Missionário da Consolata na Colômbia e no Equador...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Missão em uma visão teológica nos dias atuais

Por: Edil Tadeu Pereira França - LMC

LIDERANÇA MISSIONÁRIA:
Servir ao Evangelho não deve ser considerado como uma aventura solitária, mas como um compromisso compartilhado de toda comunidade, assumir portanto a MISSÃO, que se orientada apenas pela caridade, corre o risco de reduzir-se a mera atividade filantrópica e social, caso se desvincule do ato de amor divino poderá reduzir-se a mera atividade. A missão nasce do coração transformado pelo amor de Deus, naqueles que testemunham inúmeras histórias de santos e de mártires, que de diferentes maneiras gastaram sua vida ao serviço do Evangelho.
“O amor, é o que permanece como verdadeiro motor da missão”, e para ser um missionário de fato é preciso ter consciência do amar a Deus com todo o próprio ser a ponto de entregar, se for necessário, a vida por Ele; ser missionário significa debruçar-se, como o bom Samaritano, sobre as adversidades de todos, de forma especial dos mais pobres e necessitados, porque quem ama com o Coração de Cristo não busca o seu próprio interesse, mas unicamente a glória do Pai e o bem do próximo.
Foi o próprio Jesus quem incumbiu “os escolhidos” de testemunhar perante o mundo esse mistério: “Então ele abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, e disse-lhes: ‘assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia, e no seu nome será anunciada a conversão, para o perdão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas dessas coisas’” (Lc 24,45-48). O Evangelho de Mateus apresenta o mandato de levar ao mundo a pessoa de Jesus de modo que todos se tornem seus discípulos: “Jesus se aproximou deles e disse: ‘Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todas os dias, até o fim do tempo’” (Mt 28,18-20).

Esses mandamentos de Jesus Cristo estão na raiz da existência da Igreja. “A Igreja, enriquecida com os dons de seu Fundador e observando fielmente Seus preceitos de caridade, humildade e abnegação, recebeu a missão de anunciar o reino de Cristo e de Deus, de estabelecê-lo em todos os povos e deste Reino constitui na terra o germe e início. Entrementes ela, enquanto cresce paulatinamente, anela pelo reino consumado e com todas as suas forças espera e suspira unir-se ao seu Rei na glória” (Concílio Vaticano II, Const. Dogm.Lumen Gentium, 5). É fundamental, entretanto, que segundo essas mesmas circunstâncias cada um se entregue de corpo e de alma à sua tarefa apostólica, missionária e evangelizadora, seja ela qual for. E o Evangelho é a escola da missão e tem irresistível destinação universal. Ele não pode ser detido, ele não deve ficar enclausurado. Esta dinâmica inata do Evangelho aparece na própria vida de Jesus, e no caminhar posterior da Igreja. E precisa retomar hoje novo impulso, como missionários que assumem o batismo!
Sabendo que Jesus passou por sucessivas superações de limites, que pretendiam impedi-lo de levar adiante sua missão evangelizadora, nós também precisamos nos sentir livres para evangelizar, rompendo resistências, subvertendo hierarquias, derrubando preconceitos, desmascarando hipocrisias, proclamando a nova ordem do Reino de Deus; colocando-nos inteiramente à serviço do Evangelho empenhando por completo nossas vidas, até o seu testemunho final, colocando para sempre o fundamento da perenidade da mensagem evangélica, sempre atual e indispensável para a humanidade, " em todos os lugares e em todos os tempos".
A MISSÃO E A IGREJA NO MUNDO DE HOJE
A Igreja precisa recuperar os ares da missão, sendo nosso dever romper as amarras culturais que a fez fechar seu olhar para um mundo cheio de indagações e incertezas; pois caso São Paulo retomasse hoje os caminhos da missão, não seria mais um "macedônio" que lhe apareceria em sonho, chamando-o para pregar o Evangelho em terras européias. Seria certamente um tibetano, um chinês, um vietnamita, um africano, e quem sabe um outro irmão brasileiro; afinal se levantaria um coro pluriforme de diferentes raças e culturas, ansiosas por acolherem as sementes genuínas do Evangelho de Jesus. Mas aí está hoje a nova encruzilhada para a Igreja. Ela não pode repetir os condicionamentos de Nazaré, de Cafarnaum e da circuncisão. A cultura do novo mundo, que soube acolher o Evangelho, não pode agora se tornar uma redoma, que condiciona a expansão do Evangelho para o mundo inteiro. E nós, comunidade missionária no mundo, nos perguntamos: “Quais são esses problemas e qual é a solução que podemos oferecer ao mundo, à humanidade e a Igreja?”
Quando somos chamados a lutar pela justiça da ressurreição e “confiar” naquele Deus que se encarnou nesse mundo para que tenhamos “vida em abundância” (Jo 10,10); a Igreja nos coloca diante do quadro da “missão”, onde distinguimos sob a visão de destinatários e dos agentes – sete ou oito dimensões diferentes. Missão pode significar “testemunho no mundo”, “pastoral missionária”, “nova evangelização”, “reevangelização”, “ecumenismo”, “diálogo inter-religioso”, “missão ad gentes”, “missão inter gentes” e “missão além-fronteiras”. Todas estas atividades missionárias, no seu conjunto, configuram “a missão da Igreja no mundo”. São pedrinhas que constituem o mosaico da missão universal da Igreja. “A comunidade missionária para a humanidade”, a “missão ad humanitatem”, é dirigida a todos os credos, porque “a Evangelização dirige-se também à própria Igreja”, segundo o “Instrumento de Trabalho” (n. 20);cujos agentes devem deixar de lado determinados preconceitos, tornando nossa missão direcionada a todas as culturas, nações, classes sociais e faixas etárias.

Poderíamos então perguntar: Esse tema não é amplo demais? Essa amplitude não nos faz esquecer os nossos problemas específicos? Onde fica a nossa identidade católica junto ao ministérios, aos leigos e o diálogo ecumênico e inter-religioso? Certamente todas essas partes e seus eixos transversais (cf. IdT 1 e 13) serão retrabalhados nos grupos de discussão e estudos, ou em outras exposições da caminhada dos grupos missionários ou das pastorais que necessitam ser um novo eixo integrador do pensamento eclesial. Nesta hora é que nos deparamos com os quebra-cabeças e suas relevâncias, fazendo com que o sonho do discípulo missionário se para questões específicas da realidade particular das nossas Igrejas.
Nossa tarefa, é costurar aquele fio que dá conta de um mundo humano e de uma responsabilidade missionária em expansão, como o próprio cosmo. É preciso ver três dimensões no caminho da nossa responsabilidade missionária e o contexto local do mundo no qual desenvolveremos nosso papel:
1) A relevância da comunidade missionária para a humanidade que brota da “natureza missionária da Igreja”.
2) Pedras preciosas e pedras de tropeço no caminhar da comunidade missionária ao encontro da humanidade.
3) Nosso compromisso com a humanidade.
1) E passaríamos a focalizar estas três dimensões tendo o argumento da “natureza missionária” como sendo algo interno da Igreja, que afirma a necessidade e continuidade permanente do paradigma missionário. Essa mobilização missionária não deve considerar como algo extraordinário, nem como prerrogativa de uma ou outra Igreja local ou de setores pastorais ou movimentos específicos. Segundo o Vaticano II, a natureza missionária faz parte da normalidade e da razão de ser eclesial: “A Igreja peregrina é por sua natureza missionária. Pois ela se origina da missão do Filho e da missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai” (AG 2).
2) Os novos textos interpretativos na Igreja, insistem em devolver a cotidianidade missionária à Igreja em todas as suas instâncias. Também o discurso teológico deve ser marcado pela natureza missionária da Igreja, e representa não uma disciplina entre outras, mas uma teologia da missão que permeia todas as matérias teológicas. Assim encontraremos as Pedras preciosas e pedras de tropeço no caminhar da comunidade fazendo um estudo mais detalhado a partir da Teologia da Missão e ao mesmo tempo, na teologia fundamental e pastoral, pois apenas discursar sobre os núcleos onde nascem a força missionária torna algo “performativo” e não somente “informativo” transformando a vida eclesial.
3) O Nosso Compromisso com a humanidade no mundo globalizado sem fronteiras geográficas e políticas, não tem mais para onde exportar a miséria. Todos os países a reproduzem no interior de suas próprias fronteiras. Isso nos possibilita e obriga também a globalizar a solidariedade e a busca comum de alternativas. Portanto nos aponta para uma busca incessante de globalizar a esperança e de afirmar que existem alternativas. Pois os problemas levantados foram criados pela própria humanidade, o que nos dá a esperança, que a própria humanidade nos ajude a conseguir uma solução. Acreditamos que um outro mundo é possível, porque o tripé entre crescimento econômico, segurança social e democracia política não funciona, nem oferece uma perspectiva universal.
A UNIVERSALIDADE DA MISSÃO SOB A ÓTICA DA LIDERANÇA MISSIONÁRIA.
É importante que a universalidade da missão (não-exclusão, participação de todos, confins do mundo) não esquecendo-se das diferenças nos contextos da humanidade, pois também os projetos históricos de cada grupo étnico-social terão a característica de uma "causa" que pode ser defendida por todos. Também a universalidade contextual dos povos mais sofridos pressupõe o longo caminho da construção de um projeto comum. Sem esse projeto, mediado por valores universalmente concordados como justiça, solidariedade, igualdade, liberdade, participação e tolerância, também os projetos históricos dos grupos sociais precisam ser lembradas e embutidas como causas do Reino. As causas do Reino representam os desafios de uma comunicação intercultural com os diferentes: com saberes populares e laicos, com experiências religiosas, com temporalidades diferentes, com hierarquias diferentes e com visões e valores diferentes face à produtividade econômica. Mas, somente com uma visão teológica missionária, regional e descontextualizada se consegue dar conta dessa complexidade da natureza missionária.
A universalidade da missão “tanto mais promove e exprime a unidade do gênero humano quanto melhor respeita as particularidades das diversas culturas” (GS 54). A universalidade missionária cresce com a proximidade que é "cognitiva" em sua memória, "sensitiva" em seu olhar e em sua escuta, e "emocional" em sua compaixão além de fazer a ponte entre o caminho da libertação e a inculturação, cujo paradigma da libertação visa à não-exclusão, e a participação de todos pela universalidade da justiça, da solidariedade e do amor. Não podemos deixar de compreender que a universalidade vista a partir de um horizonte das causas do Reino entendo-se como tal, a alternativa aos grandes discursos e projetos que emergem da globalização econômica (competitividade, lucro-benefício, consumismo), como articulação de múltiplos projetos de vida, que une a responsabilidade universal, pelo conjunto da humanidade e do planeta Terra. O anúncio e a prática universal do amor maior e o anúncio do Reino como "libertação do cativeiro da corrupção" (Rm 8,21; LG 9), por ser anti-sistêmico, é para todos.
Pelo aspecto da UNIVERSALIDADE na MISSÃO sob a ótica da Liderança Missionária, é preciso derrubar os muros, marcados pela “corrupção do pecado”, significando recuperar a imagem de Deus nos rostos humanos e a comunicação livre entre iguais e diferentes. Nesse processo que religa a ordem da redenção à ordem da criação, Jesus histórico e pós-pascal se coloca ao lado da samaritana, do migrante, do leproso, do pobre, da outra e do pecador. Ele constrói unidade a partir da assunção e da articulação da humanidade mutilada em seus contextos e nos confins dos seus mundos. Diante das “feições sofredoras de Cristo” nas feições da humanidade em “situação de extrema pobreza” (Puebla 31ss), onde o despojamento da encarnação e redenção assume sua relevância histórica e salvífica, caem todos os muros. É bom lembrar, Jesus não foi pedreiro; não construiu muros; mas na realidade Ele foi carpinteiro, fez portas e janelas. E a missão deve se fazer forte na construção da unidade emperrada muitas vezes pelos “muros da separação” (cf. Ef 2,14), pois “Anunciar Boa-Nova aos pobres” significa derrubar muitos muros de separação que a sociedade permitiu construir, não só entre países, mas também no interior de cada Estado e pessoa. Ao contar a parábola do bom samaritano (Lc 10,25ss), respondendo à pergunta sobre o que se deve fazer para obter a vida eterna, Jesus propõe derrubar não só o muro étnico entre samaritanos e judeus, entre mestiços impuros e judeus puros, o muro clerical entre sacerdotes e leigos, mas também o muro entre seita marginalizada e religião oficial, entre justos e pecadores, entre discurso e práxis, entre verdade e amor. Seguir a “falsa” religião dos samaritanos não impede, segundo a parábola, fazer o certo diante de Deus. O certo e decisivo para a vida eterna não é a pertença ao grupo certo, mas se chama prática da justiça maior e da caridade, articulação da diversidade não-excludente e superação de diferenças exclusivas.
A VISÃO DO MOMENTO MISSIONÁRIO SOB A ÓTICA DA LIDERANÇA.
A missão não desemboca num puro pensamento, nem em um puro ato de fé, ou como uma doutrina revelada. O seu objetivo não é que as pessoas e os povos reconheçam a verdade da revelação, mas que entrem num agir pessoal e coletivo realizando pelo seu agir o crescimento do reino de Deus neste mundo. É um processo de libertação tendo por finalidade a procura do lugar de cada um, de cada comunidade, de cada povo ou de cada religião, enfim, da humanidade toda nesse processo. Pois cada um e cada povo são chamados a agir de modo particular, específico, único dentro do processo em que nada se repete tudo avança e cada um é original. Não se trata da submissão de todos de maneira igual à mesma doutrina, pois seria uma forma impositiva, autoritária, mas é preciso pensar no novo espaço teológico e de igreja a fim de que não produza objetos contrários à pratica da eclesiologia reinante no meio de hoje.
Ao estabelecer uma continuidade entre a missão de Deus e a missão da Igreja. É necessário perceber que esta Igreja sendo vista como realizadora da missão de Deus e não apenas como receptora e divulgadora de uma doutrina sobre Deus e vinda de Deus, precisa então rever esta condição, não continuando apenas na concentração e na manutenção de uma cristandade, mas olhando para o mundo exterior e redescobrir que a sua vocação está em evangelizar todos os povos e não manter apenas os restos da cristandade, sempre apontado para os mais pobres, pois agindo desta forma ele estará inclusive aumentando o declínio da sua importância numérica no conjunto da humanidade.
É preciso rever completamente o conceito de “missões”, principalmente nos últimos tempos, pois a atualização da doutrina da missão ora feita por representantes dos antigos missionários, ou das congregações ditas missionárias; precisa se preparar para a inserção dos leigos e leigas missionários; pois ainda essa é a situação em muitos países. No entanto, os fatos novos nos obrigam e mudar radicalmente a estrutura da “do grande mundo das missões”: deve fazer um reestudo nas bases da revisão dos tratados de Deus, de Jesus Cristo, do Espírito Santo, da Igreja, da Graça, da escatologia, enfim, da totalidade da teologia que foi ensinada nos últimos séculos.
Desde o Concílio Vaticano II, o povo de Deus começou a tomar consciência de que a Igreja toda é missionária e que ela não tem outra razão de ser que não seja a missão, isto é, o envio a todos os povos. O documento Evangelii nuntiandi enunciou esse tema com muita força e desde então todos os Papas e todos os bispos repetem que a razão de ser da Igreja é a evangelização do mundo. Na prática, tudo é um pouco diferente. Depois de proclamar que a sua razão de ser é a missão, continuam administrando as mesmas coisas de sempre dentro do público tradicional. De qualquer maneira, existe a consciência clara de que a Igreja se define pela missão. Por isso é necessário ver que o Reino de Deus é uma nova sociedade em que as relações entre os seres humanos sejam de serviço, mesmo sabendo que quem quiser a justiça, será taxado de comunista, ladrão, subversivo, imoral, mesmo em casos tão evidentes como a reforma agrária, onde os proprietários defendem as suas terras, inclusive matando; contrariando a forma de amor que é comum a todos nospassada pelo evangelho.
Diante desta igreja que vive reanunciando para um povo fiel, entendemos que não se pode viver sem religião, mas muitos vivem sem o evangelho ainda que sejam religiosos. Esta é a situação em que se acha a missão. A missão precisa ser bem clara, bem distinta da religião para não manter os ouvintes na ignorância do verdadeiro Jesus. A missão não pode ser propaganda religiosa, embora essa propaganda seja muito mais fácil e tenha muito mais êxito do que o anúncio do evangelho. A propaganda religiosa é o caminho largo, agradável, exitoso. A pregação do evangelho é o caminho estreito. Pois o anúncio do evangelho obriga os cristãos a uma reconversão permanente da sua vida para que não esteja prisioneira de uma religião. As pessoas que usam símbolos religiosos cristãos acham, com muita ingenuidade, que são discípulos de Jesus, mas os verdadeiros discípulos se reconhecem na prática do amor.
A missão não é a transmissão de um sistema religioso, nem a integração das pessoas num sistema religioso. A missão tem por objetivo comunicar a todos a mensagem de Jesus, o anúncio de uma libertação, a maior alegria do mundo. A missão é comunicação com pessoas. Consiste em trazer alegria, confiança, esperança às pessoas. Parte da situação em que cada pessoa está, e, por isso, apresenta a mensagem de Jesus na sua realidade, a mensagem das bem-aventuranças no linguajar que cada pessoa entende. A missão é vocação para a liberdade. Não é conquista, mas um dom de vida; por outro lado a RELIGIÃO OFICIALIZADA para administrar a evangelização sempre é vista como conquista: ela quer resultados numéricos: mais batismos, mais comunhões, mais livros vendidos, mais procissões, mais pessoas nas missas e assim por diante. Ainda há muitos católicos que acham que a missão consiste em aplicar o direito canônico,fazendo confusão entre doutrina, evangelização e missão, buscando tornar nossa igreja extremamente conservadora.
A MISSÃO APLICADA NO MUNDO
A missão, antes de ter uma conotação humana que fala da tarefa da igreja, antes de ser da igreja, é de Deus. Esta perspectiva nos guarda contra toda atitude de auto-suficiência e independência na tarefa missionária. Se a missão é de Deus, então é dele que a igreja deve depender na sua participação na tarefa. Isto implica numa profunda atitude de humildade e de oração para a capacitação missionária. Por outro lado, se a missão é de Deus, temos a segurança de que é Deus quem está comandando a expansão do seu reino, nos seus termos, e isto nos dá plena convicção de que ele realizará os seus propósitos.
Então, esta perspectiva da pertença a Deus também nos guarda contra todo escapismo deste mundo para um plano espiritual além; de toda passividade e comodismo. A missão de Deus não inibe a atividade do seu povo, mas dinamiza-a. Se foi Deus quem escolheu, fica patente que escolheu um povo para, através dele, realizar sua missão. A igreja passiva quanto ao seu envolvimento missionário não poderá invocar a soberania exclusiva de Deus como justificativa pela sua passividade, pois o Deus soberano escolheu o seu povo para testemunhar. Usando um exemplo do Novo Testamento, era necessário que Pedro pregasse para Cornélio, muito embora o anjo que o precedeu bem pudesse ter anunciado o evangelho para este centurião (Atos 10). Para atingir alvos universais, a restauração de toda a criação, Deus escolheu meios particulares, um povo.
Se a tarefa missionária tem como o seu instrumento atingir um povo sofrido e marcado socialmente, é importante que isto se reflita na igreja como um todo. Celebrando o desejo atual de muitas pessoas no seio da igreja que querem abraçar e ampliar as suas parcerias com outras denominações, podendo assim atingir a massa que luta pelas desigualdades sociais e humanitárias. Acreditamos que o próprio testemunho missionário diante do mundo depende disto (Jo. 17.20-21). É também uma tarefa difícil e delicada que não poderá ser apressada. Entretanto, sem um ecumenismo bíblico e sadio, o testemunho missionário cai por água abaixo.
Haja visto que nem sempre na Historia, a missão da igreja refletiu o caráter justo, salvador e libertador de Deus, a dinâmica da missão nos guarda, por um lado, contra uma identificação completa dos programas missionários estruturais, deixando-nos a livre escolha das indagações do povo ou massa a serem atingidos, tendo em vista o propósito e missão global e integral de Deus e o conceito que às vezes se tem de missão da igreja. O que temos notado na realidade é certo triunfalismo que muitas vezes se evidencia nos slogans missionários que jamais poderá ser comparável com a adoção humilde do papel de missionário-servo do povo de Deus no meio das nações.
Sabemos que o homem não só é guardião do seu próximo, mas mordomo da própria criação em todas as suas múltiplas dimensões religiosa, social e ecológica; provendo instruções para o bem-estar de toda a criação e de toda a vida; e esta perspectiva nos aponta toda sorte de miopia missionária e isto implica então numa motivação e estratégia evangelística que procure ir não só para os mais distantes lugares, mas aonde quer que Cristo não tenha sido anunciado (Romanos 15.20), quer sejam grupos humanos negligenciados ou “escondidos” por perto, quer sejam povos não alcançados mais distantes. Mas o alcance da missão não pára com toda a raça humana. Também implica enquanto igreja assumir a luta por toda a criação. Problemas ecológicos como a seca no nordeste, enchentes no sul, desflorestamento da Amazônia, poluição do meio ambiente, o uso apropriado e a redistribuição de terras também devem ser tratados pelo povo de Deus. Fazem parte da sua missão. Que isto seja dever do governo não há dúvida, contudo a igreja antes, tendo uma restauração substancial da imagem de Deus nela, deve opinar e se envolver num testemunho para toda humanidade e toda a criação.
Desde o início do testemunho bíblico observamos que Deus age dentro e através de eventos concretos na vida dos seres humanos. Ele não se manifesta num plano contemplativo e fora deste mundo, mas dentro e através da história, Até mesmo a literatura apocalíptica, que enfatiza um contraste com este mundo, ensina que a intervenção futura e catastrófica de Deus será uma irrupção para dentro desta história e deste mundo. Embora enfatize descontinuidade com a progressividade natural da história humana, não transfere o cenário dos atos salvífico de Deus para um plano extra-histórico ou ultra-mundano. Apenas ressalta a opção sempre presente e futuramente iminente da intervenção divina na história, como sendo abrupta e extraordinária.
É importante crer que a perspectiva bíblica clareia e muito a tarefa ou a missão da igreja espalhada pelos continentes do mundo e que Deus atua num projeto histórico, a igreja tem uma boa base para se perguntar: “Onde, nos eventos históricos da realidade mundial, podemos discernir a mão de Deus?” Alguns podem entender isto como sendo uma secularização da fé. Não é intenção do líder missionário; pois em vez de reduzir a missão de Deus aos afazeres deste mundo, queremos discernir onde e como Deus poderá estar manifestando seu reino na nossa história. Implica na proclamação do evangelho para uma nova visão de arrependimento e conversão; implicando também em participar na luta pela justiça. Com os pés no chão, as mãos em oração e os olhos abertos à realidade multidimensional, a missão dá testemunho pela proclamação das boas novas e pela promoção de justiça de maneira concreta e visível.
Uma análise, até superficial, da situação socio-econômica na América Latina e no mundo cristianizado deixa a igreja sem desculpa quanto à sua missão neste mundo e nesta história; pois não podemos tolerar uma visão estreita e imediatista que sempre se acha para os desafios atualmente urgentes. Tal visão curta se alimenta duma escatologia superficial, se sujeita à tirania do urgente e evidencia cegueira histórica. Paulo, que desejava o retorno de Cristo, teria razão de pensar assim, mas não o fez. Sempre trabalhou com uma lógica de prazo para o seu desempenho pastoral e missionário. Necessitamos, portanto, duma visão larga, profunda e extensa do presente porque os desafios são eternamente urgentes, uma visão escatológica do agora baseado no passado distante e um futuro que é prerrogativa apenas de Deus (Atos 1.8, repare que o “mas” responde à tentação de identificar datas ou prazos temporais). Deus é o alvo da obra missionária e nos faz entender a própria definição da desta complexa obra; pois a obra missionária enfatiza a prioridade de alcançar povos, ou etnias não alcançadas. Isto se evidencia na repetida descrição bíblica da tarefa missionária em termos de etnias (Mateus 24.14; 28.18-20; Romanos15.19-21). Na Bíblia, a frase, panta ta ethn, significa “todas as nações” ou “todas as etnias”. A palavra na forma singular, ethnos, de fato, sempre se refere à coletividade dum povo ou duma nação. Nunca se refere a indivíduos gentílicos. O mesmo é geralmente verdade em relação a palavra na forma plural, ethn. A frase, panta ta ethn, quase sempre denota esta referência coletiva na Bíblia, também. Que a estratégia bíblica seja de alcançar especialmente as etnias não alcançadas é claro em Romanos 15.19-21. Para muitos cristãos, talvez até a maioria, esta estratégia não parece muito lógica. Antes alcançar todos os indivíduos ao nosso alcance e semelhantes culturalmente a nós, que procurar alcançar representantes de etnias que podem ser geográfica ou culturalmente distantes. Parece uma questão de mordomia de esforços. Este raciocínio parece, sem dúvida, bastante lógico e leva muitas igrejas a desconfiar da estratégia missionária de alcançar representantes de diversas etnias. Meu ponto é o seguinte: se fosse pelo amor humano pelo ser humano, nossa ênfase deveria estar na salvação de indivíduos que estão próximos, e isto, de fato, é a prática comum. O amor a Deus, entretanto, leva a outra conclusão, que acredito ser a bíblica: a ênfase na prioridade de etnias, e especificamente etnias não alcançadas porque: 1) há mais beleza e poder de adoração na unidade derivada da diversidade de povos que canta todas as partes de um hino a Deus do que no coro que canta uníssono (Salmo 96.3-4); 2) a fama, a grandeza, e o valor de um objeto de beleza aumenta na proporção da diversidade daqueles que reconhecem tal beleza; 3) a força, a sabedoria e o amor dum líder se magnífica na proporção da diversidade de povos que ele inspira para segui-lo; e 4) ao focalizar todos os grupos humanos do mundo, Deus está subvertendo o orgulho etnocêntrico que se baseia em alguns atributos distintivos que cada povo gosta de destacar. Ao invés disto, o orgulho etnocêntrico natural de cada povo dá lugar à graça imerecida de Deus.
Entre outras coisas, este princípio implica num preparo prolongado, diante tanto do tamanho quanto da urgência do trabalho missionário.Em Jesus Cristo, todo povo se beneficia da salvação que Deus dá; portanto, a misericórdia de Deus em estender a salvação para as nações é a suprema razão da obra missionária. É iniciativa e obra de Deus, portanto, nós, discípulos missionários, teremos toda razão em anunciar tão grande oferta. Enraizamos a razão da obra missionária não no ser humano, na sua carência de Deus, ou no seu amor para com aqueles que não têm Deus, mas a razão da obra missionária está firmemente enraizada na iniciativa e na misericórdia de Deus.
ESPIRITUALIDADE NA MISSÃO
O caminho da ESPIRITUALIDADE na missão é marcado, pelo seguimento de Jesus, pela pobreza evangélica e material. E, ainda mais, pela presença e serviço ao pobre. Inúmeros missionários e missionários têm marcado o próprio caminho no despojamento e na pobreza e, conseqüentemente, no serviço incondicionado aos pobres e por aqueles que sofrem. Porém a questão da pobreza passa por uma discussão de conceitos e consciência, porque nem todos tiveram a mesma consciência da realidade da pobreza. É preciso reconhecer que alguns viveram e praticaram a pobreza na perspectiva das obras de misericórdia, sem questionar os mecanismo da opressão e suas causas. Outros, com maior consciência, entenderam que a pobreza não representava o curso natural das situações, mas provocada por injustiça das estruturas e dos corações. Mas hoje, com uma maior consciência histórica e uma leitura mais conseqüente do Evangelho nos possibilitam focar a questão da miséria e da pobreza com um profetismo maior. O fato de se ter diferenças na compreensão e na consciência da questão da pobreza, não fica eliminado o ponto de partida que unifica a vida dos missionários e das missionárias. Mesmo com diferentes interpretações a opção evangélica pelos pobres representa uma constante da vida missionária.
Outra característica da espiritualidade missionária, é o sentido de "andar contra corrente", que muitas vezes somos levados a raciocinar como sendo "loucura missionária”, parte integrante da espiritualidade e da radicalidade em assumir a ação missionária, uma vez que o missionário, nas trilhas de Jesus, rompe qualquer tipo de fronteira e passa todas as fronteiras, sobretudo institucionais, com um amor evangélico incondicional pelos irmãos e pela causa. Porém A MISSÃO, em sua radicalidade e sua loucura, deve ser mantida sob controle, uma vez que a ótica do Reino e a paixão pelo sonho de Jesus fazem da espiritualidade missionária um caminho sem retorno.
Temos certeza que em qualquer experiência de Jesus acontece através da solidariedade com os abandonados, faz da experiência religiosa uma aventura romântica e intimista, mas não atinge o núcleo da experiência religiosa cristã. Dar a vida, como Jesus, é preciso, fazer-se companheiro dos despossuídos. E ao abraçar a causa do oprimido, despido de quaisquer preconceitos viver uma aventura missionária nem sempre teve uma perspectiva reino-cêntrica, o missionário precisa se resguardar em determinada forma eclisiocêntrica para junto com outros irmãos manter sua integridade, e fazer um REFORÇO maior ainda da perspectiva em tornar acreditável e visível o sonho do Reino. A assunção reflexiva e prática do ser missionário, não isoladamente, mas no interior de uma comunidade de irmãos e de um povo, faz a pessoa crescer na compreensão de suas possibilidades e limites, na felicidade despojada que liberta da escravidão dos desejos, e na capacidade de conviver com os mistérios da vida (mal, contingência, sofrimento, violência, morte).
Porém a aventura missionária em sua espiritualidade faz-nos viver a “paixão pelo Reino” (DA 152) e o sofrimento pelo Reino, nos propõe a continuidade histórica e memorial da caminhada dos pobres que não foi nem será em vão, e impõe a ruptura com o sistema capitalista neoliberal em gestos concretos, atraindo-nos a viver como estrangeiros sem muros e barreiras que dividem os povos. Não há uma única cultura como não há uma cultura que melhor expresse as potencialidades do Evangelho. O estrangeiro, justamente por não ser parte integrante de um grupo, pode contribuir para que o outro se compreenda em sua real dimensão, como um espelho que reflete o rosto do outro e lhe permite contemplar-se na sua real dimensão.
A presença missionária revela-se menos nas palavras contundentes e nas argumentações que convencem e mais na presença silenciosa de amizade, porém a Espiritualidade Missionária é vista na cidade como aquela que relativiza a arrogância de conhecer tudo e de ter a última resposta para tudo; mas na verdade a experiência com adquirida na diversidade do caminhar e os desafios fazem do missionário um caminheiro que busca e que encontra, que ensina e que aprende que oferece e recebe dons. O missionário é discípulo na itinerância e na busca do essencial.
O missionário busca através de seu viver, encontrar uma espiritualidade do caminho; pois o missionário desloca-se constantemente, acompanhando os passos inseguros e mutáveis do morador da cidade. Sai de casa de manhã cedo, percorre longos quilômetros, nos ônibus ou a pé, e se retira para um breve descanso nas noites cansadas, acompanhando o ritmo e as luzes da cidade. E a evangelização se dá mais através do testemunho de vida, da essencialidade das coisas, da desinstalação constante, do silêncio e do cansaço do caminho. O missionário urbano faz da própria vida uma constante comunicação personalizada da mensagem. Mesmo que use dos meios de comunicação social, a palavra dita é mais testemunhal. É uma palavra que ressoa junto a outros discursos, às vezes vazios e arrogantes, e preenche as frestas para dar sabor e sentido. É uma palavra que se torna carne na vida da pessoa da cidade ("O Verbo se fez carne").
Nos grandes centros sua forma de fortalecer o espírito, se dá diante de uma espiritualidade fortemente comunitária e eclesial. Onde se busca as relações e faz da Palavra de Deus e da Eucaristia o centro de uma vida fraterna, dom de Deus e construção do novo.
Portanto não apenas no mundo onde se pensa viver os conflitos é que o missionário encontra lugar para desenvolver sua ação missionária, mas dentro do espaço urbano, nas periferias, se encontra o rosto desfigurado do Cristo no irmão que sofre as conseqüências do lucro desalmado e das perseguições nas diversas formas de injustiças.
Enfim, trata-se de uma espiritualidade que, cada vez mais, está tomando um rosto e se fazendo, mas que precisa de mais tempo para se sedimentar. Tem a cor e o rosto da pessoa urbana, do sertão ou das terras ameaçadas pela ordem econômica, social e até religiosa; sem trair a inspiração profunda do Evangelho.
CONCLUSÃO
Viver hoje a missão é ultrapassar constantemente fronteiras que separam as línguas, etnias, culturas e religiões, além do crescente abismo entre ricos e pobres. As metáforas da missão se exprimem em termos de solidariedade, caminhada com os pobres, diálogo, partilha. Esta espiritualidade reclama a aceitação do pluralismo como bênção e oportunidade para construir um mundo diferente. As religiões não são barreiras, mas caminhos diferentes para Deus se manifestar. A missão exige do missionário grande disponibilidade e atenção constante aos sinais dos tempos, para discernir a ação do Espírito e tornar-se instrumento nas suas mãos. Já nos distanciamos da missão concebida como salvação das almas, ou como serviço à Igreja, com a finalidade de converter o maior número de pessoas à verdadeira fé ou de criar comunidades eclesiais, hoje as questões da vida e conceitos de sofrimento fazem parte da missão.
A Missão de Cristo foi proclamar e inaugurar o Reino de Deus, que envolve os homens e a Criação. A família humana tem origem divina; todos foram criados à imagem e semelhança de Deus e refletem sua imagem, cristãos ou não. Ninguém é excluído do plano da salvação, que é único e universal. A Missão da Igreja insere-se nesse projeto divino, que ultrapassa as fronteiras da Igreja e atinge as dimensões do Reino. Deus chegou a todos os povos, antes de o missionário ter chegado lá, “de um modo que só Ele conhece”. Encontramos no Decreto Conciliar Ad Gentes um retornar a Missão à sua verdadeira fonte: a Trindade. A Igreja é, por natureza, missionária, pois tem a sua origem na Missão do Filho e do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai (cf. AG 2). O Concílio situou a Missão na sua verdadeira fonte: ela nasce em Deus, é dom de Deus. A nossa colaboração missionária consiste apenas em deixarmo-nos envolver por esse dom; pois o missionário não é o protagonista da Missão, somente Deus o é. A iniciativa de Deus antecipa, acompanha e leva a bom termo a Missão. Antes de se entregar aos homens que quer evangelizar, o missionário se entrega a Deus, de quem está enamorado. São João desenvolveu esta teologia da Trindade como fonte da Missão. No prólogo do seu evangelho, ele declara a origem, a finalidade e as dimensões cósmicas da Missão do Verbo. Ao longo deste evangelho, a Missão do Filho comunica o profundo mistério do Pai. Essa filiação vai fecundar toda a história humana. Se, por um lado, a Missão está situada no coração da Trindade de Deus, por outro, tem o seu termo no coração do homem.
A conversão ao evangelho não vai mudar a identidade de um povo, nem fazer deles pessoas desenraizadas ou expatriadas. Antes de serem evangelizados, eles tinham os sinais do amor de Deus, que os chamou à vida e os criou à sua imagem e semelhança, até mesmo desconhecendo-o. A Criação é o primeiro gesto missionário de Deus. Com a encarnação de Jesus, que se faz homem e assume a condição humana, Ele completa, em cada um, essa filiação com que nos gerou, quando nos chamou à vida. O mistério da encarnação e da redenção não atinge só os batizados: toda a humanidade é tocada por esta graça. Nascida ali, a Igreja será filha do povo no qual entra; terá a sua cor e o seu modo de se situar no mundo. Será a história daquele povo, da sua cultura, do seu viver que Cristo vai assumir, como o fez na Palestina. Por isso, o modelo desta Missão é a encarnação de Cristo.
Não se trata, portanto, de aproveitar só alguns valores dispersos, e adaptá-los ao evangelho, mas de fazer transparecer o Cristo em todos os seus valores culturais. O Vaticano II voltou-se decididamente para o homem contemporâneo, e as situações concretas que este homem vive indicarão os passos que a Missão deve percorrer. É uma Missão contextualizada, interpelada por múltiplas fidelidades, com muitos rostos, tantos quantos são os caminhos percorridos pelo homem de hoje.
* Edil Tadeu Pereira França - LMC
( Assessor do CTP - Cotia, Ministro da Palavra , Teologo)

sábado, 21 de abril de 2012

Cambios eclesiológicos y misionológicos de la Iglesia Católico desde el Concilio Vaticano II (1962-1965)

Por: Julio Caldeira, imc *

Vivimos en una época de cambios rápidos (y de “cambio de época”) que generan nuevas perspectivas y maneras de relacionarse entre las personas, grupos y naciones; la gente se siente afectada en su identidad, y es llevada a preguntarse constantemente ¿quién soy yo? A nivel religioso vemos lo mismo, con los cambios de los últimos años y las nuevas perspectivas de la vivencia de la fe, la gente se aleja de la vida religiosa o busca cada vez más seguridad en modelos que dan una respuesta pronta para su vida (muchas veces sin reflexionar la verdad y autenticidad de estos modelos), pues la novedad trae riesgos para la seguridad y la identidad; es más fácil quedarse con modelos y estructuras que dan la idea de seguridad, que cambiar para crecer y superar estructuras superadas que no responden a la realidad y a los “nuevos tiempos”.
 En la Iglesia Católica vemos una cantidad de posiciones encontradas: desde un fervor misionero hasta el más fuerte desánimo y desorientación… al mismo tiempo, observamos una fuerte tendencia al relativismo o al fundamentalismo, que vienen creciendo en los últimos años, llevando a muchas discusiones y hasta divisiones en lo que se refiere a la práctica religiosa. En la práctica misionera ad gentes, que tiene el ideal de anunciar el Evangelio a aquellos que todavía no conocen a Jesús, se presentan cuestionamientos sobre su validez y práctica entre estos pueblos…
Para ello es importante conocer los cambios generados en las últimas décadas.
1)                 Antes del Concilio Vaticano II:
Dentro de la “teología de la cristiandad”, que perduró hasta mitad del siglo XX, existía una idea por la cual  todos creían normal que la Iglesia y la teología se definiesen por la cristiandad y sus actividades. Tal teología unida al proyecto misionero, que estaba en el interior de la Iglesia y en su expansión, tenía el objetivo de:
a)      Convertir: “dejar atrás” las propias creencias, supersticiones y la manera de vivir para aceptar el modelo misionero occidental, conocido como “conquista espiritual”;
b)      Traer hacia adentro pues “fuera de la Iglesia no hay salvación”: este axioma orientó todo el camino estricto de la misión durante la cristiandad (siglos XIII-XX);
c)      Bautizar para salvar las almas: visto como puerta de entrada para la eternidad, se bautizaba a todas las personas (a quienes lo pedían y también a quienes no lo pedían), sin preocuparse por una autentica evangelización[1];
d)      Expandir la Iglesia: se buscaba un crecimiento cuantitativo, sin importar que para ello tuviese que hacer “pactos” con los gobiernos aliados y por eso se limitase la verdadera evangelización . Todo en la Iglesia era considerado perfecto y establecido (no había el “respeto por el otro, por el diferente”, pues quien está fuera no tiene nada que ofrecer); se debería “catequizar” a las personas con las “santas enseñanzas de la doctrina y de la civilización” para llenar el vacío y garantizar la salvación de ellas. La Iglesia era una institución identificada con el Reino de Dios (el Reino de Dios es propiedad de la Iglesia, que Cristo fundó y la que le dio las llaves del Reino);
e)      ¿Quién era el misionero que partía para “las misiones”/“tierras de la misión”? Era el sacerdote o el religioso que dejaba todo para “catequizar los infieles/paganos”; las religiosas (que vivían enclaustradas) se dedicaban a las oraciones. Solamente a partir del siglo XIX, también algunas religiosas (ahora de vida activa) comenzaron a partir para las “misiones”. La tarea de los laicos era solamente “rezar, ayudar materialmente y favorecer vocaciones”.

2)                 Después del Vaticano II (a partir de 1965):
Uno de los grandes cambios del Concilio Vaticano II fue el rompimiento con el modelo de cristiandad, con el eclesiocentrismo y con el cristomonismo que caracterizó a la Iglesia durante el segundo milenio. Esto llevó a nuevos horizontes especialmente en la Eclesiología y la Teología de la Misión en las últimas décadas. Entre las principales podemos destacar:
a)      Superación de la Cristiandad y recuperación de la eclesiología del Pueblo de Dios:
- Pueblo de Dios
En este proceso la Iglesia es definida como Pueblo de Dios, evitando “restringir la tarea profética, real y sacerdotal solamente al papa, a los obispos y sacerdotes. De esta definición se deduce también la profunda igualdad entre los cristianos”[2] . La jerarquía debe estar al servicio del Pueblo de Dios y no al contrario.
Se pasó de una Iglesia triunfalista, ‘potestas’ (poder, jerarquía, sociedad perfecta) y jurisdicista a una Iglesia servidora de la humanidad (GS – Gaudium et Spes 40-43), seguidora de Jesús pobre y humilde (LG – Lumen Gentium 8), semilla del Reino (LG 5). Se pasó a tener la concepción de la Iglesia como sacramento de salvación (no es la salvación, sino que es señal e instrumento de esta salvación), que está presente en la historia del pueblo y es misterio (y no solamente el tiemplo, el clero, las leyes…).

- Comunión
Antes la Iglesia era identificada con el “clero” (jerarquía), siendo los laicos tratados como “cristianos de segunda categoría”. Ahora hay un cambio de sujeto eclesial: todos los bautizados forman el “Pueblo de Dios” (LG 2). Hay el redescubrimiento de la comunitas, koinonía, comunidad  (cf. LG, DV – Dei Verbum, AG – Ad Gentes, PO – Presbyterorum ordinis, PC – Perfectae Caritatis), y un un retorno católico a las fuentes bíblicas de la Revelación (DV), y la apertura a  un fuerte espíritu ecuménico (UR – Unitatis Redintegratio, DH – Dignitatis Humanae, AG).
“Al hablar de la Iglesia, el Concilio Vaticano II piensa, primariamente, en la comunidad de los fieles y en su función en la salvación del mundo. La misión es algo que debe ser sentido y vivido comunitariamente. En cualquier lugar, la misión es privilegio y responsabilidad comunitaria de la Iglesia Universal”[3].
- Colegialidad e Iglesia Local como responsable de la misión:
Se restablece el valor de la colegialidad de los obispos[4], respetándose la autonomía de las Iglesias particulares. El mundo fue dividido en diócesis, cada una con su pastor y guía, pero al mismo tiempo se reconoció  que “la Iglesia es, en efecto, una familia de iglesias locales en que cada una debería estar abierta para las necesidades de las otras y dispuesta a compartir sus bienes espirituales y materiales con ellas”[5] (cf. LG 23,26).
“Es un aspecto decisivo de la eclesiología de comunión que rompe con el esquema piramidal, en el cual la Iglesia parecía ser una única e inmensa diócesis que tenía a frente el papa, y convirtiendo a  los otros obispos en instrumentos  de transmisión de esas orientaciones de Roma”[6].

b)      Origen Trinitaria de la Misión:
La misión tiene su origen en el misterio de la Trinidad, y está fundamentada en el proyecto de amor de Dios para el mundo. Este proyecto fue revelado por Jesús, siendo el Espíritu Santo el protagonista de la misión. Así, se llega a la conclusión de que “la Iglesia peregrina es misionera por su naturaleza, puesto que toma su origen de la misión del Hijo y del Espíritu Santo, según el designio de Dios Padre” (AG 2).
Esta misión revela el plan de Dios en la historia humana, basada en el proyecto del Reino, siendo responsabilidad de la Iglesia continuar el camino misionero, no ser sustituta de Dios. Pues Dios es la fuente, el método y el fin de la misión. Así se abren nuevas perspectivas para la fundamentación, la motivación, el dinamismo, la metodología y sustentación de la misión.

c)      La misión como responsabilidad de todos los bautizados
Otro paso significativo dado fue en lo referente a los responsables por la misión, donde se recuerda que los pastores no son los únicos agentes. “Aun cuando algunos, por voluntad de Cristo, han sido constituidos doctores, dispensadores de los misterios y pastores para los demás, existe una auténtica igualdad entre todos en cuanto a la dignidad y a la acción común a todos los fieles en orden a la edificación del Cuerpo de Cristo” (LG 32).
Esto “hace que no se pueda pensar más en la misión como tarea pastoral más o menos aislada de esto o de aquel misionero, de esto o aquel instituto misionero, tampoco como una tarea en que unas  Iglesias (del viejo occidente cristiano) apenas tengan que dar y nada a recibir, al contrario de otras Iglesias locales (de las tierras de misión) que apenas tendrían que recibir y nada podrían dar”[7].
Así, con el Vaticano II, se reconoce también la responsabilidad específica del laico en la misión (apostolado) de la Iglesia y la necesidad de una mayor atención en cuanto a la actuación en el mundo (AA – Apostolicam Actuositatem). Apostolado indica “enviado” a una misión, mostrando que “toda” la Iglesia es enviada. La misión del laico es la misión de la Iglesia: anunciar la Buena Nueva del Reino por la manera de vivir en comunión fraterna y la participación en la construcción del mundo,  por su modo de ser cristiano. Por ejemplo, si un cristiano es médico, siendo médico tiene el derecho de participar dentro y fuera de la Iglesia – él es pueblo de Dios que vive en comunión y participación, pues la dicotomía “el clero dentro y el laico fuera” está, por lo menos  en el papel,  superada.
Una actitud práctica post-conciliar fue el surgimiento, con la participación activa de laicos, de los Consejos Pastorales, de propios Consejos locales, regionales y nacionales de Laicos, y  la apertura y reconocimiento de los “ministerios laicales” por parte de la Iglesia.

d)      Apertura, dialogo y libertad:
Uno de los grandes objetivos del Concilio fue, justamente, abrir un mayor dialogo con los “hermanos separados”[8] (UR), con los no-cristianos[9] (NA – Nostra Aetate) y con la humanidad (GS), pues la Iglesia reconoce que todos los seres humanos constituyen una sola comunidad, llamada a demostrar, a través de la caridad y de la unión, el camino del respeto mutuo, de la  libertad religiosa y de la búsqueda del bien común (cf. DH, NA, GS). Pablo VI, en el inicio de su pontificado, abre caminos  para esto, afirmando que “la Iglesia es diálogo”: “La Iglesia debe entrar en diálogo con el mundo en el que vive. La Iglesia se hace palabra, se hace mensaje, se hace coloquio. (…) En el diálogo, así entablado, se realiza la unión de la verdad y de la caridad, de la inteligencia y del amor” (Encíclica Ecclesiam Suam,  nn.38 e 47).
De esta manera, se abre el paradigma para el diálogo y para una teología ecuménica. Al mismo tiempo, la Iglesia se abre y, después de siglos de negación de la modernidad, hace un camino de revalorización de las realidades terrenas (diálogo con el mundo), a través de un diálogo con las ciencias y con la modernidad, donde la Iglesia auxilia la actividad humana, pero también recibe ayuda del mundo (cf. GS 40-45). “La Iglesia pretende ayudar a todos los seres humanos de nuestro tiempo a hacer  el mundo más conforme a la sublime dignidad de la persona y aspirar a una verdadera fraternidad universal”[10].
En este intercambio con el mundo, la Iglesia tiene el único fin de realizar el Reino de Dios (cf. GS 39,45,72). La salvación es la participación en la vida de Dios, basándose en el empeño por la justicia y por la paz, y en la promoción humana integral, pues la “inserción en la realidad, conciencia histórica, contemporaneidad, sin concesiones a los modismos, y visión utópica delinean el campo semántico del aggiornamento”[11].

e)      Nuevos tiempos:
El tema central de la Gaudium et Spes es sobre la atención a los “nuevos tiempos” (cf. GS 4,11,44) y sobre el Pueblo de Dios en el mundo, como señal del Reino de Dios. “En virtud de su misión de iluminar el mundo entero con el mensaje de Cristo y de reunir en uno sólo espíritu todos los seres humanos de cualquier nación, raza o cultura, la Iglesia constituye una señal de aquella fraternidad que hace  posible y fortalece el diálogo sincero”[12].
Es necesario escrutar los signos de estos nuevos tiempos para responder, de modo adecuado a cada generación y a los perennes interrogantes del Hombre. El Hombre de hoy vive en un período de rápidas mutaciones, y con frecuencia, se queda incierto y dudoso; aún teniendo grandes riquezas, sufre en muchas regiones del mundo a causa del hambre y del analfabetismo; el sentido de libertad y alimenta formas de esclavitud; tiene el sentido de unidad y fomenta contrastes políticos y raciales; al progreso temporal no corresponde un adecuado progreso espiritual; suceden cambios profundos, sociales, sicológicos, morales y religiosos, contrastando con un cierto desequilibrio en el mundo contemporáneo y en la búsqueda de aspiraciones más universales de la humanidad, de justicia política y social (cf. GS 4-10).
En este contexto, se observa que el mensaje evangélico y la cultura humana tienen rasgos comunes, llevando a redefinir que es misión: “en los procesos que llevaron a la redefinición de la misión, se observa el paso de una Iglesia que tiene misiones territoriales, por las cuales hace colectas y pide oraciones, a una Iglesia en la cual la misionariedad representa la orientación fundamental de todas sus actividades”[13].
Consideraciones finales:
Durante los últimos siglos y hasta el día de hoy sentimos un florecer de prácticas que se desenvuelven: sentimos que hubo muchos cambios, algunos drásticos, en la eclesiología y vivencia de la fe después del Concilio Vaticano II que generó cierta confusión en mucha gente y grupos religiosos y civiles. Muchos trabajan valerosamente por fortalecer la vivencia eclesial de la fe, inculturada en las culturas y manteniendo la fidelidad a la tradición cristiana, y otros se refugian en fundamentalismos religiosos para defender prácticas pertenecientes a la época de la cristiandad.
Según el misionólogo Paulo Suess nuestra práctica de evangelización y presencia cristiana en el mundo, en las culturas y en la historia puede ser de[14]:
-         Destruir la identidad de los otros a través de una colonización que impone el propio modo de ser como normativo; esta presencia destructiva presupone, generalmente, alianzas con el poder político y estructuras autoritarias en la propia Iglesia;
-         Perder su propia identidad mediante una modernización que somete el proyecto del Reino a la normatividad del mundo;
-         Protegerse de la pérdida de identidad a través de un cerramiento fundamentalista;
-         Practicar una inculturación a medio camino como aculturación, adaptación, traducción o asimilación;
-         Practicar una inculturación propiamente dicha que procura vivenciar el misterio de la encarnación/liberación en la realidad de los pueblos.
Ojalá hagamos caminos teniendo en vista la invitación de Jesús “id por todo el mundo y predicad el Evangelio a toda creatura” (Mc 16,15), haciendo un camino de discernimiento y construcción de puentes para hacer posible que el proyecto del Reino de Dios se cumpla entre todos los pueblos, teniendo presente que la misión es responsabilidad de todos los bautizados y bautizadas, dentro del proceso de integración del anuncio y del diálogo, en y con diversas culturas.
* Julio Caldeira, imc, misionero en Ecuador.


[1] En nombre de este principio, suceden también absurdos: justificación de guerras-santas, se toleraba e incentivaba, en algunos casos, la esclavitud y muchas otras cosas, desde que fuera permitido cuidar de las almas de los individuos. Entretanto, también surgieron voces proféticas que defienden los indígenas (Montesinos, Las Casas, etc.) y cuestionan la manera de realizar las misiones-colonizadoras y la evangelización.
[2] MOSER, Hilário. Concílio Vaticano II: você conhece? Síntese dos documentos conciliares. São Paulo: Ed. Salesiana, 2006, p.13.
[3] OLIVEIRA, Ednilson T. e MURA, Francesca. A Missão além-fronteiras: um estudo a partir dos documentos do Concílio Vaticano II. São Paulo: CXAM, 2005, p. 8.
[4] En los años que suceden al Vaticano II, Pablo VI crea el Sínodo de los Obispos para discutir sobre las cuestiones relativas a la vida, doctrina y misión de la Iglesia.
[5] BOSCH, David. Missão transformadora: mudanças de paradigma na teologia da missão. 2ª ed. São Leopoldo, RS: Sinodal, 2007, p.456.
[6] NUNES, José. Teologia da Missão: notas e perspectivas. Lisboa: OMP, 2008. p.52.
[7] NUNES, José. Op. cit. p.52-53.
[8] El Pontificio Consejo para la Unidad de los Cristianos dejó de usar esta expresión y pasó a usar “hermanos de otras confesiones cristianas”.
[9] Este asunto es tratado, principalmente, en la Declaración Nostra Aetate (NA), resaltando el diálogo con el judaísmo y con el islamismo.
[10] MOSER, Hilário. Op. cit. p.24.
[11] SUESS, Paulo. Op. cit. p.121.
[12] MOSER, Hilário. Op. cit. p.24.
[13] SUESS, Paulo. Op. Cit. p.221.
[14] SUESS, Paulo. Evangelizar a partir dos projetos históricos dos outros. São Paulo: Paulus, 1995, p.221.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Posse de Dom Paolo Mietto como Administrador Apostólico em Sucumbíos – Equador.

Por: Julio Caldeira, imc *

Neste dia 07 de marzo de 2012, na Catedral N.Sra. do Cisne, às 10h, em Nueva Loja (Lago Agrio), capital da província amazônica de Sucumbíos – Equador, Dom Paolo Mietto, csj, bispo titular de Muzuca de Bizacena y Vigário Apostólico Emérito de Napo, tomou posse como Administrador Apostólico, sede plena, do Vicariato de San Miguel de Sucumbíos. Sua nomeação fez renascer a esperança de que a paz, a reconciliação e a unidade são possíveis em Sucumbíos, depois de 17 meses de conflitos sócio-religiosos.

Dom Paolo Mietto, CSJ, nasceu em Pádua (Itália), no dia 26 de maio de 1934. Realizou seus estudos secundários em Institutos dirigidos pelos padres josefinos e os de Filosofia e Teologia no Instituto São Pedro da cidade de Viterbo. Foi ordenado sacerdote no dia 30 de março de 1963. Desempenhou vários cargos de importância entre os quais a cátedra de Teologia Dogmática em comunidades dos padres josefinos, a quem está confiado o Vicariato Apostólico de Napo. Foi eleito Superior Geral da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo) no ano de 1982 e reeleito para um segundo período consecutivo como tal. Em setembro de 1994, o papa João Paulo II o nomeou bispo coadjutor do Vicariato Apostólico de Napo – Equador. Em 1996 sucedeu no governo pastoral a Dom Julio Parise, CSJ, como bispo Vigário Apostólico de Napo. Em 2010 o papa Bento XVI aceitou sua renúncia por limite de idade e no passado 10 de fevereiro de 2012 o nomeou como Administrador Apostólico sede plena do Vicariato Apostólico de San Miguel de Sucumbíos.

Durante sua intervenção Dom Paolo Mietto resgatou os 40 anos de labor pastoral de Dom Gonzalo López Marañón y o trabalho de décadas dos carmelitas descalços à frente do Vicariato. Disse que está contente de estar aqui e que porá todo empenho para ajudar que o povo católico de Sucumbíos chegue à reconciliação e unidade: “tenho um sonho, um sonho que desde hoje assumamos todos, bispos, religiosos, sacerdotes, consagrados e todo o povo: o desafio de fazer do povo católico que vive em Sucumbíos uma igreja missionária e profética, fazer de San Miguel de Sucumbíos uma verdadeira casa e escola de comunhão”.

Como primeiro gesto de serviço e abertura, como pastor dos fiéis de Sucumbíos, ficou no final da celebração a escutar e receber as homenagens de todos que se aproximaram a ele. Sem dúvida, como disse o comentário inicial da celebração, “nossa Igreja de San Miguel de Sucumbíos se enche de gozo ao acolher como Administrador Apostólico a Dom Paolo Mietto. Roguemos ao Senhor para que o Espírito Santo guie seu labor pastoral em benefício do Povo santo de Deus”. Todos em seus panfletos destacaram os sentimentos do povo em Sucumbíos: “Bem vindo Dom Paolo Mietto!”

* Julio Caldeira, imc, missionário da Consolata na Pastoral Indígena de Sucumbíos – Equador.