1 - a) Mapeamento de como, o que fazem e onde estão os LMC.

b) Queremos a unidade, num só corpo dos LMC a nível de País.

c) Criar, a priori, uma equipe conjunta para os primeiros contatos afim de poder organizar uma

Assembléia e a organização no futuro.

d) Criar um elenco dos endereços dos LMC em nível nacional.

e) Elaborar um projeto com um itinerário formativo, tendo um só fio condutor para todos os

LMC, independente de quem for acompanhado.

f) Criar uma rede de comunicação interna.

g) Criar um Estatuto dos LMC (para o futuro).

2 – a ) Saber se existe nos dois Institutos uma posição unificada em relação aos LMC.

b) Assessoramento carismático (formação, a espiritualidade)

c) O grupo indicou uma equipe conjunta a nível nacional, com os coordenadores de cada grupo:

* São Paulo SP: Fátima Bazeggio;

* São Paulo SP: Lucilia Mono

* Roraima RA: Ana Margareth Silva

* Rio de Janeiro RJ: Jeanette Maria G. de Menezes

* Jandira SP: Ana Maria Oliveira Francisco

* Votuporanga SP: Elizabeth Larindondo
Damos Graças a Deus pelos dias vividos, e agradecemos aos dois Institutos IMC e MC pela Declaração Conjunta e pelo material de apoio e a todos os LMC, que com sua disponibilidade, partilharam suas experiências, idéias e a Graça Divina.

São Paulo, Brasil, 03 a 07 de janeiro de 2010.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

JMC: Jovens Missionários da Consolata


A poucos dias de celebrar a festa do nascimento do nosso salvador é com muita alegria que damos a conhecer um outro nascimento: o JMC. Trata-se de um grupo de jovens ligados aos missionários da Consolata. Depois de algumas tentativas que nem sempre tiveram muito sucesso, para que este grupo se tornasse realidade, finalmente aconteceu. Durante os dias 12 e 13 de setembro um grupo de jovens "esteve em trabalhos de parto" para dar à luz o JMC: Jovens Missionários da Consolata.


É hábito escutar que muitas vezes em política tudo termina em pizza. Pois, aqui foi ao contrário, tudo começou com uma pizza.

Durante o encontro fomos definindo o quem somos e o que pretendemos. Depois de alguma reflexão, eis as nossas conclusões:

Quem somos? Somos o JMC: Jovens Missionários da Consolata. Um grupo de jovens chamados a seguir e servir Jesus Cristo na missão ao estilo do Bem Aventurado José Allamano no carisma que deixou aos Missionários da Consolata.
O que pretendemos? Formar-nos à missão para sermos testemunhas de Jesus e agentes de transformação deste mundo.


O encontro serviu também para dar os primeiros passos deste grupo, olhando para o futuro próximo da caminhada. Assim, definimos que nossos encontros acontecerão a cada duas semanas no sábado à noite.

A expectativa é muita, agora resta sonhar e tornar esses sonhos em realidade concreta. Viva o JMC São Paulo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Leigos Missionários da Consolata fazem história no Brasil

por: Karla Maria e Pe. Jaime C. Patias
fotos: Júlio Caldeira

Abrem-se novos caminhos na história dos missionários da Consolata atuando há 72 anos no Brasil. E os protagonistas dessa novidade são cristãos leigos, homens e mulheres do povo de Deus que se identificam com o carisma da Missão ad gentes, um legado do Bem-aventurado José Allamano, fundador de duas congregações missionárias.

Um dos marcos concretos desta caminhada, foi a realização, nos dias 5 e 6 de dezembro, em São Paulo, da I Assembleia Nacional dos Leigos Missionários da Consolata - LMC, do Brasil. O encontro reuniu na Casa Regional cerca de 20 pessoas, representantes das comunidades de Cascavel, Rio de Janeiro, São Paulo e São Manuel. Já na oração inicial, Lucília Mono, uma das responsáveis pela coordenação dos trabalhos, destacou o objetivo do encontro: "favorecer a interação, fortalecer a identidade e a organização dos LMC em vista da Missão".

Participantes da I Assembleia dos LMC Brasil A dinâmica da Assembleia reservou espaço para o entrosamento, estudo, partilha e testemunhos. Na abertura dos trabalhos, padre Lírio Girardi, superior provincial IMC do Brasil, acolheu a todos e deixou seu voto de confiança e apoio. "Nos sentimos muito felizes em recebê-los. Esta 1° Assembleia é histórica, vocês estão fazendo história", disse desejando êxito nos trabalhos. Padre Lírio afirmou ainda que os missionários devem percorrer os mais diversos lugares pregando e anunciando Cristo, que chama, prepara e envia para a Missão. Destacou também, o amor que se deve ter à Eucaristia e a devoção à Maria, duas características fundamentais da família Consolata.

Assessorados pelo padre Jaime Carlos Patias, que acompanha os LMC no Brasil, auxiliado pelo seminarista Júlio César Caldeira, os participantes contaram também com a presença de dom Sevilio Conti, bispo emérito de Boa Vista, RR. "Cresçam na identidade de ser cristão com conotação essencialmente missionária. Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo", recordou dom Servilio que completou 93 anos de vida, dos quais 60 vividos no Brasil.

Mauro Sérgio Perez veio de Cascavel, no Paraná onde está começando um grupo de LMC que já conta com seis integrantes. "Volto satisfeito com o que vi e ouvi na Assembleia. Agora vamos organizar a coordenação do nosso grupo e planejar a missão para o ano que vem", observou.

A Assembleia foi enriquecida com os testemunhos de dois casais de LMC que são acompanhados pelo Instituto das Irmãs Missionárias da Consolata. As Irmãs Maria Costa e Maria Angelina também estiveram presentes. OsKarla Maria

Leigos refletem sobre a sua identidade casais partilharam a experiência de viverem diariamente o espírito do Bem-aventurado José Allamano, na família, nas pastorais e na vida. "Viver a experiência é diferente de tudo o que se ouve", afirmou dona Cida, uma das leigas.

Segundo a avaliação dos participantes, a partilha entre os LMC, enriquece e encoraja a caminhada para a missão, ainda sem endereço e com muitas incertezas, mas que é feita com fé e generosidade no coração. Neste momento, a identidade é fundamental para dar originalidade e criar unidade entre os LMC. A vontade de partir, ficou evidente entre as comunidades, que agora se organizam para participarem do I Encontro Continental dos LMC das Américas, que acontecerá de 3 a 7 de janeiro de 2010, em São Paulo - SP.

Na noite do sábado os participantes puderam entrar em contato com as diversas realidades dos cinco continentes através da oração do Terço Missionário. Na manhã do dia 06, domingo, os LMC participaram da missa na Paróquia Nossa Senhora Consolata, no Jardim São Bento. A celebração foi presidida pelo padre Jaime e concelebrada por dom Servílio e pelos padres Tamrat Markos, da Etiópia e Francis Njoroge, do Quênia, que também estiveram presentes durante a Assembleia.

Além da articulação das comunidades LMC, a programação para 2010 prevê, em nível de Região, um encontro de formação para o mês de junho e a realização da segunda Assembleia em dezembro. O trabalho de organização sistemática dos LMC, acompanhados pelos missionários da Consolata no Brasil, começou em 2007 e já conta com cinco núcleos.

domingo, 29 de novembro de 2009

Será que vou rezar? (RUBEM ALVES)

É. Cada um celebra o que escolhe.
Acho que farei uma sopa de fubá que tomarei com pimenta e torradas


SOU UM ADMIRADOR de Gandhi. Cheguei mesmo a escrever um livro sobre ele. Estou planejando convocar os amigos para uma homenagem póstuma a esse grande líder pacifista e vegetariano. Pensei que uma boa maneira de homenageá-lo seria um evento numa churrascaria, todo mundo gosta de churrasco, um delicado rodízio com carnes variadas, picanhas, filés, costelas, cupins, fraldinhas, lingüiças, salsichas, paios, galetos e muito chope. O grande líder merece ser lembrado e festejado com muita comilança e barriga cheia!

Eu não fiquei doido. O que fiz foi usar de um artifício lógico chamado "reductio ad absurdum" que consiste no seguinte: para provar a verdade de uma proposição, eu mostro os absurdos que se seguiriam se o seu contrário, e não ela, fosse verdadeiro. Eu demonstrei o absurdo de se celebrar um líder vegetariano de hábitos frugais com um churrasco.

Uma homenagem tem de estar em harmonia com a pessoa homenageada para torná-la presente entre aqueles que a celebram. Uma refeição, sim. Mas pouca comida. Comer pouco é uma forma de demonstrar nosso respeito pela natureza. Alface, cenoura, azeitonas, pães e água.

Escrevo com antecedência, hoje, 27 de novembro, um mês antes, para que vocês celebrem direito. A celebração há de trazer de novo à memória o evento celebrado.

É uma cena: numa estrebaria uma criancinha acaba de nascer. Sua mãe a colocou numa manjedoura, cocho onde se põe comida para os animais. As vacas mastigam sem parar, ruminando. Ouve-se um galo que canta e os violinos dos grilos, música suave... No meio dos animais tudo é tranqüilo. Os campos estão cobertos de vaga-lumes que piscam chamados de amor. E no céu brilha uma estrela diferente. Que estará ela anunciando com suas cores? O nascimento de um Deus?

É. O nascimento de um Deus. Deus é uma criança.

O nascimento do Deus criança só pode ser celebrado com coisas mansas. Mansas e pobres. Os pobres, no seu despojamento, devem poder celebrar. Não é preciso muito.

Um poema que se lê. Alberto Caeiro escreveu um poema que faria José e Maria, os pais do menininho, rir de felicidade: "Num meio-dia de fim de primavera, tive um sonho como uma fotografia: "Vi Jesus Cristo descer a terra. Veio pela encosta do monte tornado outra vez menino. Tinha fugido do céu...'" Longo, merece ser lido inteiro, bem devagar...

Uma canção que se canta. Das antigas. Tem de ser das antigas. Para convocar a saudade. É a saudade que traz para dentro da sala a cena que aconteceu longe. Sem saudade o milagre não acontece.

Algo para se comer. O que é que José e Maria teriam comido naquela noite? Um pedaço de queijo, nozes, vinho, pão velho, uma caneca de leite tirado na hora. E deram graças a Deus.

E é preciso que se fale em voz baixa. Para não acordar a criança.

Naquela mesma noite, havia uma outra celebração no palácio de Herodes, o cruel. Ele tinha medo das crianças e mataria todas se assim o desejasse. A mesa do banquete estava posta: leitões assados, lingüiças, bolos e muito vinho... Os músicos tocavam, as dançarinas rodopiavam. Grande era a orgia.

É. Cada um celebra o que escolhe. Acho que vou fazer uma sopa de fubá que tomarei com pimenta e torradas. E lerei poemas e ouvirei música. E farei silêncio quando chegar a meia-noite e, quem sabe, rezarei?

Fonte: FOLHA DA SÃO PAULO, São Paulo, terça-feira, 27 de novembro de 2007.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A relação entre fé e compromisso social no livro “Evangelho e Revolução Social” do frei Carlos Josaphat


Comunicação elaborada por Júlio César Caldeira Ferreira, 2º ano EDT, para o seminário de pesquisa “EnfoquesTeológicos Latino-americanos sobre a Teologia”, sob coordenação dos professores José Almy Gomes e Ceci Baptista Mariani.

Como semente da Teologia da Libertação, encontramos esta obra do frei Josaphat que sugere, como afirma Dom Paulo Evaristo Ars, “uma espiritualidade para ação, que inclua uma luta sem ódio, mas eficaz, contra as injustiças no plano social, nacional e internacional. Continua atual e urgente este convite-intimação ao cristão: ‘Compete aos que já acordaram, sacudir os adormecidos. Tal missão cabe especialmente aos leigos’.”

Lendo o livro observei que frei Carlos insiste na reforma da base a partir de um ideal revolucionário (partindo da história), mudando as estruturas a partir do Evangelho (pois não há caridade sem justiça social e não há justiça social sem caridade). Inspirado pela encíclica de João XXIII, Mater et Magistra, no nº 4a, ele insiste que “somos desafiados a calejar as mãos na edificação de uma civilização deveras humana, fundada ‘na verdade, na justiça e no amor’.”

Buscando combater as idéias do século XIX de católicos liberais ou reacionários e dos católicos conservadores, frei Josaphat defende que não haja mais luta de classes (que geram oprimidos e opressores), não busquem interpretar o evangelho individualizante e acomodando-se diante das situações de injustiça; mas crie-se um amor realista para com Deus e com o próximo, baseado na caridade e fundado na doação, através da fé e da construção de uma ordem social onde os homens encontrem condições de uma vida verdadeiramente humana, fazendo uma opção livre à santidade .

A renovação cristã parte da convicção evangélica (interna) e da opção pessoal (externa), elaborando uma espiritualidade integral a partir do Evangelho para assumir uma ordem social justa e solidária, baseando-se na “fé no Deus vivo e pessoal (...), (numa) oração capaz de assumir e dinamizar a vida com seus problemas concretos, a doação generosa ao próximo, na medida das capacidades e na realização da vocação de cada um” .

Ressalta a importância da retomada bíblica baseada numa escatologia cristã que deve “fundar uma espiritualidade de marcha para Deus e de presença ativa no mundo”, valorizando os profetas, que “representam uma ruptura com uma falsa ordem estabelecida”, na esperança messiânica que “inaugurará para o mundo o reino da Justiça e da Paz” e fundado nos ensinamentos da tradição da Igreja. Da mesma forma, ressalta o sentido da valorização de “todo o povo” a partir de uma educação integral, da participação na vida política, econômica e social para todas as classes, pois “a paz é fruto da justiça e a tranqüilidade se funda no direito” (Is 32,17).

No entanto devemos estar atentos à inspiração de uma espiritualidade aberta ao plano social e não fechada puramente nas tradições e ritualismos. “O cristianismo por sua natureza não é conservador ou revolucionário; ele é proclamação e sede de Justiça” contra os grandes pecados coletivos: a) desinteresse das elites dirigentes em relação aos problemas fundamentais; b) a utilização dos meios publicitários para anestesiar ou desvirtuar a opinião pública. Neste meio, os discípulos de Jesus devem demonstrar a sua fé e utilizar das armas ofensivas do cristão: a verdade, a bondade e o amor.

Diante da sociedade atual, o pensamento do frei Carlos Josaphat continua atual e desafiando a nós cristãos a buscarmos “desdobrar todas as dimensões teologiais, pessoais, comunitárias e sociais de nossa profissão de fé hoje, bem como os aspectos de sua universalidade, abrangendo, esclarecendo, estimulando a estima e o cuidado da criação, o compromisso com as grandes aspirações e problemas humanos e mesmo o empenho de colaborar na elaboração e realização de um projeto justo e solidário de sociedade” .

São Paulo, junho de 2009.

Concílio Vaticano II: os anos que se seguiram.

Resenha do artigo: LIBANIO, João Batista. Concílio Vaticano II: os anos que se seguiram. In: LORSCHEIDER, Aloísio, et al. Vaticano II: 40 anos depois. São Paulo: Paulus, 2005. p.71-88.

Para Libanio, o Concílio Vaticano II foi um evento histórico, acontecido entre 11 de outubro de 1962 até 8 de dezembro de 1965. Após esse período começa um tempo de recepção. O Vaticano II marcou a vida eclesial por meio da teologia de seus documentos, pelas instituições que diretamente criou, pelo espírito que gerou e pelas reações e força simbólica que significou:

1. Inúmeras pessoas dedicaram-se à redação dos textos, influenciados por certas tendências teológicas, por grupos de teólogos ou por um determinado teólogo; todos os textos foram submetidos às críticas dos membros do Concílio, sendo importante que qualquer estudo sério de algum documento conciliar necessite refazer o percurso de sua gestação até a última votação, tendo clareza do verdadeiro sentido do texto aprovado.

A teologia neo-escolástica (dos clássicos manuais escolares) foi substituída por uma teologia plural, diversificada, menos estruturada e pouco sistematizada, ganhando-se em atualidade, na variedade de temas e de abordagens, em diálogo com as ciências modernas, em alcance existencial, e em repercussão pastoral e com força querigmática em várias gerações: na geração pós-conciliar produziu uma profunda renovação na pregação, na catequese, no ensino da teologia, na pastoral; o tema mais importante do Concílio foi a eclesiologia, com a concepção da Igreja como povo de Deus, sinal e sacramento do Reino de Deus, valorizado pelo batismo e pela vocação própria, valorizando a Igreja particular e a comunhão entre elas pelo espírito colegial. Isto provocou uma transformação na cristologia, na compreensão de Trindade, na teologia sacramental e impulsionando a teologia ecumênica, do diálogo inter-religioso e com os não-crentes.

No entanto alguns rincões da Igreja limitam a teologia pós-Vaticano: alguns vêm deslocando o interesse para experiências espirituais carentes de uma reflexão teológica ou até resistente a ela, produzindo uma literatura de consolo, de auto-ajuda, centrada na subjetividade e na emoção. Setores tradicionais buscam tiram do Vaticano II elementos teológicos tradicionais, causando conflitos teológicos, fortalecendo uma eclesiologia de cunho centralizador e institucional.

2. A principal instituição eclesiástica pós-conciliar, o sínodo, como expressão da colegialidade, ficou a meio caminho, sendo restringido ao simples papel consultivo, predominando o pólo central. As conferências episcopais sofreram restrições e regressões lentas e continuadas: as novas gerações de bispos são sacramentalmente ordenados no espírito colegial, mas juridicamente pensados para serem autárquicos e assim escolhidos, mantendo-se a unidade próxima da uniformidade, em vez da diversidade e originalidade locais. No espírito colegial, no entanto, agitaram-se conselhos presbiterais, pastorais e comunitários com a experiência da assembléia do povo de Deus (talvez seja uma forma dos leigos e das leigas participarem na vida interna da Igreja).

3. O Concílio é um espírito, um novo símbolo da Igreja Católica, exprimido no imaginário da relação com o de Trento, com o das Igrejas evangélicas, com o das religiões e com o do mundo moderno em toda a sua extensão. O imaginário tridentino foi primado pela afirmação da identidade católica em oposição às Igrejas nascidas da Reforma e aos princípios e práticas da modernidade, em torno de 3 elementos visíveis: batismo, confissão exterior da fé cristã católica e obediência à hierarquia (especialmente ao Papa), criando o imaginário eclesial que alimentou a Igreja católica por quatro séculos. Já o imaginário do Vaticano II assumiu um teor teórico e prático-histórico a partir de fatores que penetravam na Igreja (ação católica, movimentos bíblico, litúrgico, social, missionário, artístico etc.).

O clima de diálogo e abertura causou esperança, euforia e ousadia desmedida, mas também temores, triagem e enquadramento de algumas experiências pela burocracia eclesiástica. Há certos movimentos que reagem buscando impor de novo a gravidade e o rigor de prescrições da Igreja no campo moral e sacramental. Apesar disso, Libanio afirma que as iniciativas deixaram marca positiva, como, por exemplo, nas celebrações litúrgicas. A formação do clero passou por estágios: primeiro com os cursos inseridos em universidades; depois voltando ao antigo estilo de vida mais reclusa; atualmente, está tomando um rumo transformador com a Teologia sendo reconhecida pelo MEC. A vida consagrada teve as maiores transformações: as de vida ativa despojaram-se de sua veste monacal, com transformação da forma de oração, de trajes, de teor de vida comunitária e de prática pastoral, buscando redescobrir o carisma fundacional.

4. O Concílio Vaticano II foi recepcionado na América Latina a partir de Medellín, onde foi dado um salto qualitativo para além da concepção centro-européia do Concílio, transformando a Igreja a partir da opção preferencial pelos pobres, lançando as sementes para uma Igreja mais popular, nas comunidades eclesiais de base, num forte embate com as forças de opressão que se escondia na face econômica de dominação. Baseando-se na teologia chamada da libertação (a partir de uma virada teológico-antropocêntrica da teologia e do método ver-julgar-agir), na estrutura das comunidades de base, nas práticas pastorais baseada nos círculos bíblicos e nas pastorais sociais.

O Concílio Vaticano II explica os avanços e os retrocessos do momento atual, seja da Igreja do despojamento (simples, humilde, pobre, consciente de seus pecados, arrependida, servidora, disposta a dialogar e cooperar com a sociedade humana), seja nos retrocessos conservadores (com temor diante do dinamismo que está a dissolver as estruturas emperradas e incapazes de responder à vitalidade). O concílio Vaticano II capitalizou um acúmulo de forças inovadoras e, por outro lado, crescem temores de que a Igreja católica perca a identidade. Devemos estar dispostos a entrar no verdadeiro espírito do Vaticano II que nos prepara para viver num mundo pluralista, de diálogo, de tolerância, de respeito à autonomia das pessoas.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Concílio Vaticano II : etapa preparatória.

Resenha do artigo: BEOZZO, José Oscar. O Concílio Vaticano II : etapa preparatória. In: LORSCHEIDER, Aloísio, et al. Vaticano II: 40 anos depois. São Paulo: Paulus, 2005. p. 9-37.

Neste artigo, Beozzo procura introduzir os três anos das etapas preparatórias do Concílio Vaticano II, desde o anúncio de sua convocação, feita por João XXIII, em 25 de janeiro de 1959, que provocou por todo o mundo excitação e grandes indagações: “O Concílio Ecumênico, segundo o pensamento do Santo Padre, não somente tende à edificação do povo cristão, mas também quer ser um convite às comunidades separadas para a busca da unidade pela qual hoje em dia tantas almas anseiam em todos os pontos de vida” (L’Osservatore Romano, 26-27 de janeiro de 1959,p.1). Em seguida, Beozzo enumera, em nove pontos, alguns elementos:

1. A palavra “aggiornamento” (“colocar-se em dia”, “atualizar-se”), acabou caracterizando a preparação do Concílio proposto por João XXIII e entrou no vocabulário de outras línguas, causando em alguns a impressão de que a Igreja Católica estava saindo da “segurança das trincheiras e baluartes em que se havia fechado, para o fascínio da busca”.

2. João XXIII convocou, ao mesmo tempo do Concílio, um Sínodo diocesano para a Igreja particular de Roma, mostrando sua preocupação por uma revisão, reorganização e novo empenho pastoral, e pretendendo conhecer melhor o seu rebanho e cuidar dele. As duas iniciativas tiveram o caráter “pastoral”, buscando, pelo diálogo, remédios pastorais para as aflições e indagações dos fiéis e da humanidade, tratando até os erros modernos com misericórdia, bondade e paciência. O concílio foi aberto com a presença de 2.540 padres conciliares, de observadores das demais Igrejas cristãs, de hóspedes do Secretariado para a União dos Cristãos, de delegados oficiais dos Estados e organismos internacionais.

3. Em 17 de maio de 1959 o Papa João XXIII constituiu uma Comissão Ante-preparatória, sob a direção do cardeal secretário de Estado, Domenico Tardini, que foi encarregado de consultar o episcopado católico de todo o mundo, dicastérios da Cúria romana, Faculdades de Teologia, Universidades Católicas, Superiores Maiores das Ordens e Congregações Religiosas, para colher sugestões e conselhos para o Concílio.

4. O cardeal Tardini enviou uma carta convidando os bispos para exprimir seus anseios e sugestões; em poucos meses chegaram mais de 2 mil respostas, procedendo-se à elaboração dos Relatórios Sintéticos Nacionais. Dos 167 bispos e prelados do Brasil que receberam a carta de consulta, 132 responderam. No entanto, a maioria limitou-se a desejar bom êxito ou solicitar pequenas mudanças no Código de Direito Canônico, na liturgia ou na disciplina eclesiástica.

5. Em 5 de junho de 1960, João XXIII deu início à fase preparatória, criando 13 comissões e secretariados, e uma Comissão Central, presidida pelo Papa e integrada pelos presidentes das demais comissões e outros membros, com o intuito de coordenar todos os trabalhos, estabelecer a agenda dos assuntos a serem tratados no Concílio e estabelecer as normas e regulamentos para o seu funcionamento.

6. As comissões trabalharam arduamente nos meses seguintes para organizar o material recolhido; no entanto as comissões operavam em segredo e isolamento entre elas, causando uma superposição de esquemas e acarretando incongruências e perda de tempo, causando uma dissociação entre o Concílio sonhado por João XXIII e os esquemas elaborados pelas comissões supervisionadas pela Cúria. A Assembléia conciliar rejeitou a continuidade das comissões pré-conciliares elegeu novos membros para elas. Salvo o esquema da liturgia, todos os outros 70 esquemas foram rejeitados ou despachados para serem refeitos, sendo reduzidos e reagrupados em 17 esquemas que resultaram nos 16 documentos finais do Vaticano II.

As comissões foram afetadas também pela sua composição, com um grande número de europeus, que ocupavam ¾ das posições, e também pelos pouquíssimos leigos; nenhuma religiosa ou leiga participou das comissões. Outro aspecto foi que o segredo fez com que a opinião pública e o episcopado mundial ficassem à margem do processo.

7. A participação brasileira na etapa preparatória foi reduzida a um punhado de 10 bispos e teólogos, sendo 4 membros e 6 consultores. A fase preparatória do Concílio encerrou-se com a sétima e última sessão plenária da Comissão Central, de 12 a 20 de junho de 1962. Todo o material resultou em 70 esquemas impressos em 119 opúsculos, em 2060 páginas.

8. A iniciativa de João XXIII de criar o Secretariado para a União dos Cristãos, em 5 de junho de 1960, acrescentado de uma sessão votada para o diálogo católico-judaico, e a de Paulo VI, criando um secretariado às religiões não-cristãs e outro aos não-crentes, ajudou nos propósitos e sonhos do Concílio.

9. Por fim, Beozzo afirma que o Concílio Vaticano II só foi possível por causa de João XXIII, na busca de um novo Pentecostes na vida da Igreja. Mesmo com alguns que se opunham à linha de abertura e diálogo inaugurada pelo Papa, seu entusiasmo e otimismo, alegria e contentamento levaram adiante para a realização do Concílio.